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Dia do Sapateiro: marcas apontam os desafios e as novas estratégias do setor

Fábrica de calçados

Dia do Sapateiro: marcas apontam os desafios e as novas estratégias do setor

O dia 25 de outubro celebra uma das figuras mais importantes da indústria calçadista: o sapateiro. O ofício da profissão, que surgiu com os imigrantes alemães chegados ao Vale do Sinos em 1824, transformou-se ao longo dos anos. Hoje, a atividade do sapateiro combina as habilidades artesanais, as novas tecnologias e práticas aos desafios da indústria.

Adaptação de cenário

De janeiro a setembro de 2025, as exportações de calçados geraram US$ 736,4 milhões com 76,7 milhões de pares, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Esse resultado trouxe incrementos de 7,1% em volume e estabilidade em receita comparadas ao mesmo período de 2024.

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Ainda que os números possam ser vistos como positivos, a indústria calçadista reavaliou as projeções de crescimento, apresentando novos dados na Análise de Cenários. O crescimento da produção previsto para 2025, que era de 1,4% e 2,2% no início do ano, agora se mantém na faixa de -1,1% a +1,4%. Parte desse obstáculo se concentra no impacto do tarifaço promovido pelos Estados Unidos. Outro grande desafio é a forte concorrência das importações, especialmente vindas de países asiáticos como a China, Vietnã e Indonésia a preços mais acessíveis. Somente em setembro, quase 70% das exportações de pares da China foram destinadas ao Brasil.

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Além desses fatores, há outros que impactam diretamente a cadeia calçadista brasileira, como a dificuldade para estimular o interesse em gerações mais novas e buscar o equilíbrio entre competitividade e sustentabilidade. Confira o que apontam algumas marcas.

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Fábrica de calçados
Luana Rodrigues/GES-Especial Setor calçadista é destaque na economia do Brasil

Competitividade e sustentabilidade

Em Campo Bom/RS, o Azzas 2154 também aposta em um novo modelo de produção e gestão. Conforme o CEO da unidade de negócios Shoes and Bags do Azzas 2154, Rafael Sachete, o desafio está em equilibrar competitividade e sustentabilidade, sem abrir mão da essência artesanal do setor. “Vivemos uma transformação profunda. Temos avançado em rastreabilidade, circularidade e design de baixo impacto nos nossos calçados, transformando a forma de produzir e gerar valor, pois entendemos que esses caminhos se complementam. Acreditamos que o futuro da moda será construído com tecnologia, responsabilidade e visão de longo prazo, e é justamente nessa combinação que o calçado brasileiro mostra sua força e seu protagonismo”, afirma.

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Queda de natalidade e concorrência externa

Na Klin (Birigui/SP), o foco tem sido equilibrar modernização industrial e valorização da mão de obra. “Atrair e reter a força de trabalho é um desafio desde agora, e ainda mais, para o futuro. É importante ter um misto de equipamentos tecnologicamente atualizados, de vanguarda, e trazer um componente para o trabalho um pouco mais sofisticado”, explica o Gestor Industrial da marca, Cléuvis Comparoni.

No caso do calçado infantil, há ainda outra questão preocupante: a queda na taxa de natalidade. “As famílias estão diminuindo de tamanho, tornando o mercado muito mais concorrido por conta de uma pirâmide etária menor na base, com menos crianças nascendo. Outro desafio é a concorrência externa com países que têm a mão de obra farta e salários que não são tão altos.”

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Cultura humanizada e inovação

Em Birigui (SP), polo conhecido pelo segmento infantil, a Pampili tem apostado em uma cultura humanizada e na capacitação profissional. Segundo a Head de Gente e Cultura da empresa, Roberta Morais, o maior desafio está em atrair e reter talentos em meio à convivência de diferentes gerações e ao ritmo acelerado da inovação.

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“Estamos falando de uma empresa que busca constantemente a inovação, mas precisa conservar a sua essência, falo de uma gestão voltada para a sustentabilidade, uma cultura de aprendizado. Estamos investindo muito na capacitação, no desenvolvimento das nossas lideranças para mantermos ambientes saudáveis, criativos e engajadores, que façam com que as pessoas queiram ficar”, destaca.

O setor calçadista em 2025

Fábricas:
Brasil: 5,3 mil
RS: 1,8 mil

Empregos:
Brasil: 295 mil diretos
RS: 82 mil diretos

Produção:
Brasil: 929,5 milhões de pares
RS: 203 milhões de pares

Exportação:
Brasil: 97,4 milhões de pares
RS: 32,3 milhões de pares

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Estima-se que no território nacional as projeções devem ser de -1,1% a +1,4% (mediana de +0,2%)
Fonte: Abicalçados (dados referentes a 2024)

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