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Por que a comida virou tendência na moda e no marketing?

O apelo emocional e visual representa algo maior no marketing: o desejo coletivo por luxos acessíveis e prazeres sensoriais

Publicado em: 01/08/2025 11:19
Última atualização: 01/08/2025 11:35

Você provavelmente viu nos últimos dias o estouro do “morango do amor” nas redes sociais. Uma versão “irmã” da tradicional maçã do amor, virou febre nacional, com filas em confeitarias e uma enxurrada de vídeos mostrando o brilho vermelho espelhado da calda crocante. Mas por que um simples morango caramelizado conquistou tanta atenção? A resposta está no apelo emocional e visual e na forma como ele representa algo maior: o desejo coletivo por luxos acessíveis e prazeres sensoriais.

Assim como o morango do amor, as marcas estão usando comidas, frutas e doces como inspiração para campanhas, produtos e até roupas. Estampas de cerejas, limões e até pratos de espaguete; makes “strawberry girl”; fragrâncias com notas gourmand; embalagens de perfume que lembram potes de sorvete e desfiles com bolsas em formato de vegetais se tornaram comuns no universo da moda e da beleza. Grandes nomes como Jacquemus, Loewe e Fenty Beauty já transformaram alimentos em protagonistas de suas narrativas. Mas essa tendência não é apenas estética, ela reflete o momento socioeconômico e emocional que estamos vivendo.

Joias da Jacquemus em formato de croissant
Collab Kate Spade NY e Heinz

O contexto por trás da tendência

Vivemos em um tempo de ansiedade, sobrecarga de informações e instabilidade econômica. As pessoas buscam pequenas recompensas diárias, os “micro-prazeres" que cabem no bolso e trazem uma sensação instantânea de conforto. Nesse contexto, a comida carrega um poder afetivo imenso. Ela evoca lembranças, desperta os sentidos e oferece uma dose de alegria rápida, mesmo que em pequenas porções.

Essa lógica conecta-se ao que alguns estudiosos chamam de efeito batom 2.0: quando o consumo de grandes luxos diminui, cresce a busca por pequenas indulgências — seja um gloss de morango ou uma sobremesa com estética “instagramável”. As marcas entenderam isso e começaram a criar produtos e campanhas que traduzem esse prazer imediato, misturando hedonismo, cor e nostalgia.

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Um exemplo recente desse movimento é o lançamento do Café da Tiffany em São Paulo. A joalheria, símbolo de luxo absoluto, abriu um espaço onde qualquer consumidor pode vivenciar a aura da marca por meio de algo simples: tomar um café em um ambiente sofisticado, cercado do icônico azul Tiffany. É a mesma lógica do morango do amor mas com outro público e outro valor agregado. Ambos mostram que, hoje, o desejo não está apenas em possuir, mas em viver experiências e pertencer!

Café da Tiffany em São Paulo

O marketing dos sentidos

Por trás dessa tendência está o marketing sensorial. Quando vemos uma campanha com morangos, cerejas ou macarrons coloridos, nossos sentidos são ativados. Através do que vimos, podemos imaginar o cheiro, relembrar o gosto e o prazer da textura. Um conjunto de elementos que nos afeta de forma irracional.

Kate Spade New York costuma usar alimentos na composição das fotos

Lojas de pequeno porte podem surfar nessa onda, tanto de forma física como on-line. As estratégias são adaptáveis para qualquer proporção de negócio e realidade. Você pode começar de forma mais simples, com uma vitrine em tons candy, brindes comestíveis, servir um cafezinho ou criar uma embalagem com texturas... Até produções mais elaboradas como ensaios fotográficos criativos misturando frutas com produtos. Sim eu sei, nada disso é novo, o que muda é o contexto, onde as pessoas estão mais suscetíveis.

A moda e o marketing, cada vez mais, se alimentam (literalmente) de tudo que desperta os sentidos e traz alegria. Comida, frutas e doces são símbolos universais de prazer, e transformá-los em estética é uma forma de falar a língua do consumidor atual: alguém que busca experiências rápidas, afetivas e acessíveis. Acredito que a chave está em criar pequenos momentos de encantamento, como quem oferece um morango do amor em meio ao caos do dia a dia.

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