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Industriais criticam atuação de entidade e cobram antidumping contra importações da China

Em 2024, Brasil importou quase 10 milhões de pares da China

Industriais criticam atuação de entidade e cobram antidumping contra importações da China

Empresários da indústria têxtil brasileira criticam atuação de entidade de classe e estão cobrando antidumping contra malhas importadas da China. Em comunicado enviado ao Exclusivo, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) reforça a urgência da aplicação, pelo governo federal, do direito antidumping sobre as importações de malhas de poliéster da China, “medida amparada por investigação técnica que comprovou a prática de dumping e seus efeitos nocivos sobre a indústria têxtil brasileira, o emprego, a economia e a sociedade como um todo”.

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Adobe Stock Empresários brasileiros pedem urgência na aplicação do direito antidumping sobre importações de malhas da China

De acordo com a FIEMG, os dados analisados ao longo da investigação evidenciam o caráter predatório dessa prática. “Enquanto a China exporta malhas de poliéster para outros mercados internacionais a valores médios em torno de US$ 7,20, no caso brasileiro o produto chegou a ser comercializado por cerca de US$ 2,20 no período analisado. Trata-se de uma diferença que não se explica por ganhos de eficiência, mas por preços artificialmente rebaixados, que inviabilizam a concorrência e pressionam a produção nacional”, diz a federação.

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No comunicado, os industriais dizem que “causa preocupação o fato de que, mesmo diante de evidências técnicas robustas, a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX) vem atuando nos bastidores para impedir a adoção do antidumping”. Ainda conforme a FIEMG, “essa movimentação contribui para a manutenção de uma concorrência desleal, que fragiliza a produção nacional, compromete a cadeia da confecção e coloca em risco milhares de empregos”.

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Para os empresários industriais, a postura da entidade do varejo “é contraditória, sobretudo porque a defesa da isonomia tributária e da concorrência equilibrada já foi, em outros momentos, uma bandeira compartilhada com a indústria”. A FIEMG segue destacando que “é coerente defender regras quando favorecem determinados interesses e rejeitá-las quando passam a proteger a produção nacional”.

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“Continuidade de um comércio desleal”

Para o presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, a atuação da ABVTEX desconsidera os impactos estruturais dessa prática. “A ABVTEX, ao se movimentar contra a aplicação do antidumping, acaba defendendo a continuidade de um comércio desleal que prejudica a indústria brasileira. Não é aceitável sustentar discursos diferentes conforme a conveniência. Se o produto nacional paga impostos, o importado também deve pagar. Concorrência justa não pode ser seletiva”, afirma.

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Os industriais afirmam que o impacto é “especialmente grave” para os fabricantes de malhas, que atendem um “mercado que exige flexibilidade, produção sob medida e prazos curtos, incompatíveis com importações padronizadas e em larga escala”.

“Mesmo sendo capaz de operar em patamares competitivos, com preços em torno de US$ 2,70 a US$ 2,80, a indústria brasileira perde espaço para produtos importados que entram no País a cerca de US$ 2,00, comprometendo a sustentabilidade do setor. O enfraquecimento dessa base produtiva compromete toda a cadeia da moda e amplia a dependência externa em um setor estratégico”, diz o comunicado da FIEMG.

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Empregos ameaçados e País “perde capacidade produtiva”

O presidente do Sindicato das Indústrias de Malhas de Minas Gerais (Sindimalhas-MG), Aroldo Teodoro Campos, alerta para os riscos da omissão. “Sem o antidumping, empresas e empregos ficam ameaçados, e o País perde capacidade produtiva em um setor estratégico”, destaca.

A FIEMG reafirma que a defesa comercial é um instrumento legítimo, previsto nas normas internacionais, e que a aplicação do direito antidumping é uma decisão técnica, necessária e urgente para preservar a indústria nacional e garantir condições justas de concorrência.

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O Exclusivo procurou a ABVTEX, que até a publicação desta matéria ainda não havia se posicionado sobre o assunto. Caso haja alguma manifestação, o conteúdo será atualizado.

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