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Exportações de couro do Brasil têm queda no primeiro trimestre de 2026

Trabalhadores de uma indústria do couro

Exportações de couro do Brasil têm queda no primeiro trimestre de 2026

O Brasil exportou 46,3 milhões de metros quadrados e 170 mil toneladas de couros e peles no primeiro trimestre de 2026, que geraram US$ 267 milhões. O resultado corresponde a quedas de 6,9% em área, de 2% em peso e de 10,6% em valor na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e foram analisados pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB).

Trabalhadores de uma indústria do couro
Arquivo/GES Setor coureiro exportou 46,3 milhões de metros quadrados e 170 mil toneladas nos três primeiros meses de 2026

Os três primeiros meses do ano, segundo o CICB, mostram um cenário de vários obstáculos para as exportações brasileiras de couros e para o mercado mundial como um todo. “Vivemos atualmente a consolidação de questões iniciadas em 2025, como barreiras ao comércio internacional, sendo uma das mais importantes o chamado ‘tarifaço de Trump’, que impôs tarifas adicionais às exportações do Brasil para os Estados Unidos. Mesmo que a sobretaxa não exista mais no mesmo modelo de 2025, seus reflexos são vistos com clareza agora, e a retomada dos negócios não se dá de forma repentina”, avalia o gestor de Inteligência Comercial do CICB, Rogério Cunha.

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Em 2026, até o mês de março, os norte-americanos têm queda de 25,2% nas importações de couros do Brasil sobre os três primeiros meses de 2025, quando a tarifação não estava vigente. A Itália se aproxima dos Estados Unidos no ranking de maiores compradores de couro brasileiro: no primeiro trimestre, os italianos importaram US$ 27,4 milhões, e norte-americanos US$ 28,9 milhões.

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Novo cenário

Ainda de acordo com o gestor de Inteligência Comercial do CICB, em adição ao assentamento de um novo cenário com os Estados Unidos, os últimos meses tiveram no panorama geopolítico internacional novas incertezas relevantes para o comércio global. “Naturalmente, houve reflexos diretos sobre cadeias produtivas, custos logísticos e decisões das indústrias mundiais, incluindo a do couro”, aponta. Ele sustenta ainda que a “pressão sobre os preços internacionais do setor vem ocorrendo nos últimos anos e que “vê essa tendência com clareza no balanço das exportações, uma vez que os valores têm quedas superiores à área e volume”.

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Aumento de riscos e custos

Cunha observa que a guerra entre Rússia e Ucrânia “segue sem solução, mantendo pressão sobre energia, fertilizantes e fluxos” no Leste Europeu, e “isso traz um impacto importante em toda a União Europeia, que responde por mais de 20% de participações nas nossas exportações”. Ao mesmo tempo, ele cita que as tensões no Oriente Médio, especialmente no conflito entre EUA/Israel e Irã “ampliaram o risco na região (Oriente Médio) e impactaram rotas de logística, como o Mar Vermelho, que é essencial para o comércio entre Ásia e Europa” e que as “dificuldades nas embarcações elevaram custos de frete, seguros e prazos, gerando um efeito cascata”.

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