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Tarifa nos EUA: "impactos já estão sendo percebidos pelos exportadores"
Os exportadores já sentem os impactos da tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros nos Estados Unidos.
Última atualização: 23/07/2025 15:50
A implementação da tarifa de 50% aos produtos brasileiros nos Estados Unidos, a partir de agosto, já impacta nas empresas exportadoras do Brasil. O apontamento é do presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, que esteve reunido, nesta segunda-feira (21), com o presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, no Palácio do Planalto, em Brasília/DF, para tratar das demandas da indústria gaúcha em relação ao impasse com os EUA.
“Os impactos já estão sendo percebidos pelos exportadores: clientes estão cancelando encomendas, cargas estão paradas em portos ou em navios no meio do caminho. Essa situação logo vai gerar desemprego, paradas na produção, férias forçadas e todos os efeitos nocivos que conhecemos", disse o presidente do Sistema Fiergs.
Bier ressalta a preocupação do Sistema Fiergs com os efeitos que as tarifas trarão ao Rio Grande do Sul, uma vez que 99% das exportações do estado aos EUA são de bens industriais. Conforme estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o RS será o segundo estado mais impactado do País, com uma estimativa de queda de R$ 1,9 bilhão no seu Produto Intero Bruto (PIB) em um ano.
Prioridade na manutenção da atual tarifa nos EUA
O presidente do Sistema Fiergs entregou uma carta a Alckmin em que pede prioridade na manutenção da atual tarifa (taxa de 10% ao produto brasileiro, anunciada em abril). Solicita que se busque prorrogação por ao menos 90 dias caso os novos percentuais sejam adotados. Bier também cita a necessidade de ações compensatórias internas caso a elevação de tarifas seja implementada. Entre elas estão a facilitação de crédito e capital de giro para empresas afetadas. Além disso, sugere reforço de mecanismos de reintegração tarifária, incentivos à manutenção de empregos e ações de acesso a novos mercados.
Alckmin reforçou que a prioridade do governo é investir no diálogo e nas negociações. "Ficou claro aqui que o impacto social e financeiro para o RS é muito grave, sobretudo quando tivemos conhecimento que 99% do que o estado exporta para os EUA são bens industriais", disse. Ele reitera que é preciso seguir "tentando sensibilizar os empresários americanos de que o tarifaço também será prejudicial" para os Estados Unidos. "Vale lembrar que o caminho jurídico também pode ser uma saída, assim como fizeram os empresários brasileiros de suco de laranja que entraram na justiça nos EUA alegando que o tarifaço fere normas comerciais", comenta o presidente da República em exercício.
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Mercado americano
Dados da Unidade de Estudos Econômicos do Sistema Fiergs mostram que, no Rio Grande do Sul, cerca de 1,1 mil indústrias exportam para os Estados Unidos. Ou seja,10% do total brasileiro. Por fim, nas vendas da indústria de transformação gaúcha, o mercado norte-americano responde por 11,2%, sendo o maior parceiro comercial das fábricas do estado. Produtos de metal, máquinas e materiais elétricos, madeira, couro e calçados e celulose e papel estão entre os segmentos com maior exposição aos EUA.
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