Negócios
Indústria calçadista brasileira perde quase 2 mil empregos em um mês
Com a perda de quase 2 mil empregos em um mês, indústria calçadista brasileira teve seu pior mês de outubro em uma década.
Última atualização: 04/12/2025 10:50
No período de um mês, a indústria calçadista brasileira acumula a perda de quase 2 mil empregos segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Dados elaborados pela entidade de classe, com base nos números divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, apontam que o setor perdeu 1,65 mil postos de trabalho em outubro, o pior resultado para esse mês em uma década. Com o resultado, o estoque total de emprego fechou o mês dez em 294,22 mil empregos diretos na atividade, retração de 0,6% em comparação ao mesmo período do ano passado. Pela primeira vez em 2025, o estoque total de emprego situa-se abaixo do patamar do ano anterior, revertendo um cenário de crescimento.
O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que o dado eleva a preocupação quanto aos efeitos da política tarifária dos Estados Unidos, uma vez que a tarifa adicional de 50% segue vigente sobre os calçados brasileiros embarcados ao destino. “Entre os estados que mais perderam postos de trabalho estão o Rio Grande do Sul e São Paulo, os dois principais exportadores de calçados para os Estados Unidos, de onde originam-se cerca de 80% dos envios àquele país”, conta.
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De acordo com o dirigente, a manutenção da tarifa adicional de 50% nos Estados Unidos ao final deste ano "já compromete os embarques" da próxima temporada. "Não ocorrendo a retirada do calçado da lista de produtos sobretaxados pelos Estados Unidos ainda em 2025, a Abicalçados estima um risco de perda de 8 mil postos de trabalho diretos na indústria calçadista em 2026”, alerta Ferreira, que está em constante interlocução com o governo federal enfatizando a necessidade de célere conclusão das negociações bilaterais.
Estados mais impactados
O estado que mais emprega no setor calçadista brasileiro é o Rio Grande do Sul, que perdeu 910 postos de trabalho somente em outubro. Dois terços das perdas estão concentradas nos polos do Vale do Rio dos Sinos e do Vale do Paranhana-Encosta da Serra, principais localidades empregadoras do setor no estado. Nos últimos três meses, período de vigência da medida tarifária dos Estados Unidos, o estado perdeu 1,83 mil postos, encerrando outubro com estoque de 80,63 mil empregos diretos na atividade, patamar 4,8% inferior ao mesmo período do ano passado.
São Paulo fechou 152 postos de trabalho no mês de outubro, quase 80% destes localizados no polo de Franca, onde o setor é o principal segmento empregador e tem nos Estados Unidos seu principal destino. O estado encerrou outubro com estoque de 33,53 mil empregos diretos na indústria calçadista, patamar 1,6% inferior ao mesmo período de 2024.
(*) Com informações da Abicalçados.
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