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17/03/2017 - Orlando Assunção Fernandes
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Um novo debate: a reforma da Previdência

O atual governo, desde que assumiu, vem tentando empreender um amplo conjunto de reformas estruturantes com o intuito de passar para a história como um governo reformista, aliás, como foi o primeiro governo militar presidido pelo Marechal Castelo Branco entre 1964-67.

Entre as várias reformas aventadas, estão a reforma fiscal (já aprovada), a reforma trabalhista, a reforma tributária e a reforma previdenciária (que se encontra no Congresso). No caso dessa última, a proposta enviada pelo executivo define um limite mínimo de 65 anos de idade para se pleitear a aposentadoria, a igualdade de tratamento entre homens e mulheres, a necessidade de um tempo mínimo de 25 anos de contribuição e um total de 49 anos para se obter o benefício integral.

Prevê também uma regra de transição para aqueles que estão no sistema, obrigando-os a contribuir o equivalente a 50% a mais do tempo que ainda faltar na data da sanção da reforma. Ainda assim, só farão jus à regra aqueles que, na data de sua aprovação, já tenham completado 45 anos de idade, no caso das mulheres, e 50 anos no caso dos homens

Nesse cenário, dois trabalhadores que contribuem ininterruptamente desde os 16 anos, um com 49 anos de idade e outro com 50 anos completos, terão, no caso do primeiro, de contribuir até os 65 anos (ou seja, mais 16 anos), já o segundo apenas 1 ano e meio.

O fato é que o rigor e a constitucionalidade de tais regras apresentadas pelo executivo têm sido objeto de acalorados debates. O governo defende a proposta utilizando como argumento central o impacto que as aposentadorias trazem às contas públicas, bem como a questão demográfica, chamando a atenção para o envelhecimento gradativo da população brasileira.

 

Regras

Os que se opõem, alegam que os números apresentados pelo governo não são corretos, bem como que as novas regras não levam em consideração as diferenças regionais (expectativas de vida menores), bem como as particularidades da organização do trabalho no Brasil, tais como a elevada rotatividade, a informalidade, o trabalho no campo e a dupla jornada feminina. É fato que os pagamentos dos benefícios representam importante parcela das despesas públicas, bem como que a taxa de natalidade vem caindo e as pessoas vêm vivendo mais no Brasil.

Porém, também é certo que há excessivo rigor na proposta apresentada, em especial, quando se observa as características do mercado de trabalho brasileiro, as desigualdades existentes entre as regiões do país e o tratamento pouco (ou nada) isonômico àqueles que ainda se encontram no mercado de trabalho.

Nessa disputa desigual entre distintas visões de mundo, o que me parece, escrevendo esse artigo no início de março, é que desse debate sairá (para o gáudio de alguns e o desalento de muitos) uma reforma previdenciária muito pouco alterada, em suas linhas gerais, daquela inicialmente enviada ao Congresso pelo executivo. É aguardar para ver.

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13/02/2017 - Orlando Assunção Fernandes
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O que esperar do governo Trump?

