Negócios
Calçadistas participam de audiência pública sobre novas tarifas nos EUA
Representante da Abicalçados participou de audiência pública que discutiu aplicação de novas tarifas nos EUA às exportações brasileiras.
Última atualização: 07/07/2026 15:33
A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), por meio de sua gerente de Relacionamento e Negócios, Letícia Sperb Masselli, participou da audiência do Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) que discutiu a aplicação de novas tarifas às exportações brasileiras. A participação ocorreu na manhã desta terça-feira (7), no escritório do U.S. International Trade Commission (ITC), em Washington, onde os depoimentos foram ouvidos.
Além de Letícia, argumentaram contra a imposição de novas tarifas representantes locais de entidades congêneres do setor, como Matt Priest, da Footwear Distributors & Retailers of America (FDRA); Beth Hughes, da American Apparel & Footwear Association; e Julia K. Hughes, da United States Fashion Industry Association. Também participaram varejistas norte-americanos, representados por Peter Grueterich, do JPT Group LLC Bernardo Footwear; e Lauren Gray, da Dillard’s Inc.
Segundo Letícia, a argumentação da Abicalçados, dos representantes da indústria, do varejo, de importadores e de distribuidores norte-americanos foram muito técnicas, conduzidas de forma clara e organizada. “As explanações das partes locais foram todas favoráveis ao Brasil, apontando, sobretudo, o impacto tarifário no país, que não possui produção significativa de calçados”, explicou.
Na sua argumentação, a gerente ressaltou o fato de que os Estados Unidos têm sido, historicamente, o principal destino das exportações de calçados brasileiros, representando uma parcela significativa das vendas externas do setor. “Este fluxo comercial beneficia não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores dos Estados Unidos, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países, o que torna o Brasil um fornecedor estratégico em um mercado estruturalmente dependente de importações”, disse.
"Papel relevante e complementar na cadeia de suprimentos de calçados dos EUA"
Ainda conforme Letícia, o Brasil desempenha um papel relevante e complementar na cadeia de suprimentos de calçados dos Estados Unidos. “A indústria calçadista brasileira trabalha em cooperação com importadores, marcas e varejistas locais no desenvolvimento de produtos e coleções, especialmente em segmentos que exigem menor escala, maior variedade de modelos, prazos de entrega mais curtos - particularmente devido à maior proximidade logística - e maior capacidade de resposta à demanda. Todos esses são atributos relevantes para o abastecimento eficiente do mercado estadunidense, principalmente para pequenos e médios varejistas”, destacou.
Alternativa à Ásia
Letícia disse, ainda, que o Brasil também representa uma alternativa estratégica com escala produtiva significativa no Hemisfério Ocidental, apoiando os esforços dos Estados Unidos para diversificar o fornecimento e construir uma cadeia de suprimentos mais resiliente e geograficamente mais próxima. Atualmente, o Brasil é o quinto maior produtor de calçados do mundo e o maior produtor fora da Ásia, tendo produzido, em 2025, 847 milhões de pares.
Embora os Estados Unidos importem calçados de várias origens, a gerente ressaltou que a oferta permanece fortemente concentrada na Ásia. Em termos de volume, a China detém a maior fatia, com 48%, seguida pelo Vietnã (28%) e Indonésia (10%).
Impacto local
Uma tarifa adicional sobre os calçados brasileiros reduziria a competitividade de uma fonte de abastecimento ocidental, formal, confiável e complementar. Isso afetaria diretamente importadores, marcas e, especialmente, pequenos e médios varejistas locais, cujos modelos de negócio dependem de pedidos mais fragmentados, maior variedade de produtos e ciclos de produção e entrega mais curtos. Os Estados Unidos consomem mais de 2 bilhões de pares de calçados por ano e produzem aproximadamente 20 milhões de pares, o equivalente a cerca de 1% de todo o seu consumo doméstico. “Por essas razões, uma tarifa adicional sobre os calçados brasileiros não ajudaria a tratar dos atos sob investigação. Pelo contrário, tenderia a aumentar custos, reduzir a diversidade de fornecimento e reforçar a concentração das fontes de abastecimento dos Estados Unidos em origens já dominantes, indo na contramão dos interesses norte-americanos em diversificação, resiliência e segurança da cadeia de suprimentos”, concluiu Letícia.
Conforme dados elaborados pela Abicalçados, no primeiro semestre de 2026, foram exportados para os Estados Unidos 5,6 milhões de pares por US$ 82,25 milhões, quedas de 3,6% em volume e de 23,6% em receita no comparativo com o mesmo intervalo do ano passado.
Entenda
O USTR publicou, no dia 2 de junho, uma recomendação para uma nova tarifa adicional de 25% sobre as exportações brasileiras aos Estados Unidos. Embora a decisão, tomada no âmbito da investigação sob a Seção 301, seja passível de reversão, preocupa a atividade.
A decisão foi submetida a consulta pública até 1º de julho. Nos dias 6 e 7 de julho, foi realizada a audiência pública com as argumentações de autoridades, industriais brasileiras e norte-americanas e representantes dos importadores e varejistas norte-americanos. A USTR tem até o dia 15 de julho para concluir a investigação e publicar a decisão final.
(*) As informações são da Abicalçados.
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