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A economia brasileira com o freio de mão puxado

PIB brasileiro tem o consumo das famílias como uma de suas forças motrizes

A economia brasileira com o freio de mão puxado

O Brasil vive atualmente um paradoxo incômodo. De um lado, indicadores como nível de empregabilidade, rendimento médio dos trabalhadores e massa salarial em suas máximas históricas; do outro, uma taxa de crescimento modesta e uma sensação coletiva de letargia econômica.

PIB brasileiro tem o consumo das famílias como uma de suas forças motrizes
Arquivo/GES Encarecimento do crédito para famílias já é latente

O fato é que a taxa Selic está hoje em patamares que não se via há vinte anos. E diante de um cenário de taxas de juros reais (taxa de juros descontada a inflação) acima dos 10%, o encarecimento do crédito para famílias já é latente, e tem se refletido em uma inadimplência que atinge 6,9% dos consumidores.

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Mas a taxa Selic alta não é a única vilã dessa história. Ela caminha de mãos dadas com um componente psicológico crucial: a confiança dos agentes econômicos (que hoje é mensurada por uma série de índices calculados pelo Instituto Brasileiro de Economia da FGV/RJ).

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E por que a confiança de consumidores e empresários importa tanto? Porque a economia se move por promessas de futuro.

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Se boa parte das pessoas se convence de que as coisas não vão bem, e que o futuro será pouco auspicioso (tendo ou não estas expectativas corolário com a realidade), esse sentimento coletivo de desconfiança faz surgir o temor da perda de renda e do emprego, com a consequente postergação do consumo, levando o empresariado, por conseguinte, a também não ter estímulos a investir na ampliação da capacidade produtiva de seu negócio.

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E é aí que se encontra o problema. A atual monopolização das disputas político-partidárias, a chamada polarização, têm produzido uma situação curiosa, pois independentemente de quem resulta vitorioso nas urnas, 50% da população sempre fica insatisfeita com o resultado e receosa com os rumos da economia.

Ora, tamanha desconfiança, aliada a mais alta taxa real de juros dos últimos 20 anos, tem levado a economia brasileira a caminhar como se estivesse com o freio de mão puxado, mesmo apresentando, neste momento, os melhores níveis de emprego e renda de sua história.

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E é diante desta constatação que duas questões passam a ser relevantes: i) a superação da atual polarização, permitindo que a monopolização das disputas político-partidárias seja sobrepujada e; ii) a condução de uma política monetária que permita a redução da nossa taxa básica de juros (Selic).

Infelizmente, ambas parecem estar distantes de nossa realidade neste momento. Isso fica evidenciado, no primeiro caso, pelos resultados das atuais pesquisas eleitorais e, no segundo caso, pela explosão do preço do barril de petróleo (devido ao conflito no oriente médio) que tende a postergar a tão aguardada queda nas taxas de juros.

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O certo é que sem a reversão do nível de desconfiança dos agentes econômicos e a queda das taxas de juros, os efeitos deletérios de uma economia que parece andar com o freio de mão puxado continuarão a ser sentidos.

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