Em novembro último, o mundo foi surpreendido pela vitória do candidato do partido republicano, Donald Trump, na eleição presidencial americana.
Sua vitória deve ser encarada como resultado do descontentamento dos eleitores, em especial os da classe média, com os rumos da economia após a crise de 2008, bem como pela insatisfação com a classe política tradicional, o que possibilita que outsiders, isto é, pessoas que não possuem carreira política pregressa, apresentem-se como alternativas ao establishment, com um discurso nacionalista, populista e, por vezes, misógino e xenofóbico.
Porém, o que esperar do governo Trump? O quanto do discurso de campanha poderá ser efetivamente implantado? E na economia, o que podemos projetar? Quais os possíveis reflexos ao Brasil?
Há grande expectativa de que a promessa de campanha de acelerar o crescimento econômico americano, por meio de uma política fiscal expansionista, seja efetivamente cumprida.
Tal política combinaria uma redução de impostos, tanto para as famílias como para as empresas, o que, por si só, poderia resultar, segundo estudo realizado pelo Credit Suisse, em um crescimento econômico de 2%, caso haja uma queda de 10% na alíquota média de impostos.
Ainda pelo lado fiscal, se a proposta de ampliação e revitalização da infraestrutura americana, estimada em 550 bilhões de dólares, for efetivamente concretizada, poderá se converter em estímulo à economia mundial e sustentar um ciclo de expansão de preços de commodities, o que beneficiará o Brasil.
A preocupação, porém, reside no fato de que tal política, com o passar do tempo, venha a deteriorar a saúde das contas públicas e pressionar a inflação, obrigando o FED (o Banco Central americano) a ter que elevar a taxa básica de juros, com possíveis reflexos no fluxo de capitais destinados a mercados emergentes (como o Brasil) e, por conseguinte, em suas taxas de câmbio.
Ademais, outro aspecto crucial a ser destacado, e que poderá trazer consequências à economia brasileira, será a política comercial do novo governo americano.
As promessas de renegociar acordos firmados no âmbito do NAFTA (o bloco de livre comércio formado por EUA, Canadá e México), e de retirar os EUA do Acordo Transpacífico (tratado de livre comércio que congrega países que detém 40% do PIB mundial), podem, eventualmente, favorecer o Brasil, caso alguns dos seus tradicionais fornecedores venham a ser substituídos por pares brasileiros.
Todavia, o mais provável é que tal postura, somada ao discurso de Trump contra as importações de produtos chineses, venha a exacerbar o protecionismo entre os países, com reflexos negativos às exportações brasileiras.
O certo é que para além das dificuldades a serem enfrentadas em âmbito doméstico, o efeito Donald Trump adicionará mais um elemento de incerteza à economia brasileira em 2017.
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09/02/2017 - Orlando Assunção Fernandes
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2017: mais um ano desafiador

O ano de 2016 não deixará saudades. Foram vários os acontecimentos que direta ou indiretamente afligiram a indústria, o comércio e os trabalhadores: impeachment, crise fiscal, inflação acima da meta, queda da renda e do consumo, desemprego em alta, investimentos postergados, e mais um ano de PIB negativo.
A esse quadro ainda podemos associar questões externas relevantes: desaceleração da economia chinesa, Brexit, resultado das eleições americanas, entre outros.
Com exceção de um pequeno grupo que se beneficiou da elevada taxa de juros e da recuperação do preço de alguns papéis negociados na bolsa de valores, a maior parte dos brasileiros tem motivos de sobra para não guardar boas recordações de 2016.
O fato é que muitos trabalhadores se veem hoje sem emprego ou subocupados, auferindo renda menor e sem contar com a rede de proteção que a formalidade proporciona.
Os que conseguiram manter seus empregos, também não escaparam do encolhimento de sua renda real, basta observar o número de categorias profissionais que, em suas respectivas data-base, não conseguiram sequer obter reposição integral da inflação.
Da mesma forma, empresários, sejam da indústria ou do comércio, viram suas vendas minguarem e a rentabilidade de seus negócios cair significativamente nesses últimos 12 meses.
Mas, como diz o velho dito popular, passado é passado e a ele não nos é permitido alterar. Cabe agora olhar para frente e se perguntar: E 2017? Como será? O que a economia nos reserva para o novo ano?
Infelizmente, a partir dos dados até aqui disponíveis, bem como pelas tendências que deles podem ser abstraídas, são exíguas as chances de que venhamos a ter uma rápida e contundente transformação do quadro acima exposto.
Faltam, nesse momento, forças que coloquem a economia no caminho de uma robusta e sustentável recuperação. O consumo está fraco, as exportações em declínio, governos subnacionais em sérias dificuldades financeiras, e o investimento privado em compasso de espera.
As taxas de juros começam a cair, porém de forma mais tímida do que o momento preconiza.
O desemprego continua em elevação, e assim se manterá, ao menos durante o primeiro semestre de 2017.
A atividade econômica deverá flertar, se não com nova queda, com a estagnação.
No cenário internacional, a ascensão de políticos da chamada ultradireita na Europa, e os possíveis reflexos ao Brasil da chegada de Donald Trump à presidência dos EUA, demandarão atenção.
Nesse último caso, a depender da trajetória dos juros americanos e da política comercial do novo governo, poderemos assistir a movimentos mais bruscos e voláteis da taxa de câmbio e a exacerbação das rivalidades nacionais com o crescimento de um maior protecionismo entre os países o que, claro, poderá trazer reflexos às exportações brasileiras.
Em suma, pelo que podemos vislumbrar até aqui, 2017 será mais um ano complexo e desafiador.
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14/11/2016 - Orlando Assunção Fernandes
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Prenúncio de uma lenta recuperação

