×
Publicidade

Falta de mão de obra impede crescimento de fábrica de calçados

Sede da La Femme, em Birigui/SP

Falta de mão de obra impede crescimento de fábrica de calçados

A falta de mão de obra qualificada, questão latente em diferentes polos produtivos do Brasil nos últimos anos, tem impedido o crescimento de uma fábrica de calçados paulista. Atualmente, a escassez de profissionais qualificados é o principal entrave para o aumento da produção da La Femme (Birigui/SP), especializada na produção de calçados flats com pedrarias.

Sede da La Femme, em Birigui/SP
Reprodução/Google Street View Sede da La Femme, em Birigui/SP

“O segundo semestre de 2025 foi de grande desafio porque tínhamos uma perspectiva de crescimento e o próprio mercado não permitiu que tivéssemos um aumento, devido à falta de mão obra que tem sido um grande entrave para a indústria, comércio e demais ramos. Hoje está mais fácil ter um assistencialismo, um ‘por fora aí’, do que estar empregado dentro de uma indústria”, comenta o fundador e diretor da La Femme, Renato Barboza, em entrevista ao Exclusivo, nesta semana, durante a feira calçadista Zero+, em Novo Hamburgo/RS.

LEIA TAMBÉM: Calçados Beira Rio vai fechar 2025 com crescimento e expansão global

Publicidade

Barboza disse estar frustrado por não conseguir ampliar o volume de produção da empresa, com reflexos diretos da escassez de mão de obra e do mercado “travado”. “Nós tivemos uma dificuldade muito grande de aumentar a produção, foi frustrante já ter que segurar esse aumento por causa da falta de mão de obra e no decorrer do segundo semestre, quando a gente estava achando que o negócio engrenaria, o mercado travou, os comerciantes estão receosos e reticentes em relação a investimentos e compras”, observa.

Publicidade

Vendas fechadas no “sacrifício”

O empresário menciona que o fim de ano foi de “grande desafio” para o fechamento das vendas. “Fechamos com 100% das vendas até o dia 17 de dezembro, porém, com sacrifício, com uma dificuldade e com um temor do mercado. Todos os representantes comerciais estão tendo dificuldades pelo próprio mercado, que não tá tendo essa energia toda para o fim do ano, tá todo mundo focado na Black Friday, todo mundo focado no que vai acontecer até o Natal, porque tá uma incógnita danada”, aponta.

Faça parte da comunidade do Exclusivo no WhatsApp

Publicidade

“Primeiro semestre foi melhor que o segundo”

Comumente e historicamente, o segundo semestre do ano é tradicionalmente melhor para a indústria de calçados no Brasil devido à sazonalidade do mercado. Este período concentra as vendas para datas importantes, como a Black Friday, o Natal e a transição para a temporada de verão. No entanto, o diretor da La Femme observa que em 2025, essa lógica de mercado se inverteu. “Eu tive mais entrada de pedidos no primeiro semestre do que no segundo. A primeira vez que isso acontece em 18 anos de mercado da La Femme. O segundo semestre caiu em relação ao primeiro semestre, algo completamente fora de padrão”, disse.

Publicidade
Renato Barboza, fundador e diretor da La Femme
Michel Pozzebon/GES-Especial Renato Barboza, fundador e diretor da La Femme

Perspectivas para o próximo ano

Em relação às perspectivas para 2026, o empresário destaca que o próximo ano “é um ano de eleições, um ano em que a gente precisa tomar uma decisão no Brasil em relação ao nosso futuro, porque está com um futuro bem incerto da maneira que o País está sendo conduzido atualmente”. Na visão de Barboza é necessária a retomada da agenda de reformas e de uma política que incentive quem gera emprego e renda. Ele cita o exemplo da China, um país com o qual ele disse ter um relacionamento de 18 anos. “Eu vejo o incentivo de um governo comunista incentivando o empresário a crescer, a exportar. Cada dólar exportado, ele (empresário) recebe um benefício. Cada posto de emprego que ele dá, ele tem uma condição melhor para poder estar crescendo e empreendendo mais. Aqui no Brasil conforme você cresce, você é penalizado. Aqui você sai de um Simples Nacional, passou de um patamar. A hora que você passa para um lucro presumido, você é penalizado com um monte de impostos, de taxas, que fica muito inviável”, comenta.

O diretor da La Femme ressalta que o Brasil “vinha sendo conduzido para uma desburocratização das empresas, para a facilidade do empresário, para a coisa andar”.

Publicidade

“No governo atual tivemos um entrave, porque a própria postura do governo coloca o empresário, que dá emprego, contra o empregado. Hoje você é um oportunista da mão de obra, você tá abusando e aproveitando o suor do ser humano para ter lucros. Hoje você passa um semestre sofrido, você está há 18 anos no mercado, você nunca teve uma situação da maneira como está hoje e ainda tem que lutar contra os desdenhos do governo”, disse Barboza.

Newsletter: Cadastre seu e-mail para receber as novidades do Exclusivo

Publicidade

Share this content:

Publicar comentário