Negócios

Indústria calçadista brasileira deixa de criar quase 8 mil empregos no primeiro semestre

Oito mil empregos foi o número de postos de trabalho que a indústria calçadista brasileira deixou de criar nos primeiros seis meses de 2026.

Publicado em: 13/07/2026 17:04
Última atualização: 13/07/2026 17:04

No primeiro semestre de 2026, a indústria de calçados no Brasil deixou de criar quase 8 mil empregos. A informação é do presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira. Segundo ele, a questão está relacionada ao aumento expressivo das importações de calçados no período. Além disso, o dirigente disse que tem alertado o governo federal sobre os riscos da "importação predatória".

Em sete meses, Brasil exportou 56 milhões de pares de calçados

"A indústria brasileira (calçadista) enfrenta simultaneamente um mercado interno pressionado, perda de receita externa e aumento da concorrência importada em detrimento do calçado brasileiro, muitas vezes sob práticas de comércio consideradas desleais pela Organização Mundial de Comércio (OMC)", disse o dirigente em comunicado divulgado pela Abicalçados nesta segunda-feira (13).

Dados elaborados pela entidade de classe, com base nos números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), demonstram o avanço das importações de calçados, em especial provenientes da Ásia. No primeiro semestre, foram importados 25,9 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 307 milhões, incrementos de 15,9% e 13%, respectivamente, ante o mesmo intervalo do ano passado. No recorte de junho, as importações somaram 3 milhões de pares e US$ 48,1 milhões, altas de 1% e 7,6%, respectivamente, no comparativo com o mesmo mês de 2025.

"Pressão importadora segue concentrada na Ásia"

A "pressão importadora", segundo a Abicalçados, segue concentrada na Ásia, que respondeu por 87,2% dos pares importados pelo Brasil no semestre. A principal origem dos calçados importados foi a China, de onde vieram 9,7 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 26,5 milhões, altas de 27,4% em volume e de 13,3% em valores no comparativo com o mesmo período do ano passado. No recorte de junho, as importações chinesas somaram 408,43 mil pares e US$ 4,14 milhões, altas de 2,3% e 22,9%, respectivamente, ante o mesmo intervalo de 2025.

A segunda origem dos calçados importados pelo Brasil no período também é asiática. Entre janeiro e junho, o Vietnã embarcou para o País 6,83 milhões de pares por US$ 150,57 milhões, incrementos de 5,2% e 17,9%, respectivamente, no comparativo com o mesmo período do ano passado. No recorte de junho, as importações do Vietnã somaram 1,23 milhão de pares e US$ 26 milhões, elevações de 4,1% em volume e de 9,8% em receita em relação ao mesmo mês de 2025.

Fechando o ranking dos países que mais exportaram para o Brasil no semestre, mais um país asiático. Na primeira parte do ano, a Indonésia exportou ao País 3,68 milhões de pares por US$ 69,24 milhões, incrementos de 14,2% em volume e de 1,9% em receita na relação com intervalo correspondente do ano passado. Já no recorte de junho, as importações da Indonésia somaram 413,24 mil pares e US$ 7,28 milhões, quedas de 37,4% e 18,8%, respectivamente, no comparativo com o mesmo mês de 2025.

(*) Com informações da Abicalçados.

Newsletter: Cadastre seu e-mail para receber as novidades do Exclusivo

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Categorias Negócios
Matérias Relacionadas