Uma análise sobre os indicadores de desempenho da indústria, do comércio varejista e dos serviços, nos primeiros meses do ano, realizada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), sugere que o pior momento da crise econômica brasileira foi superado. A indústria começa a ensaiar um processo de recuperação, o comércio varejista flerta com a estabilidade, e o setor de serviços, apesar de ainda registrar números negativos, já apresenta sinais de desaceleração da queda.
A evolução da produção industrial, ao longo dos primeiros sete meses de 2016, acumulou alta de 1,6% quando comparado com o final de 2015. Apesar de tal nível de crescimento ainda estar muito aquém do necessário para compensar as perdas acumuladas ao longo dos últimos anos, é certo que tal resultado se mostra alentador.
No caso do comércio varejista, os números ainda não revelam em si uma retomada da trajetória de crescimento, porém prenunciam que o fundo do poço parece ter sido alcançado. Um exemplo nesse sentido são os segmentos ligados ao comércio de alimentos e bebidas, aqueles com maior peso no setor varejista, que já apresentam indícios de estabilidade, com interrupção na trajetória de queda.
O setor de serviços é, porém, ainda o setor que apresenta taxa acumulada negativa de crescimento ao longo do ano. Contudo, tal queda já é menor do que aquela registrada em igual período do ano anterior, revelando uma trajetória de moderação da crise, rumo a uma lenta reversão.
Um olhar mais detido sobre a tendência apresentada pelos números dos três setores em conjunto, sugere também que o atual retrato econômico brasileiro se assemelha ao descrito na teoria econômica como um ciclo do tipo U, isto é, aquele que, como revelado pelo formato da própria letra, após uma intensa queda do nível de atividade, preserva um período de prostração econômica para só depois experimentar uma retomada econômica mais vigorosa.

Resilientes

O fato é que apesar da indústria revelar sinais embrionários de retomada, o comércio e o setor e serviços, que juntos representam mais de 60% do PIB, mostram-se ainda resilientes, devido tanto aos efeitos deletérios da inflação elevada (e a consequente queda do poder de compra dos trabalhadores), como pelas maiores taxas de desocupação da mão de obra, cuja reversão tenderá, como discutido em nossa última coluna, a ocorrer de forma letárgica.
Ademais, o cenário econômico internacional ainda incerto; a instabilidade política remanescente, mesmo após o processo de impeachment; e a conscientização de certos segmentos da sociedade sobre as dificuldades (maiores do que esperadas inicialmente) em se aprovar com celeridade medidas impopulares de ajuste fiscal; corroboram a tese de que a recuperação econômica se dará de forma mais lenta e desalentadora do que aquela outrora imaginada por alguns e, claro, daquela desejada por todos.
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11/10/2016 - Orlando Assunção Fernandes
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Um novo caminho a percorrer

