Calçadistas “não devem se desesperar” com tarifaço de Trump, diz economista
Para o economista e articulista do Jornal Exclusivo, Orlando Assunção Fernandes, os calçadistas “não devem se desesperar” com o tarifaço dos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Fernandes comentou sobre a medida oficializada, nesta quarta-feira (30), pelo presidente estadunidense, Donald Trump, que sobretaxa em 50% a partir de 6 de agosto, diferentes itens produzidos no Brasil, entre eles, calçados e couros.

“Ainda há esperança no setor coureiro-calçadista. Não é para se desesperar. Deve se continuar negociando, analisando as possibilidades de se conseguir eventualmente uma isenção. Acho que a lista de isenções não para por aí”, disse o economista ao comentar sobre a lista de “exceções”, com produtos brasileiros que não serão sobretaxados, caso de petróleo, aeronaves e madeira. Segundo Fernandes, a relação inclui 379 itens – que correspondem a pouco mais de US$ 18 bilhões do valor que o Brasil exportou aos Estados Unidos no ano passado. Ele acrescenta que 42% de toda a corrente de comércio paga a alíquota mínima (10%).
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Como sugestões para o setor coureiro-calçadista brasileiro, Fernandes aconselha que, no curto prazo, prossiga as negociações por uma alíquota reduzida – com as interlocuções que a Abicalçados e o CICB têm feito com o governo brasileiro. “Isso é bem possível”, diz ele. No médio e longo prazos, o economista recomenda que se busque novos mercados. “Não é algo que se faz da noite para o dia. Esse processo leva de 6 a 12 meses, para se começar a exportar para um novo mercado. Aos poucos deve se tentar abrir novos mercados para diminuir esta dependência da economia americana”, comenta.
Impactos do tarifaço na economia americana
Fernandes explica que alguns dos produtos brasileiros que não foram sobretaxados “são produtos com claro peso no consumo do americano médio”. “Então, são produtos relevantes na cesta de consumo de um americano e por isso sofrem pressão do próprio setor produtivo, que exerce pressão sobre o governo americano e também tem um lobby significativo com o congresso americano”, destaca.
O economista acrescenta que além do “peso significativo” no consumo, os itens não sobretaxados por conseguinte “tem peso na inflação americana”. “Se você eleva alíquotas de importação, tudo que vem de fora vai vir mais caro e isso pressiona a cadeia de custos de produção, que pode levar a pressões inflacionárias na economia americana e até a uma elevação na taxa básica de juros, o que naturalmente exercerá pressão sobre a a atividade econômica americana”, analisa.
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