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Uma nova ameaça tarifária
Em contrapartida a práticas "discriminatórias" do Brasil, uma sobretaxa de 25% estará sendo aplicada aos produtos brasileiros pelos EUA.
Última atualização: 03/06/2026 14:52
O anúncio de que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) planeja aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei Americana de Comércio, pegou de surpresa o governo brasileiro e os agentes do setor produtivo.
Segundo a autarquia, a medida é uma contrapartida a supostas práticas "discriminatórias" do Brasil. Entre as acusações estão a suposta proteção ao Pix em detrimento as operadoras de cartões dos EUA; decisões judiciais contrárias e censura sobre redes sociais americanas; desmatamento ilegal; bem como as assimetrias no mercado de etanol.
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O USTR, contudo, prometeu poupar uma lista de produtos brasileiros que ficarão livres dessa sobretaxa. São eles: café, soja, cereais, frutas, sucos, algumas carnes, petróleo, fertilizantes, além de insumos farmacêuticos e as aeronaves da Embraer.
Todavia, o cenário exige cautela para os demais setores, como a cadeia coureiro-calçadista brasileira. O setor possui uma relação histórica e consolidada com o mercado norte-americano, que figura como importante comprador de calçados e artefatos de couro nacionais.
Diante da atual realidade, a aplicação do "tarifaço" anunciado pelo USTR representaria um desafio relevante à competitividade do calçado brasileiro frente aos concorrentes asiáticos.
Se esta nova alíquota de importação for realmente aplicada ao setor, será necessária uma rápida adaptação nas estratégias destas fábricas ao novo cenário, haja vista que calçados e os demais artefatos de couro brasileiros sofrerão um reajuste forçado no preço final ao consumidor dos EUA.
O certo é que este momento exige uma verdadeira corrida técnico-diplomática para reverter ou ao menos suavizar os termos da proposta do escritório comercial americano.
O prazo dado pelo USTR para os setores/governo solicitarem participação nas audiências públicas vai até 22 de junho e o envio de contestações deve ocorrer até 1º de julho. As audiências presenciais estão marcadas para o dia 6 de julho e a aplicação definitiva das tarifas está prevista para o dia 15 de julho de 2026.
Diante deste contexto, o governo federal deve manter canais de comunicação abertos, bem como buscar sensibilizar a gestão de Donald Trump sobre o impacto econômico negativo para os dois países derivados da aplicação desta sobretaxa.
Já para as lideranças do setor coureiro-calçadista, as semanas vindouras devem se constituir em uma janela crucial para demonstrar o valor e a importância de sua cadeia de suprimentos e tentar incluir seus produtos na lista de isenções tarifárias do USTR antes do prazo final de 15 de julho de 2026.
Enquanto isso não acontece, e para mitigar os riscos de ociosidade e o impacto negativo na lucratividade do setor, as empresas brasileiras devem focar na diversificação de mercados internacionais e no fortalecimento do consumo interno, o que, aliás, já vem sendo feito por algumas empresas do setor.
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