Em agosto, o IBGE divulgou sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD-Contínua) para o 2º trimestre de 2016, e os dados relativos ao mercado de trabalho não foram nem um pouco alvissareiros. Segundo o levantamento, a taxa de desemprego no Brasil foi estimada em 11,3% ao final de junho (11,6 milhões de pessoas), um aumento de 0,4% na comparação com o 1º trimestre de 2016 (10,9%) e de 3% frente ao 2º trimestre de 2015 (8,3%).
A taxa de desemprego, em termos anualizados, apresentou crescimento em todas as regiões do País. Em um exemplo, na região sudeste, a mais populosa, a taxa subiu de 8,3%, no mesmo período de 2015, para 11,7%, taxa ainda maior que a média nacional. Outro dado revelado pela pesquisa refere-se à quantidade de pessoas sem carteira assinada, que passou de um total de 9,78 para 10,08 milhões, ou seja, um aumento de 300 mil pessoas em apenas três meses. Tal tendência revela um crescimento da informalidade e, por conseguinte, da precarização das relações de trabalho, com um crescente número de trabalhadores privados de direitos e benefícios garantidos pela CLT. 
Essa crescente retirada de trabalhadores do sistema formal penaliza o já deficitário sistema previdenciário, devido à queda na arrecadação, bem como pressiona ainda mais as despesas governamentais, dada a maior demanda por serviços públicos e programas assistenciais, justamente em um momento de premência de ajuste fiscal.
Além disso, o crescimento da informalidade conduz a um processo de depreciação do estoque de mão de obra, haja vista que a permanência por tempo demasiado na informalidade, e as decorrentes dificuldades do trabalhador em se qualificar, podem torná-la uma condição permanente, mesmo diante da retomada do crescimento.
Se considerarmos a elevada taxa de desocupação entre jovens de 18 a 24 anos, (24,5%) o cenário é ainda mais sombrio. Se a recuperação do emprego não ocorrer de forma célere, correremos o risco de perder parte dessa nova geração de trabalhadores, pois com o passar do tempo não serão nem tão jovens para conseguir um primeiro emprego e nem experientes para obter uma colocação equivalente aos seus pares de maior idade e desenvolvimento profissional.
O fato é que, apesar de haver indícios de que o pior da crise já ficou para trás, o desemprego demorará ainda algum tempo para apresentar sinais de reversão de tendência, dado que o crescimento econômico e a elevação do nível de emprego se correlacionam positivamente, porém com alguma defasagem temporal.
Em um primeiro momento a retomada da produção tenderá a ser atendida pela própria capacidade ociosa acumulada durante a crise e pelos trabalhadores que permaneceram no sistema. Somente quando o empresariado tiver absoluta clareza de que a retomada econômica está consolidada é que novas contratações voltarão a ser efetivadas com maior vigor. Até lá, ainda teremos um longo caminho a percorrer.
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29/08/2016 - Orlando Assunção Fernandes
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O Programa Temer

