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A conta que não para de crescer: dívida pública brasileira aumenta 17%

PIB brasileiro foi puxado pelo setor de serviços

A conta que não para de crescer: dívida pública brasileira aumenta 17%

O Tesouro Nacional divulgou, no dia 26 de junho, o seu mais recente relatório sobre a dívida pública federal com os dados consolidados até o mês de maio de 2026.

PIB brasileiro foi puxado pelo setor de serviços
Arquivo/GES Estoque da dívida pública brasileira totalizou R$ 9,033 trilhões em maio

De acordo com o relatório, o estoque da dívida pública brasileira totalizou, em maio, R$ 9,033 trilhões. Na comparação com o mesmo mês de 2025, a dívida aumentou 17,76%.

Do montante da dívida, 96,23% (R$ 8,692 trilhões) corresponde à dívida interna (a parcela relativa ao total de títulos públicos negociados no Brasil). O restante, R$ 340,5 bilhões (3,77%), refere-se à dívida externa.

Do total da dívida interna (a parcela mais relevante), 21,8% correspondem a títulos prefixados, isto é, aos que têm sua remuneração previamente estabelecida. O restante são papeis indexados, ou seja, são títulos cuja remuneração está atrelada à variação da taxa Selic (50,9%) ou à variação de algum índice de inflação (27,3%).

O prazo médio de vencimento dos títulos emitidos internamente é de cerca de 47,5 meses, ou seja, menos de quatro anos, e o custo médio da dívida está atualmente em torno de 13,1% ao ano.

Todavia, este custo deverá aumentar ao longo dos próximos meses, devido ao atual nível da taxa básica de juros (taxa Selic) que ainda deve permanecer em patamar elevado por mais algum tempo.

Ademais, 79,6% da dívida se encontra sob a posse dos chamados investidores institucionais, isto é, encontra-se nas mãos de bancos, seguradoras, fundos de pensão e fundos de investimento.

Como se vê, os números do Tesouro Nacional revelam um diagnóstico indigesto: o Brasil está refém de uma dívida que joga contra o país. Além de elevada, essa dívida vence rápido demais, custa caro e enriquece pouca gente.

Trata-se de um problema crônico que afeta diretamente o bolso de cada cidadão, embora quase ninguém perceba o tamanho do estrago no dia a dia.

Se esse cenário, por si só, já parece assustador, o verdadeiro ralo do dinheiro público aparece quando olhamos para o que se paga de juros. Apenas ao longo dos últimos 12 meses, o governo federal desembolsou cerca de R$ 1,3 trilhão com pagamento de juros da dívida.

É uma quantia que supera toda a folha de pagamento dos servidores federais. É também várias vezes maior do que tudo o que o país investiu em estradas, portos, hospitais ou em programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, em um ano.

Na prática, isso significa que boa parte dos impostos não volta para o contribuinte. O dinheiro que deveria financiar uma segurança pública eficiente, escolas de qualidade e postos de saúde estruturados vai direto para o bolso de um grupo restrito de rentistas.

O fato é que estamos presos em um círculo vicioso destrutivo, no qual os juros altos aumentam a dívida, e a dívida maior exige juros ainda mais altos para continuar sendo paga. A conta não para de crescer e quem paga somos todos nós.

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