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Mudança nas questões tarifárias nos EUA já reflete na Micam Milano

Micam Milano chegou em sua 101ª edição

Mudança nas questões tarifárias nos EUA já reflete na Micam Milano

O aumento de 10% para 15% de uma tarifa temporária sobre as importações dos Estados Unidos de todos os países, que o presidente americano Donald Trump impôs, no sábado (21), após a Suprema Corte derrubar, ainda na sexta-feira (20), seu programa tarifário, o chamado “tarifaço”, já reverberou neste domingo (22) na abertura da 101ª Micam Milano, a maior feira de calçados do mundo, que ocorre em Milão, na Itália.

Micam Milano chegou em sua 101ª edição
Luana Rodrigues/GES-Especial Micam Milano chegou em sua 101ª edição

Henrique Hecht Galhego, head of Global Business da marca de calçados, bolsas e acessórios Jorge Bischoff (Igrejinha/RS), enxerga como positiva a tarifa temporária, principalmente após a derrubada do “tarifaço”, que desde agosto de 2025, colocava uma taxa de 50% sobre os calçados brasileiros que eram exportados para os Estados Unidos. “O mercado americano precisa do Brasil. Os americanos não querem só coisas da China por preço. O que o Brasil entrega é um produto diferenciado do que os outros mercados fazem”, aponta. Galhego conta que, desde que a taxação americana passou a valer no ano passado, as vendas da empresa para aquele mercado caíram. “Os clientes diminuíram sim, com a taxação, mas eles não deixaram de comprar, compraram menos. Então, essa “virada da taxa”, com certeza, vai ser um grande ganho para o Brasil, falando da indústria. Se a gente, mesmo com todo esse desafio, estamos ainda conseguindo fechar preços, tu imagina quando isso realmente se efetivar”, comenta.

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Henrique Galhego
Luana Rodrigues/GES-Especial Head of Global Business da Jorge Bischoff, Henrique Hecht Galhego

De olho nas oportunidades, Galhego reconhece que é preciso investir na diversificação de mercados. “Hoje, a Jorge Bischoff está vendendo em mais de 60 países. A gente sentiu muito com a perda dos pedidos, com a diminuição dos pedidos do mercado americano. Mas o que a gente está fazendo agora é realmente já com um olhar para a Europa. Porque tem mais oportunidades vindo, na minha opinião, mais possibilidades. Então, a gente também fez adaptação de produtos já voltados para o mercado europeu”, comenta.

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Parceiros

Galhego conta que, na manhã do primeiro dia da 101ª Micam Milano, dois clientes dos Estados Unidos estiveram no estande da empresa. “Eles vieram já sabendo da informação, da tarifa temporária. Inclusive, um cliente de Porto Rico (território não incorporado dos EUA), que estava com dificuldade de fechar preços na semana passada, esteve na feira, e nos disse que enviaria pedido, independente se a tarifa não vai mudar na semana que vem. Você produz o sapato e embarca assim que as coisas estiverem já mais encaminhadas. São clientes de longa data. Tenho certeza de que o que nós fizemos por eles, eles também fazem por nós. Não temos clientes oportunistas, temos clientes parceiros”, disse.

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Otimismo

A Azzas 2154 Shoes & Bags (Campo Bom/RS), divisão de calçados e bolsas do conglomerado de moda que detém marcas como Arezzo e Schutz, enxerga com otimismo a mudança das tarifas nos EUA, embora em 2025 a empresa tenha registrado resultados positivos na exportação. “Se realmente se concretizar esta mudança, 2026 promete ser ainda melhor do que o ano passado para a nossa divisão de calçados e bolsas no mercado externo”, afirma a gerente de exportação, Carolina Orsi Marroni.

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Gerente de exportação da Azzas 2154 Shoes & Bags, Carolina Orsi Marroni e a trader de Exportação da Azzas 2154 Shoes & Bags, Mariane Mahmud Hasan
Luana Rodrigues/GES-Especial Gerente de exportação da Azzas 2154 Shoes & Bags, Carolina Orsi Marroni e a trader de Exportação da Azzas 2154 Shoes & Bags, Mariane Mahmud Hasan

Abertura de postos de trabalho

Fernando Hecht Galhego, gerente de exportação da Henrich & Cia (Dois Irmãos/RS), fabricante da marca de calçados Carrano, observa que a possível mudança do “tarifaço”, com sobretaxa de 50%, para uma tarifa de 15% nas exportações para os Estados Unidos, é “muito positiva”. “Os Estados Unidos respondem por 30% da nossa exportação. Então, nós recebemos a notícia com muita alegria e cremos que se ela se efetivar o mais rápido possível, com certeza nós vamos precisar contratar gente na fábrica”, afirma. Além disso, ela acrescenta que as questões tarifárias já refletiram na Micam Milano. “Tivemos dois clientes que vieram ao nosso estande, olharam e selecionaram produtos, e só estão esperando efetivamente tudo ficar confirmado para aumentarem os pedidos ou fazer novas encomendas”, pontua. Galhego recorda que, durante o “tarifaço”, a empresa precisou se readequar. “Baixamos a margem (de lucro), corta aqui, corta ali. Foi um momento difícil na fábrica. Tivemos que reduzir pessoas. Sacrificamos totalmente a margem para poder manter alguns negócios, claro que perdemos muitos também”, comenta.

Estande da Carrano na 101ª Micam Milano
Luana Rodrigues/GES-Especial Estande da Carrano na 101ª Micam Milano

Projetos cancelados

Por conta do “tarifaço”, a Savelli Calçados (Franca/SP), fabricante de calçados masculinos e femininos em couro, teve projetos de private label, que estavam prontos, cancelados. “Devido à taxação, o cliente levou a produção para o Vietnã. Isso, de fato, nos afetou bastante”, aponta a gerente de exportação, Bruna Pini. Ela conta que diante das questões tarifárias nos EUA, a empresa precisou se adaptar. “Tivemos que nos adequar, adequar em questão de funcionários, de estrutura, tudo”, frisa. Bruna considera que a revisão e a possível redução da tarifa trazem uma nova perspectiva. “A possível redução da tarifa é muito positiva. Se de fato isso ocorrer, os projetos de private label com clientes internacionais serão retomados”, destaca.

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Ao longo dos seis meses de “tarifaço”, Bruna comenta que a Savelli “não vendeu mais um par” para o mercado americano durante o período. “Os volumes baixaram, alguns clientes que tínhamos lá, não vendemos mais um par desde então”, aponta. Caso a redução tarifária não aconteça, a gerente de exportação considera que a calçadista tenha que fazer novas readaptações em sua estrutura. “Teremos que readaptar a fábrica para uma quantidade produtiva menor, que hoje gira em torno de 750 pares por dia de calçados masculinos e femininos em couro”, explica.

Gerente de exportação da Savelli Calçados, Bruna Pini
Luana Rodrigues/GES-Especial Gerente de exportação da Savelli Calçados, Bruna Pini

Bruna considera que uma tarifa temporária global de 15% seja positiva para empresa calçadista de Franca. “Estamos esperançosos de que se a tarifa for mundial, a gente volta para o jogo. Isso que é importante. A gente está jogando como qualquer outro player, com a mesma tarifa. O que é importante, não ter essa diferenciação de tarifas”, conclui.

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A cobertura multimídia do Exclusivo na 101ª Micam Milano tem o patrocínio de Azzas 2154 Shoes & Bags, BFSHOW, Kisafix e Usaflex.

(*) Colaborou Michel Pozzebon.

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