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Exportações de couros têm queda de quase 5% em valor no primeiro semestre de 2026

No primeiro semestre de 2026, os curtumes brasileiros registraram uma queda de quase 5% em valor nas exportações de couros e peles.

Publicado em: 20/07/2026 17:18
Última atualização: 20/07/2026 17:24

As exportações brasileiras de couros e peles no primeiro semestre de 2026 registraram um valor de US$ 544,1 milhões, o que representa 4,9% a menos do que no mesmo período do ano passado. De acordo com o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), ainda que a receita dos embarques tenha apresentado retração em relação aos primeiros seis meses de 2025, o aumento do volume embarcado em peso (+6,1%) e a queda mais contida da área exportada (-2,3%) "indicam que o Brasil preservou sua competitividade e consolidou sua presença nos principais mercados internacionais".

Desde o primeiro "tarifaço" em agosto de 2025, Cortume Krumenauer não conseguiu recuperar negócios com os Estados Unidos

O gestor de Inteligência Comercial do CICB, Rogério Cunha, observa que os números das exportações no primeiro semestre "refletem um momento verificado em toda a indústria mundial de couros: preços em declive, com questões geopolíticas pautando o consumo nos principais mercados, que são Ásia, Estados Unidos e Europa". Porém, ele destaca que o avanço das vendas para destinos como Coreia do Sul, Indonésia, Espanha e Malásia "demonstra oportunidades de diversificação, reduzindo gradualmente a dependência de poucos compradores".

No recorte específico sobre as exportações de couros no mês de junho, o panorama é diferente, com crescimento em valores (+12,1% sobre junho de 2025) e área (+9%). Os meses mais recentes trazem ainda um reflexo do período de tarifas adicionais dos Estados Unidos (vice-líder de mercados compradores do Brasil) que perduraram desde 2025 de forma parcial até recentemente.

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Baixo consumo mundial

Joel Krummenauer, diretor comercial do Cortume Krumenauer S/A (Portão/RS), avalia que o mercado de couro, calçados, estofados e artefatos de couro "continua em um momento de baixo consumo mundialmente, com preços historicamente também bem abaixo dos preços históricos". Além disso, o empresário cita que "a demanda e os investimentos no setor coureiro continuam reprimidos, entende-se pela questão das guerras, questões tarifárias que estão sendo aplicadas pelos Estados Unidos a diversos países, incluindo Brasil, e, também, por uma mudança no consumo mundial depois da pandemia de 2020 (Covid-19)".

Mercado americano

Desde o primeiro "tarifaço" em agosto do ano passado (50%), o Cortume Krumenauer S/A não conseguiu mais restabelecer os negócios que tinha com o mercado dos Estados Unidos, mesmo com a posterior queda das tarifas no começo de 2026. "Nossas exportações de modo geral reduziram 10% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano passado, quando ainda não contávamos com as tarifas", comenta Krummenauer. Segundo ele, com a recente aplicação de novas tarifas, "teremos novamente enormes dificuldades para nos mantermos nos EUA, que representa mais de 50% de nossas exportações".

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