Antecipando-se ao resultado final do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que será votado neste mês de agosto pelo Senado Federal, o governo Temer já vem trabalhando em um programa pós-impeachment.
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Nesse programa, o governo interino define como prioritárias cinco áreas: Economia, Infraestrutura, Social, Política Externa e Gestão Pública.
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As duas primeiras englobam ações em direção à obtenção do ajuste fiscal e à melhoria do ambiente de negócios, através das reformas previdenciária e trabalhista, bem como programas de concessões e privatizações de empresas públicas. As demais áreas compreendem ações como eficiência das políticas de transferência de renda, nova política comercial e um programa de modernização do Estado.
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Espera-se que, com essas medidas, possa ser retomado o caminho do crescimento econômico e do emprego e, mais à frente, possibilite também resgatar o selo de bom pagador (grau de investimento), perdido no ano passado.
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Prioridades
No que concerne às reformas consideradas prioritárias nesse projeto, podemos citar: a fiscal (estabelecendo um teto para os gastos públicos), a previdenciária (criando uma idade mínima para aposentadoria), a trabalhista (regulamentando a terceirização e dando prioridade a acordos coletivos vis-à-vis ao estabelecido pela CLT), a tributária (com uma reforma na legislação do ICMS e do PIS/Cofins) e a política (reformulando normas eleitorais e partidárias).
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É notório que o Brasil precisa ampliar e tornar mais regulares os ganhos de produtividade, pois desempenham papel fundamental no crescimento do País. E é certo que algumas das propostas elencadas acima caminham nessa direção, especialmente aquelas relativas à infraestrutura.
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Todavia, sabemos que, no Brasil, boa parte do crescimento registrado nas últimas décadas esteve fundamentado na acumulação de capital e trabalho, ou seja, os ganhos de produtividade estiveram mais associados a ganhos de escala do que propriamente a ganhos vindos do progresso tecnológico, como ocorre nos países desenvolvidos.
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Força de trabalho
Entretanto, vale notar que, no Brasil de hoje, a população economicamente ativa vem crescendo à taxa equivalente daquela que se torna inapta a exercer uma atividade econômica e que, portanto, a taxa de crescimento da força de trabalho, que por muitos anos contribuiu para o crescimento do produto, agora é neutra.
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Assim, mais do que a mera acumulação de capital e trabalho, a busca por ganhos de produtividade, através de investimentos em pesquisa e inovação, deve ser objetivo permanente.
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Contudo, há dúvidas razoáveis sobre a capacidade de um eventual governo Temer lograr mudanças substanciais nessa área que possam ser capazes de obter incrementos de produtividade. A inexistência de detalhamento de medidas ligadas à área de educação, especificamente em pesquisa e desenvolvimento, não me parece um bom começo.
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02/08/2016 - Orlando Assunção Fernandes
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Brexit e seus desdobramentos

O eleitorado britânico, em plebiscito histórico, decidiu, por 51,9% a 48,1% (cerca de 1,2 milhão de votos de diferença), deixar a União Europeia (UE) após 43 anos de participação. O que estava em jogo era a permanência ou não do Reino Unido (Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales) como membro do mais bem sucedido projeto de integração da história mundial.
As consequências da saída do Reino Unido da UE, o primeiro a retirar-se do bloco desde a sua criação, ainda deverão ser assimiladas, mas é certo que seus desdobramentos se darão tanto no âmbito político quanto no econômico.
A egressão de um país do bloco, por não ter precedente, constitui-se em tema complexo e pode demorar anos para se concretizar. A grande questão é como isso ocorrerá.
A ideia dos defensores do Brexit (resultado da contração das palavras Britain e exit) é agora firmar com a UE um acordo semelhante ao que existe com a Noruega, que não faz parte da União, mas é membro do mercado comum europeu. Entretanto, é pouco provável que os demais países aceitem um acordo altruísta com o Reino Unido para não encorajar sentimentos anticomunitários que culminem na saída de outros membros e, por conseguinte, no esfacelamento do bloco.
A saída da UE deverá trazer reflexos à economia do Reino Unido, haja vista que vários benefícios comerciais do bloco terão de ser revistos. Estima-se que as exportações da UE para o Reino Unido deverão cair e que a libra poderá sofrer desvalorização da ordem de 15% a 20%, conduzindo a inflação à casa dos 5%. Ademais, o Brexit pode custar, segundo o Ministério de Negócios britânico, meio milhão de empregos, e uma queda do PIB da ordem de até 3,6% nos próximos dois anos.
Para o Brasil, que já vive um momento econômico delicado, os desdobramentos da vitória do Brexit devem ser vistos com cautela, pois a saída do Reino Unido do bloco (com 13% da população e 15% do PIB da UE) produzirá incertezas, arrefecendo ainda mais o já débil crescimento econômico mundial.

