Taxa nos EUA trará “impactos severos” para o setor coureiro do Brasil
A sobretaxa de 50% aos produtos brasileiros nos Estados Unidos, medida que entra em vigor no dia 6 de agosto, deve, segundo o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), trazer “impactos particularmente severos” ao setor coureiro nacional. “A medida compromete a competitividade do couro brasileiro nesse mercado-chave. Inviabiliza embarques futuros, reduz margens de lucro, provoca perdas de contratos estratégicos e abre espaço para concorrentes de outros países. Considerado o perfil das exportações brasileiras para os EUA, com predomínio de produtos de alta qualidade e valor, os impactos podem ser particularmente severos”, analisa Rogério Cunha, da área de Inteligência Comercial do CICB.

Os Estados Unidos mantiveram-se como segundo maior mercado para o couro brasileiro no primeiro semestre de 2025, com US$ 78 milhões em compras. Embora represente 13,6% do total exportado em valor, a importância do mercado estadunidense, segundo Cunha, “vai além dessa participação percentual, pois trata–se de destino preferencial” para couros com maior valor agregado: 92,3% do volume enviado ao país foi de couro acabado, estágio mais avançado de processamento e o que concentra maior
industrialização.
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O Brasil também exportou aos EUA 6% em couros semiacabados e volume pequeno sem agregação de valor. “A predominância do couro acabado nas exportações para esse mercado revela a consolidação da relação comercial baseada na qualidade e na confiabilidade do produto brasileiro”, afirma Cunha.

Primeiro semestre
No primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou US$ 572,4 milhões em couros e peles, valor 11,9% inferior ao registrado no mesmo período de 2024. Por outro lado, o peso dos embarques teve um leve crescimento de 2,9%, alcançando 306 mil toneladas. Isso indica uma redução nos preços médios praticados no mercado internacional.
Nos seis primeiros meses do ano, as exportações do Grupo Minuano (Lindolfo Collor/RS) cresceram 5%. De acordo com o business manager da companhia, Mateus Leão Enzweiler, o incremento foi “em linha com as expectativas”. “Crescimento que se refletiu em aumento de produção e de faturamento”, comenta.
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Impacto imediato no resultado
Em relação à sobretaxa aos produtos brasileiros nos Estados Unidos, Enzweiler acredita que a medida refletirá de forma imediata nos embarques de couro do Grupo Minuano. “Há uma tendência de que no segundo semestre, as exportações deem uma leve esfriada, principalmente no terceiro trimestre, por um impacto das tarifas”, projeta o empresário.
Por outro lado, o business manager do Grupo Minuano tenta manter o otimismo para um acordo entre Brasil e Estados Unidos em relação à sobretexa. “Tudo ainda é uma grande incógnita. Acredito que as coisas vão se ajustar com o tempo. Agora, não se sabe quanto tempo vai levar”, comenta.
Acordo com os Estados Unidos
Em comunicado enviado ao Exclusivo, o CICB informa que tem atuado junto às autoridades para que haja articulação por parte do governo brasileiro e de entidades representativas para um acordo com os Estados Unidos. “Buscamos soluções diplomáticas e comerciais que minimizem os efeitos dessa barreira, preservando o acesso do couro nacional a um dos seus principais mercados e garantindo a sustentabilidade das cadeias produtivas envolvidas”, diz a entidade.
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