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Première Vision aponta caminhos para o couro na primavera/verão 2027

Divine Creature

Première Vision aponta caminhos para o couro na primavera/verão 2027

A Première Vision, realizada em Paris, trouxe um mapeamento claro das direções estéticas para o couro na primavera/verão 2027. Quatro movimentos distintos se consolidam como respostas a diferentes perfis de consumo e posicionamento de marca, cada um com linguagem material própria e aplicações específicas para calçados, acessórios e artigos de couro. Essas informações foram apuradas pela especialista em negócios de moda e fundadora da plataforma de tendências New & Now, Symone Rech, que participou da feira neste mês, na capital francesa. 

“O que vimos não foi uma única tendência dominante, mas quatro narrativas bem definidas. Cada uma traduz um tipo de desejo do consumidor e exige do couro acabamentos, cores e tratamentos completamente diferentes. Para a indústria, isso significa clareza de posicionamento e domínio técnico sobre processos específicos”, explica Symone Rech

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Otimismo disruptivo em volumes ampliados

O primeiro movimento identificado é o Disruptive Optimism, que assume a expressão visual intensa como afirmação. O couro se afasta da neutralidade e surge como superfície viva, responsiva à luz e ao movimento, com presença visual marcante que vai além da função estrutural.

“Há volumes exagerados, peles amplas em escala XXL, com dobras largas e superfícies contínuas. O natural não é delicado, é ampliado de forma quase monumental. A matéria é apresentada como paisagem ou topografia”, descreve Symone.

Os acabamentos metálicos suaves, iridescentes, perolados e laminados acetinados predominam, com brilho difuso e sofisticado. Aparecem também gravações oversized de croco e répteis ampliados, relevos profundos e desenhos orgânicos em macroescala. A cartela trabalha tons saturados e luminosos como rosados metálicos, verdes vibrantes, dourados claros e nuances minerais energizadas pela luz.

Para a especialista, esse movimento traduz um consumidor que usa a cor e o volume como posicionamento ativo. “Não é escapismo, é afirmação. A escolha pelo brilho e pelo excesso controlado comunica vitalidade e criatividade de forma direta”, avalia.

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Disruptive Optimism
Divulgação
Disruptive Optimism
Divulgação
Disruptive Optimism
Divulgação

Superfícies que dialogam com o corpo

Já o Divine Creature reflete um consumidor atraído por narrativas de transformação e singularidade, interessado em materiais que evocam o corpo e o instinto reinterpretados com sofisticação técnica. “O couro surge como extensão da pele e, ao mesmo tempo, como matéria construída. Ele é moldado, tensionado e transformado para criar superfícies que lembram anatomias, carapaças, escamas e volumes orgânicos. Há forte leitura escultórica”, explica a especialista.

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Os acabamentos de alto brilho vitrificado, efeito molhado, vernizes profundos e superfícies resinadas criam continuidade e polimento extremo. Gravações precisas simulam grãos de pele e texturas epidérmicas, reforçando a ideia de pele artificializada.

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As cores se concentram em tons de pele ampliados como nude rosado, bege quente, off-white, marfim e variações caramelo, além de contrastes pontuais com preto profundo e reflexos metálicos sutis. “As cores reforçam proximidade com o corpo, mas com tratamento quase mineral ou cerâmico. É uma estética híbrida, entre o orgânico, o artificial e o quase mitológico”, descreve Symone.

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Funcionalidade como declaração de valores na Première Vision

O terceiro movimento é o Functional Statement, que traduz pragmatismo consciente e durabilidade como forma de posicionamento. A funcionalidade deixa de ser apenas estética utilitária e passa a representar responsabilidade e longevidade.

O couro assume papel estrutural e confiável, com corpo, resistência e leitura honesta de superfície. “Não há tentativa de disfarce ou ornamentação excessiva. O material se mostra direto, pensado para proteger, sustentar e durar, reforçando sua vocação funcional”, destaca Symone.

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Predominam acabamentos foscos, encerados leves, semi-anilinas e superfícies naturais com grão visível e toque seco. “Tratamentos repelentes e processos de baixo impacto químico que preservam a integridade do couro ganham destaque. A paleta se concentra em tons terrosos e naturais como bege, areia, caramelo, marrom, verde musgo, argila e nuances mineralizadas.”, avalia a especialista.

Retorno do ornamento como linguagem

O couro surge como base escultórica para intervenção ornamental, sendo recortado, vazado, moldado, dobrado e tensionado para criar volumes, relevos e efeitos tridimensionais. “A matéria-prima deixa de ser plana e passa a atuar como suporte para texturas construídas, com forte leitura manual e artesanal. O ornamento não é excesso gratuito, é demonstração de tempo, técnica e intenção”, afirma Symone.

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Os acabamentos naturais, foscos e semi-foscos valorizam a leitura do grão e permitem construção de relevo. Técnicas de gravação profunda, perfuração, embossing orgânico e sobreposição de camadas aparecem com destaque. A paleta, contida e sensorial, se concentra em off-whites, marfins, beges quentes, tons de areia, calcário e nuances concha, para que textura e volume sejam protagonistas.

New & Now

A New & Now mantém cool hunters em capitais da moda como Paris, Londres e Milão, traduzindo tendências internacionais para o mercado brasileiro. A plataforma, criada em 2021, oferece análises detalhadas de feiras e desfiles, com mais de 23 mil imagens de varejo atualizadas semanalmente.  No fim de 2025, a plataforma lançou a SY.A, primeira Inteligência Artificial criativa integrada a uma plataforma de pesquisa de moda.

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