Dê propósito

18.03.2019

Você já ouviu falar sobre empresas com propósito? O tema é recorrente em eventos que abordam assuntos emergentes da revolução digital. Ainda assim, existe uma conceituação equivocada sobre o termo, que nos leva a entendê-lo ou como visão, ou como responsabilidade social.

Propósito, na verdade, é o motivo. A razão de existir, seja nossa, como pessoa, ou de empresas. Propósito é a resposta ao por quê. E é justamente por ele, que a estratégia das novas organizações deve começar.

Organizações Exponenciais, o livro ícone da geração startup, escrito por Salim Ismail, traz o propósito como ponto central das empresas da nova era. Para ele, é só a partir de um propósito massivo transformador que as organizações conseguem desenvolver estratégias grandiosas e escaláveis exponencialmente. Exemplo disso? Nosso querido Google e seu ambicioso “organizar a informação do mundo”.

Outro autor que aborda a importância do propósito nas organizações se chama Simon Sinek. Ele acessa o tema através de uma metodologia desenvolvida por ele próprio e chamada de Golden Circle (ou o Círculo Dourado). A premissa é simples, ainda que inovadora: Comece com o por quê! Segundo Sinek, as pessoas não compram o que você faz, elas compram o porquê você faz. Dessa forma, as empresas devem primeiro estabelecer o seu porquê, depois trabalhar em como esse porquê é repassado ao cliente, e por fim, o que nasce em termos de produto e/ou serviço através dessa lógica.

Outra referência no tema é Joey Reiman, autor do livro Propósito. Ele utiliza uma metodologia de busca pelo propósito da empresa através do seu histórico, resgatando o contexto e os motivos pelos quais elas foram criadas. Para ele, as empresas deveriam buscar atingir um patamar que ele chama de Empresas Camelot, em que os níveis de excelência se apresentam tanto nas competências organizacionais quanto nas competências emocionais. Essas organizações atuam sobre dois ROIs: o conhecido Retorno Sobre Investimento e o inovador Retorno Sobre Inspiração.

Fato é que, independente da metodologia que se use, propósito já virou ferramenta de gestão. Ele serve de guia para a tomada de decisões e como ativo no desenvolvimento de comunidades em torno da marca. Porque o novo consumidor é assim. Porque é importante darmos sentido. E porque essa transformação nos faz redescobrir conexões fortes e importantes para a construção do futuro.



Roberta Ramos

Roberta Ramos é gestora de Projetos na Abicalçados, jornalista, empreendedora e entusiasta de futurismo. Contato: roberta@abicalcados.com.br.

VEJA TAMBÉM...

O valor do humano

22.02.2019
As habilidades priorizadas por escolas de pensamento linear são precisamente aquelas que os algoritmos são capazes de (re)produzir, de forma muito mais rápida e confiável”. (David Deming) A frase acima é parte de um relatório sobre Futuro do Trabalho lançado recentemente pela WGSN em parceria com o LinkedIn. O texto traz o que está na nossa frente, mas que temos dificuldade de enxergar: as habilidades do século 21 evidenciam o valor das competências humanas. Criatividade, colaboração, empatia, inteligência emocional, capacidade de experimentação, transparência, compartilhamento, espírito empreendedor, comunidade e mindfulness são as dez habilidades tidas como mais importantes para o profissional desse presente que por tantas vezes parece futuro. O problema é que isso não se aprende na...

Hackeando por dentro

03.12.2018
Está na moda ser empreendedor. Se for em uma startup, então, melhor ainda. Falamos do conflito de gerações e de um novo momento, guiado pelo propósito. Discursos inflamados gritam, aos quatro cantos, para que sigamos nossos sonhos, desafiando os padrões estabelecidos. Ressignificamos o viver e, em especial, o conceito de trabalho. Largar tudo para começar de novo já não surpreende. Natural, é mais fácil começar do zero do que transformar o que já existe. O problema é que, nessa onda, as grandes empresas acabam ficando pra trás. Estão ali, em grande parte, apegadas a um modelo de negócio que já não funciona mais tão bem como antes, e abandonadas por aqueles que poderiam inspirar a transformação. Olhamos para grandes empresas com a sensação de que são...

Esse tal de futurismo

13.11.2018
De alguns anos pra cá, entre tantas novas profissões que emergiram no cenário pós-digital, uma vem ganhando, cada vez mais, força e notoriedade: a de futurista. Mas afinal de contas, o que é isso? Futurismo é uma metodologia de exploração de futuros. Um conjunto de técnicas e ferramentas que auxilia indivíduos e organizações a desafiar suas suposições acerca do presente, explorar as mudanças do mundo e extrair insights de sinais do presente que possam indicar transformações. É uma disciplina cada vez mais relevante para a saúde das empresas e da sociedade. Por ser homônima ao movimento artístico italiano de 1924, muitos entusiastas da disciplina preferem chamá-la de Metodologias de Foresight ou Exploração de Futuros. Em um curso recente promovido pela WTF!...