Acordos
Além disso, acordos comerciais entre a União Europeia e o Mercosul também podem ser engavetados, dado que o resultado dessa votação pode fazer emergir um bloco mais intervencionista e protecionista, pouco disposto a abrir mão de seus subsídios.
Todavia, por termos uma economia relativamente fechada, o impacto por aqui não deverá ser tão drástico, além de poder, até mesmo, revelar aspectos favoráveis.
Há, por exemplo, a expectativa de que uma parcela do capital, hoje investido na Europa, possa se deslocar a mercados emergentes, em especial, para aqueles com grande diferencial de juros, como o Brasil.
Ademais, com todas as incertezas inerentes ao processo, espera-se um recuo na postura do FED (o banco central americano) em elevar novamente, ainda esse ano, a sua taxa básica de juros, o que, no curto prazo, pode também se revelar uma boa notícia para o Brasil.
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28/06/2016 - Orlando Assunção Fernandes
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Primário ou nominal - eis a questão

Muito se tem escrito e falado sobre a necessidade de se empreender um ajuste fiscal de grandes proporções, diante do atual quadro das finanças públicas brasileiras. Nessa direção, recentemente o governo interino anunciou um conjunto de medidas de ajuste, entre elas uma que estabelece um limite máximo para expansão dos gastos públicos primários, atrelado à variação da taxa de inflação do ano anterior.
Todavia, quando se fala de contas públicas, é importante lembrar que o cálculo da relação entre gastos e receitas do governo pode ser obtido através de dois critérios: primário ou nominal. A diferença entre os conceitos reside no fato de que, no primeiro, excluem-se do cômputo os dispêndios com o pagamento de juros, enquanto, no segundo, tais despesas estão abrangidas.
Para ter ideia mais precisa da diferença de cifras entre os dois conceitos, no acumulado dos últimos 12 meses, de acordo com os dados divulgados pelo BC, União, estados e municípios apresentaram, no conceito primário, um resultado negativo de R$ 139 bilhões, enquanto que, pelo conceito nominal, as contas públicas registraram um déficit muito maior, da ordem de R$ 603 bilhões, o que equivale a impressionantes 10% do PIB.
 Infelizmente, as medidas anunciadas pelo atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não atacam diretamente o maior problema das contas públicas brasileiras, qual seja, essa diferença de R$ 464 bilhões que separa os dois resultados e que corresponde ao pagamento de juros incidentes sobre o estoque da dívida pública.
Qualificação
O fato é que, mesmo que se conseguisse lograr um ajuste que zerasse o déficit primário (o que não se prevê que ocorra antes de 2018), mantido o atual patamar de taxa de juros, o déficit nominal em 12 meses ficaria ainda na casa dos 8% do PIB.
É certo que a criação de um limite para a expansão dos gastos públicos é seguramente bem-vindo, e pode trazer algum alívio às chamadas despesas primárias, mas, sozinho, não resolve o problema do déficit nominal das contas públicas.
Nesse contexto, parece-nos que seria mais crível uma proposta de ajuste que se comprometesse com metas para o resultado nominal das contas públicas, e não apenas para o resultado primário, pois além de dar “realismo” ao efetivo resultado fiscal-financeiro do Estado (como, aliás, o fazem EUA e a União Europeia), ao se utilizar como referência o conceito nominal, criar-se-ia também, nas autoridades governamentais, o compromisso de monitorar o comportamento da taxa de juros, evitando que ela atingisse patamares tão elevados.
Ademais, tal medida seria também muito bem recebida pelas agências de classificação de risco, pois permitiria que, através de uma menor percepção de risco, pudéssemos recuperar mais rapidamente o grau de investimento perdido, reduzindo, por conseguinte, o custo de captação de recursos, tanto para empresas, como para o próprio governo.
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06/06/2016 - Orlando Assunção Fernandes
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Economia internacional: debilidades e incertezas

