A ascenso dos wearables

26.03.2018

Muito temos ouvido falar sobre Indústria 4.0 e Manufatura Avançada, conceitos modernos de fabricação, criados na Alemanha e nos Estados Unidos, respectivamente. E venho falando nesta coluna sobre a importância de pensarmos a evolução da indústria de forma integrada, que considera não apenas o processo, mas também o produto e novos modelos de negócios. E é para trazer um desses outros aspectos à tona que hoje me propus a falar de wearables.

Essa palavrinha de pronúncia difícil, a grosso modo, diz respeito a produtos com tecnologia embarcada. Um exemplo comum são aquelas pulseiras de borracha que medem batimentos cardíacos, contam passos, calculam calorias perdidas e emitem ondas vibratórias na hora de acordar. Pensando a respeito, pergunto: se conseguimos embarcar tecnologia para fazer tudo isso numa tira de borracha, o que poderíamos embarcar em um calçado? O quanto de funções poderíamos inserir nesse produto que cuida de uma parte tão importante do nosso corpo? E, finalmente, será que a função do calçado não sobressairá à questão estética?

Potencial

Eu não tenho as respostas para essas perguntas, mas tenho a convicção de que mudanças estão para acontecer, e que existe um nicho aí com grande potencial de crescimento.
Em uma pesquisa rápida, encontrei alguns exemplos, que em função da aplicação dessa tecnologia, podem ser considerados smart-shoes. São calçados que se auto-modelam ao pé, que esquentam (ou mantêm determinada temperatura), que mudam de cor ou projetam imagens no cabedal como se fosse uma tela, que indicam a direção, que auxiliam deficientes visuais com sensores que vibram quando detectam um obstáculo, calçados que geram energia com os passos do usuário… Enfim, já existe uma pequena variedade de produtos do tipo em desenvolvimento ou já desenvolvidos.

No Brasil, recentemente começamos a brincar com a colocação de luzes de LED controladas por suaves batidas na sola. É um começo, mas não podemos parar por aí. Já algumas empresas de materiais vêm desenvolvendo peças com nanotecnologia para funções diversas. E esses materiais precisam ser incorporados pelos fabricantes brasileiros. Afinal, se existe um produto que entrega uma solução para nossos pés, por que iríamos querer mais do mesmo?

Tem muito espaço para a inovação e acredito que chegou a hora de nos aproveitarmos dessa e de outras oportunidades que o cenário da Era Digital nos revela. Se não nós, certamente alguém irá.

Roberta Ramos

Roberta Ramos gestora de Projetos na Abicalados, jornalista, empreendedora e entusiasta de futurismo. Contato: roberta@abicalcados.com.br.

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