O complexo de vira-lata e o perfil inovador

17.08.2018
A Copa do Mundo, realizada em julho e julho deste ano, me trouxe à lembrança um termo muito utilizado em referência à baixa autoestima do brasileiro: o complexo de vira-lata. A expressão, criada por Nelson Rodrigues após a derrota do Brasil para o Uruguai, em 1950, refere-se a algo muito maior que o futebol, segundo o próprio escritor. “Por complexo de vira-lata entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima.” Isso me fez refletir sobre essa condição em que nos colocamos, tentando reconhecer os motivos e, ao mesmo tempo, procurando entender as oportunidades. Percebi variações desse complexo. Existem os de...

Esqueça o B2C. O momento agora é do H2H

27.06.2018
Uma das grandes transformações da era digital diz respeito a modelo de negócios. Afinal, não dá para achar que toda essa tecnologia e superconexão impactaria apenas de um lado. Muda comportamento, muda hábito, muda o consumo. Muda tudo! E talvez essa seja a parte mais difícil de toda essa transformação. Modelo de negócio não se compra em prateleira. Tem que suar! Para criar um modelo relevante para o momento atual, a primeira coisa que precisamos aceitar é que não existem mais produtos. Isso mesmo! As pessoas não compram mais produtos, elas compram a experiência. E se sua empresa ainda não entendeu isso, meu amigo, temos um problema. Reflita comigo: quantas empresas fazem o mesmo produto que você? Várias, né? Agora me diz, o que você entrega de diferente para os seus consumidores?...

Inovação não-tecnológica

24.04.2018
Quando ouvimos a palavra inovação, de cara pensamos em tecnologia, automação e robozinhos andando de um lado a outro. É natural. Talvez uma das áreas mais desenvolvidas seja justamente essa, a da inovação tecnológica. Mas é importante observarmos que são conceitos distintos. Afinal, não é a toa que órgãos como Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, conselhos de Inovação e Tecnologia, e até mesmo o Portal de Inovação e Tecnologia, trazem essas palavras lado a lado, indicando que cada uma possui uma definição própria. A inovação não necessariamente precisa ser tecnológica. O importante é que ela traga soluções inéditas e que possuam valor de mercado. Ou...

A ascensão dos wearables

26.03.2018
Muito temos ouvido falar sobre Indústria 4.0 e Manufatura Avançada, conceitos modernos de fabricação, criados na Alemanha e nos Estados Unidos, respectivamente. E venho falando nesta coluna sobre a importância de pensarmos a evolução da indústria de forma integrada, que considera não apenas o processo, mas também o produto e novos modelos de negócios. E é para trazer um desses outros aspectos à tona que hoje me propus a falar de wearables. Essa palavrinha de pronúncia difícil, a grosso modo, diz respeito a produtos com tecnologia embarcada. Um exemplo comum são aquelas pulseiras de borracha que medem batimentos cardíacos, contam passos, calculam calorias perdidas e emitem ondas vibratórias na hora de acordar. Pensando a respeito, pergunto: se conseguimos embarcar tecnologia para fazer tudo isso numa tira...

Mais máquinas, novos empregos

01.03.2018
Estamos passando pela Quarta Revolução Industrial e um dos temas que sempre vira pauta de discussão é a automatização da força de trabalho e, consequentemente, a queda no número de empregos. É, certamente, um tema importante e que merece a luz dos holofotes, em especial quando tratamos da indústria calçadista, ainda tão artesanal. Estudos sobre futuro do trabalho divergem, ao mesmo tempo em que se complementam, quando tratam do assunto. Uma pesquisa da McKinsey diz que, para cada vaga perdida, 2,4 novas serão criadas, especialmente em startups. No geral, podemos concluir que, sim, teremos uma perda significativa no que diz respeito a funções exercidas hoje no mercado de trabalho.Entretanto, novas funções aparecerão, demandando outros tipos de talentos ou habilidades. E...

Um futuro para (des)construir

29.01.2018
O despertador toca, mas você já não acorda no susto como acontecia antes. Hoje, com a tecnologia, o aparelho emite sinais, próximo da hora marcada, que te induzem a um sono mais leve. Você levanta. Na cozinha, a cafeteira já preparou seu café e o aroma invade a casa. A torradeira já preparou o pão. Ao pegar a última caixa de leite na geladeira, ela emite um pedido de compra para que o supermercado mais próximo entregue mais cinco, às 18 horas, que é exatamente quando você chega em casa. Seu assistente pessoal repassa os compromissos do dia e, com base neles, você decide o que quer vestir e calçar. Mas ao invés de ir até o armário, você apenas seleciona os arquivos com os modelos escolhidos e os coloca para imprimir. Depois de atender aos compromissos externos, você chega em casa e recebe...

VÍDEO

+ VEJA MAIS

AGENDA

+ VEJA MAIS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Cadastre seu e-mail para receber as novidades do Exclusivo.