Negócios
Setor coureiro classifica 2025 como ano de "ambiente externo especialmente complexo"
Na avaliação da indústria brasileira do couro, o setor viveu em 2025 um ano de "ambiente externo especialmente complexo".
Última atualização: 06/01/2026 10:50
Em 2025, a indústria brasileira de couros enfrentou, na avaliação do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), principal entidade de classe do setor coureiro no País, “ambiente externo especialmente complexo”. Nos anos anteriores, o segmento já vinha atuando de “maneira consistente” em relação às exigências do Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), que estabelece critérios rigorosos de comprovação de origem legal e rastreável das matérias-primas, assegurando que os produtos não estejam associados ao desmatamento. “No entanto, ao longo de 2025, novo desafio se somou a esse contexto: a aplicação de tarifas adicionais ao couro brasileiro por parte dos Estados Unidos, um dos mercados mais relevantes para o setor”, aponta Rogério Cunha, da área de Inteligência Comercial do CICB.
Conforme o CICB, a medida norte-americana provocou impactos diretos na dinâmica das exportações de couro acabado e semiacabado. “Afetando um parceiro comercial historicamente relevante para o Brasil. E com uma reação em cadeia, posto que a China, principal cliente do couro brasileiro, também teve impactos com a medida”, aponta Cunha.
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Mesmo com a elevação da carga tributária, os EUA foram, em 2025, o segundo maior destino das exportações brasileiras de couro, atrás de China e Hong Kong, reforçando, segundo Cunha, “a importância desse mercado para a cadeia produtiva nacional”. As vendas aos americanos são compostas majoritariamente por couro acabado, que representa mais de 90% do volume exportado.
"Resiliência e adaptação"
Na avaliação do presidente-executivo da Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul (AICSul), Moacir Berger, o ano de 2025 para a indústria coureira gaúcha “foi marcado por desafios relevantes no cenário internacional, mas também por resiliência e capacidade de adaptação”. No período entre os meses de janeiro e novembro do ano passado, a receita das exportações de couro do RS somou US$ 296,1 milhões, resultado próximo ao registrado no mesmo intervalo de 2024, com variação para baixo de 3,3%. “Esse desempenho demonstra a solidez da indústria local, mesmo diante de mudanças importantes nas condições de acesso a alguns mercados”, frisa Berger.
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Diversificação de mercados
Diante das tarifas nos EUA, o setor coureiro gaúcho teve redução nas exportações para aquele mercado, com queda de 17% na receita entre janeiro e novembro de 2025. Como consequência, os americanos, que em 2024 ocupavam a segunda posição entre os principais destinos do couro gaúcho, passaram a figurar em quinto lugar no ano passado, atrás da China, Vietnã, Itália e México.
“Por outro lado, observamos diversificação saudável dos mercados de destino, com desempenho consistente em países que valorizam couro de maior valor agregado, regularidade de fornecimento e elevados padrões técnicos e ambientais”, conclui Berger.
O dirigente da AICSul enfatiza que o Rio Grande do Sul "segue sendo o principal polo produtor de couro do Brasil e referência nacional na agregação de valor ao material" e que isso é "resultado de investimentos contínuos em tecnologia, qualificação industrial e sustentabilidade".
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