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Fim da “taxa das blusinhas” coloca 50 mil empregos em risco no setor calçadista

Setor calçadista terminou primeiro semestre com estoque de quase 290 mil empregos diretos

Fim da “taxa das blusinhas” coloca 50 mil empregos em risco no setor calçadista

Calçadistas brasileiros alertaram que, o fim da chamada “taxa das blusinhas”, nome dado ao imposto de importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50, coloca 50 mil empregos em risco no setor. Em nota enviada ao Exclusivo, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) manifesta a sua preocupação e repúdio à medida provisória nº 1.357/2026, que restabelece a isenção do imposto e que foi formalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (13).

Setor calçadista terminou primeiro semestre com estoque de quase 290 mil empregos diretos
Arquivo/GES Fim do imposto de importação nas compras de até US$ 50 “compromete” postos de trabalho na indústria, alertam calçadistas

Conforme a entidade calçadista, a medida é “drasticamente prejudicial ao setor” e “aprofunda importante desequilíbrio concorrencial entre produtos importados e aqueles produzidos e comercializados no Brasil”.

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O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, ressalta que, além de gerar instabilidade regulatória, a medida representa um retrocesso no esforço de redução das assimetrias concorrenciais no comércio eletrônico transfronteiriço. “Essa distorção competitiva ameaça a indústria nacional, o varejo, a geração de empregos e renda, e torna cada vez mais o Brasil apenas um destino de mercadorias estrangeiras, em detrimento da produção doméstica”, avalia. Segundo levantamento da entidade, a isenção da alíquota federal sobre essas remessas compromete 53,9 mil postos de trabalho na cadeia do setor calçadista, dos quais, 18,7 mil são empregos diretos na fabricação de calçados. O setor reúne 5,3 mil estabelecimentos, está presente em 26 estados e mais de 600 municípios e emprega diretamente mais de 278 mil pessoas.

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“Agravamento da pressão importadora” sobre a indústria calçadista

Na análise da Abicalçados, não há justificativa técnica, econômica ou concorrencial plausível para a retirada da alíquota de 20% do imposto de importação sobre remessas internacionais de até US$ 50. “Ao contrário, os indicadores setoriais apontam para o agravamento da pressão importadora sobre a indústria nacional, especialmente a partir de países asiáticos”, alerta o dirigente da entidade. As importações de calçados originários da China cresceram 85,1% nos últimos dez anos, enquanto, somente em 2025, as importações provenientes do Vietnã e da Indonésia avançaram, respectivamente, 21,4% e 32,8% em volume, alcançando os maiores patamares da série histórica (Secex). “Nesse contexto, a retirada da alíquota não corrige distorções, mas as aprofunda, favorecendo a substituição da produção nacional por mercadorias estrangeiras e intensificando a exportação de empregos brasileiros”, avalia.

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O e-commerce vem se consolidando no comércio internacional e a Abicalçados reconhece sua importância para ampliar o acesso a mercados e estimular a concorrência. “O que se repudia é a concorrência sem isonomia. A entrada de produtos estrangeiros no mercado brasileiro deve ocorrer sob regras equivalentes às aplicáveis às empresas que produzem, geram empregos, recolhem tributos e cumprem a legislação brasileira. Para isso, é fundamental avançar em uma agenda de isonomia tributária no e-commerce transfronteiriço, reforço da fiscalização, transparência das operações, combate à subfaturação e redução do Custo Brasil”, conclui Ferreira.

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Pedido ao Congresso

Diante do cenário, a Abicalçados pediu ao Congresso Nacional a rejeição da medida provisória nº 1.357/2026 e o restabelecimento da política de tributação das remessas internacionais “compatível com os princípios da isonomia concorrencial, da livre concorrência, da valorização do trabalho, da proteção do mercado formal e da preservação da indústria nacional”.

(*) As informações são da Abicalçados.

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