Brasil cresce 2,3% em 2025, mas sinaliza perda de fôlego econômico
No dia 3 de março, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados consolidados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2025.

De acordo com o IBGE, o PIB encerrou o ano totalizando R$ 12,7 trilhões, com expansão de 2,3%, abaixo dos 3,4% de crescimento apresentado em 2024. Já o PIB per capita chegou a R$ 59.687,49, com avanço real de 1,9% frente ao ano anterior.
Ao analisarmos os números pela ótica da oferta, percebemos que o PIB foi puxado pelo setor agropecuário que apresentou forte crescimento de 11,7%. Várias culturas registraram aumento de produção em 2025, com destaque para o milho (23,6%) e a soja (14,6%) que alcançaram produções recordes na série histórica.
O setor industrial também apresentou crescimento, porém bem mais modesto, com expansão de apenas 1,4%. O maior destaque veio da indústria extrativa (8,6%), devido ao crescimento da exploração de petróleo e gás. O lado negativo ficou por conta da indústria de transformação que apresentou queda de 0,2%, puxado pela recuo na produção de metais e bebidas.
Já o setor de serviços (que representa mais de 60% do PIB) registrou crescimento de 1,8% em 2025, tendo sido impulsionado pela expansão da área de serviços de informação e comunicação (6,6%), atividades financeiras e seguros (2,9%), e de outras atividades de serviços (tais como serviços de cabelereiros, manicures, personal trainer) que cresceu 2,0% no ano que passou.
PIB pela ótica da demanda
Quando analisamos o PIB pela ótica da demanda, todos os componentes apresentaram crescimento em 2025, com destaque para a chamada formação bruta de capital fixo (o volume de investimentos da economia) que cresceu 2,9% no ano, impulsionado pela construção e pelo desenvolvimento de softwares.
O consumo do governo avançou 2,1%, e o consumo das famílias, principal força motriz da economia, cresceu 1,3% em relação ao ano anterior, devido à melhora no mercado de trabalho, ao aumento do crédito e aos programas governamentais de transferência de renda.
Já no que tange ao comércio exterior, as importações de bens e serviços cresceram 4,5% em 2025, enquanto as exportações subiram 6,2%. Os destaques para este forte crescimento das exportações vieram da agropecuária e das vendas de petróleo bruto e de veículos automotores.
Perda de fôlego econômico
Apesar dos resultados apurados pelo IBGE estarem todos no campo positivo, fica evidente a perda de fôlego econômico apresentado pelo Brasil em 2025 frente ao ano anterior.
Os números revelam que a combinação de expectativas não favoráveis de uma parte dos agentes econômicos, somada à manutenção de uma política monetária fortemente restritiva por parte do Banco Central (que mantem a taxa básica de juros no patamar mais alto dos últimos 20 anos), começa a deixar suas marcas no ritmo de crescimento da economia brasileira.
Newsletter: Cadastre seu e-mail para receber as novidades do Exclusivo
Share this content: