Produção brasileira de calçados pode crescer até 1,4% em 2026
A produção da indústria calçadista brasileira pode alcançar um crescimento de até 1,4% em 2026 na comparação com o ano passado, quando foram produzidos 847,5 milhões de pares no País. A projeção foi apresentada, nesta terça-feira (19), na coletiva de imprensa nacional da indústria calçadista brasileira, durante a 6ª BFSHOW, em São Paulo/SP.

O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, acredita na manutenção dos números de produção alcançados em 2025, no entanto, com a melhora do cenário das exportações em abril – foram exportados 8,2 milhões de pares, aumento de 9% –, ele prevê este incremento de 1,4% no volume produzido. “Nós devemos manter os níveis que tivemos em 2025, porém, se o cenário da exportação tiver essa melhora como sinalizou o mês de abril e pelo movimento que nós estamos vendo aqui na própria feira (BFSHOW), nós poderemos chegar a ter um crescimento de até 1,4% no ano de 2026”, disse.
Reflexos do “tarifaço” de Trump
A queda nas exportações brasileiras de calçados no primeiro trimestre de 2026 – quedas de 16,6% em volume e de 21,8% em receita – é atribuída, em grande parte, ao “tarifaço” imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump aos calçados importados do Brasil pelos americanos. “As tarifas adicionais para o merocano americano, que sempre foi o principal destino das exportações brasileiras, refletiu nos resultados que tivemos no primeiro trimestre”, aponta Ferreira.
A derrubada do “tarifaço” em fevereiro tem contribuído para uma melhora gradativa nas exportações brasileiras de calçados, apesar de, segundo o dirigente da Abicalçados, os números ainda serem negativos no primeiro quadrimestre de 2026. Desde a retirada da sobretaxa, os embarques para o mercado americano aumentaram 40%. “Isso sinaliza que mantendo a tarifa única de 10%, nós vamos pelo menos recuperar grande parte da perda das exportações que nós tivemos no ano de 2025. A tarifa única de 10% não tira a competitividade do nosso setor”, comenta.
Ferreira conta que, nesta segunda-feira (18), na abertura da 6ª BFSHOW, conversou com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, sobre a manutenção da tarifa única de 10% no mercado americano. “Ele me disse que está sendo negociado para que não haja o retorno da tarifa adicional de 30%, que é o grande receio da indústria nacional”, afirma o executivo.

Aumento nas importações de calçados
O aumento das importações de calçados nos últimos anos no Brasil, especialmente asiáticos, têm, segundo a Abicalçados, “ampliado os desafios competitivos para a indústria nacional”. Conforme Ferreira, entre os anos de 2022 e 2025, as importações cresceram 70% no País. “Também conversamos com o ministro sobre a mudança das licenças automáticas de importação para licenças não-automáticas, o que pode regular a entrada destas importações no País”, disse Ferreira.
De acordo com o dirigente da Abicalçados, as importações de calçados no Brasil cresceram 20% em 2025, atingindo o maior nível da série histórica iniciada em 1997. Nos quatro primeiros meses deste ano, as importações aumentaram 13,9% em valor e 18% em pares.
“Taxa das blusinhas”
Um dos problemas que a indústria calçadista nacional tem enfrentado, segundo Ferreira, é o fim da chamada “taxa das blusinhas”, nome dado ao imposto de importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50. “Isso realmente é um desequilíbrio concorrencial com a indústria nacional porque produtos produzidos em outros países, principalmente na Ásia. Além dos custos inferiores aos nossos, os produtos são produzidos na Ásia, muitas vezes, por trabalhadores ou por empresas que não respeitem as condições mínimas estabelecidas pela OIT (Organização Internacional do Trabalho)”, comenta.
A Abicalçados tem se articulado junto ao governo federal para buscar uma alternativa à isenção da “taxa das blusinhas”. “Ela (taxa) foi criada para buscar tentar dar uma isonomia, porém, com o zeramento, isso prejudica toda a indústria nacional e coloca em risco os trabalhadores no Brasil (Abicalçados estima que o fim da taxa coloca 50 mil empregos em risco no setor calçadista)”, aponta Ferreira.
Acordo Mercosul e União Europeia
O acordo Mercosul e União Europeia (UE), que tem seu pilar comercial valendo desde o dia 1º de maio, foi comemorado pelo presidente-executivo da Abicalçados. “Esse acordo tem um período de desgravamento de 10 anos, mas a redução de tarifas já começou. A tarifa de calçados de 3,5% até 17%. Esses produtos que hoje pagam 17% para entrar no mercado europeu passarão a custo zero. Os calçados produzidos na UE não são os grandes concorrentes da indústria nacional, porque o custo deles é mais elevado”, explica.
Ferreira disse que “vê com muito bons olhos” o acordo Mercosul e UE. “É uma oportunidade de expandir a indústria nacional a exportar mais para a Europa, para onde nós já exportamos. Mas, aumentar a exportação para este mercado também é muito importante para nossa indústria”, avalia.

Acordo e tratativas
Presente na coletiva de imprensa nacional da indústria calçadista brasileira, o diretor de Gestão Corporativa (COO) da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Floriano Pesaro, destacou as potencialidades do acordo Mercosul e UE. “Em 7 anos vamos zerar a taxa do couro e em 10 anos, vamos zerar todas as taxas, todos os impostos do comércio entre Brasil e Europa”, disse.
Pesaro adiantou que, daqui um mês, a ApexBrasil fará uma missão com a Abicalçados para Washington (Estados Unidos), para tratar das exportações brasileiras de calçados para o mercado americano.
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