Moody’s piora perspectiva sobre o Brasil
No último dia 30/05, a agência americana de classificação de risco Moody’s revisou para baixo a perspectiva sobre a nota de crédito do Brasil (de positiva para estável), depois de ter elevado em outubro a nota para Ba1 (um nível abaixo do chamado grau de investimento).
Com o rebaixamento da perspectiva, a agência indica agora que a nota de crédito não voltará a ser elevada tão cedo e que o Brasil seguirá classificado na categoria grau especulativo, ou seja, seguirá ainda considerado um destino arriscado para investimentos estrangeiros.
Para o leitor menos familiarizado, vale explicar que agências como a Moody’s são instituições especializadas em avaliar a capacidade que um país tem de honrar com suas dívidas, indicando, através de notas, o quão seguro é para um investidor colocar dinheiro neles.
As justificativas da Moody’s para a piora na perspectiva sobre o Brasil foram as seguintes: i) o avanço mais lento que o esperado na redução da rigidez dos gastos públicos; ii) a capacidade limitada do governo de reduzir significativamente a vulnerabilidade fiscal e estabilizar a dívida no curto prazo; iii) a própria estrutura da dívida pública que segue ainda muito suscetível às oscilações da taxa básica de juros.
Para a agência esses desafios limitam o potencial de crescimento brasileiro, bem como também o avanço de reformas estruturantes.
Todavia, a manutenção da nota em si é um alento e, segundo a agência, ela foi mantida devido ao maior ritmo de crescimento econômico, bem como a menor vulnerabilidade externa do país.
Não obstante, vale ressaltar que a manutenção da nota ainda nos deixa a um degrau do chamado selo de bom pagador (grau de investimento) e que as outras duas importantes agências de classificação de risco (Fitch e Standard & Poor’s) não alteraram a sua percepção sobre o Brasil, mantendo a nota de crédito também em grau especulativo.
Segundo a Moody’s, a nota de crédito brasileira poderá ser elevada caso exista um amplo acordo entre os formuladores da política econômica e o congresso nacional para que seja possível avançar em reformas profundas que controlem os gastos públicos.
Como exemplo dessas reformas, a agência cita medidas como i) a flexibilização do orçamento com a desvinculação das receitas da União; ii) a desindexação de benefícios sociais ao salário mínimo e iii) a reformulação dos benefícios pagos pela Previdência Social.
Tais medidas, somadas ao compromisso do Governo de cumprir as metas de superávit primário previstas pela nova âncora fiscal, criariam, segundo a Moody’s, espaço fiscal e melhorariam o perfil de crédito do país, permitindo reconquistar em um futuro próximo o selo de bom pagador perdido em 2015, ainda no Governo Dilma Rousseff.
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