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Industrialização de couros no RS: exemplo de sustentabilidade

Sérgio Bolzan Panerai – presidente do Conselho Diretor da AICSul

Industrialização de couros no RS: exemplo de sustentabilidade

* Texto: Sérgio Bolzan Panerai – presidente do Conselho Diretor da AICSul

O Rio Grande do Sul desempenha um papel significativo na indústria do couro do Brasil. É uma longa história. Desde os tempos das missões jesuíticas, no século XVII, o couro já era utilizado na confecção de utensílios, vestimentas e arreios. No século XIX, a chegada de imigrantes europeus, especialmente alemães e italianos, impulsionou o setor, aproveitando a abundância de matéria-prima e a demanda da florescente indústria calçadista, cujo desenvolvimento com player mundial teve o couro gaúcho como importante suporte.

Com o avanço da tecnologia, o Rio Grande do Sul se consolidou como o principal centro de produção de couro do Brasil, com destaque para produtos de maior valor agregado, atendendo a demanda interna e conquistando espaços relevantes em todos os continentes.

Este produto, no qual o Rio Grande do Sul, tanto se destaca, é um excelente exemplo de sustentabilidade. O couro é provavelmente o produto sustentável mais antigo do mundo. Trata-se de um subproduto da indústria da carne, ou seja, aproveita peles que, de outra forma, seriam descartadas como resíduo.

Quando produzido de forma responsável, como fazemos no Rio Grande do Sul, o couro é uma escolha sustentável, pois evita o desperdício e tem alta durabilidade em seu uso. A durabilidade do couro é uma das principais razões para sua valorização. Um produto de couro pode durar décadas, desde que seja bem cuidado. O couro é um material forte e flexível, resistindo ao desgaste do tempo e ao uso contínuo. Tem alta resistência à tração, ou seja, não rasga facilmente. Além disso, sua biodegradabilidade e os avanços na produção ecológica tornam o couro uma opção muito amigável ao meio ambiente.

Então, é importante que os consumidores saibam exatamente o que estão comprando e entendam o quanto o couro é sustentável e amigo do meio ambiente. Lamentavelmente, muitas vezes, a desinformação leva a escolhas que parecem sustentáveis, mas não são. Mas vemos que pouco a pouco os consumidores tomam consciência disto, o que nos traz um potencial imenso de crescimento para a utilização do couro.

A indústria coureira gaúcha se destaca pelo avanço tecnológico, atualização em design, agregação de valor aos seus produtos, o que a faz com que seja competitiva no mercado automobilístico, moveleiro, artefatos e calçados de alta moda. Resultado disto, os gaúchos têm liderado as exportações brasileiras de couro. Segundo dados divulgados pela Secex, analisados pelo CICB, em janeiro, o Rio Grande do Sul se mostra em primeiro lugar nas exportações de couro, com 26,2% de participação em valor e 23,0% em área.

E isto nos traz muito orgulho, porque, além de atender a estes mercados exigentes, o setor está evoluindo cada vez mais na redução de resíduos, aproveitando melhor a matéria-prima e diminuindo os custos financeiros e ambientais com o que era descartado e agora se transforma em produtos muito úteis.

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Sérgio Bolzan Panerai – presidente do Conselho Diretor da AICSul
Foto: Divulgação Sérgio Bolzan Panerai – presidente do Conselho Diretor da AICSul

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