É mister reconhecer que a economia brasileira encontra-se atualmente mergulhada em uma crise de difícil solução, cujas as causas se encontram tanto no âmbito interno como no âmbito externo.
E no que concerne ao cenário internacional, como evidenciado pelo FMI em seu relatório World Economic Outlook de abril, não poderemos, ao menos no curto prazo, ter, no desempenho da economia mundial, a força motriz para sairmos da crise.
No aludido relatório, o FMI reduziu sua previsão para expansão da economia mundial para 3,2% em 2016. Tal revisão se justifica pelo maior pessimismo dos técnicos do FMI, tanto no que se refere ao desempenho das economias avançadas, como das economias em desenvolvimento.
Revisão
A estimativa de crescimento para 2017 também foi revista para baixo, o que, somada às débeis taxas de crescimento registradas em anos anteriores, revela um crescimento do tipo “too slow, too long” (baixo por muito tempo).
A projeção, para 2016, do crescimento do PIB latino-americano também foi reduzida, passando de +0,8%, em outubro, para -0,5% em abril. Essa alteração se justificou, em grande parte, pela própria revisão da previsão de crescimento da economia brasileira para 2016, que passou de uma queda prevista de 1% do PIB para uma contração de 3,8%.
Essa piora no cenário prospectivo do Fundo em relação às suas previsões anteriores, em especial no que se refere às economias emergentes, pode ser explicada, em grande medida, pela desaceleração da economia chinesa e seu impacto tanto na redução do volume de exportações desses países, como também pela piora nos termos de troca. Além disso, a recente turbulência financeira vivida pelo gigante asiático, que, em janeiro, viu seu mercado bursátil abalado com quedas abruptas registradas no preço das ações negociadas nas bolsas de Xangai e de Shenzhen, contribuiu também para justificar o ceticismo das previsões do FMI.
A combinação desses elementos, além de afetar a corrente de comércio, tem trazido também efeitos deletérios sobre o fluxo de capitais, aduzindo que o impacto da desaceleração da segunda maior economia mundial deverá trazer consequências, em especial, aos emergentes cuja a pauta de exportações se concentra mais em produtos primários, bem como aos que têm maior dependência de financiamento externo.
O fato é que o relatório de abril do FMI evidencia que o cenário econômico internacional ainda se mostra envolto de incertezas e marcado por alguma debilidade, e que, portanto, ao se confirmar tal cenário, as condições para a sobrepujação da atual crise brasileira terão que ser obtidas forçosamente no âmbito doméstico, passando necessariamente pela solução da crise política, bem como pela execução de uma política econômica crível que permita a superação do atual quadro de desconfiança de consumidores e de empresários nos rumos da economia brasileira.
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20/05/2016 - Orlando Assunção Fernandes
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Economia internacional: debilidades e incertezas

É mister reconhecer que a economia brasileira encontra-se atualmente mergulhada em uma crise de difícil solução, cujas as causas se encontram tanto no âmbito interno como no âmbito externo.
E no que concerne ao cenário internacional, como evidenciado pelo FMI em seu relatório World Economic Outlook de abril, não poderemos, ao menos no curto prazo, ter, no desempenho da economia mundial, a força motriz para sairmos da crise.
No aludido relatório, o FMI reduziu sua previsão para expansão da economia mundial para 3,2% em 2016. Tal revisão se justifica pelo maior pessimismo dos técnicos do FMI, tanto no que se refere ao desempenho das economias avançadas, como das economias em desenvolvimento.
Revisão
A estimativa de crescimento para 2017 também foi revista para baixo, o que, somada às débeis taxas de crescimento registradas em anos anteriores, revela um crescimento do tipo “too slow, too long” (baixo por muito tempo).
A projeção, para 2016, do crescimento do PIB latino-americano também foi reduzida, passando de +0,8%, em outubro, para -0,5% em abril. Essa alteração se justificou, em grande parte, pela própria revisão da previsão de crescimento da economia brasileira para 2016, que passou de uma queda prevista de 1% do PIB para uma contração de 3,8%.
Essa piora no cenário prospectivo do Fundo em relação às suas previsões anteriores, em especial no que se refere às economias emergentes, pode ser explicada, em grande medida, pela desaceleração da economia chinesa e seu impacto tanto na redução do volume de exportações desses países, como também pela piora nos termos de troca. Além disso, a recente turbulência financeira vivida pelo gigante asiático, que, em janeiro, viu seu mercado bursátil abalado com quedas abruptas registradas no preço das ações negociadas nas bolsas de Xangai e de Shenzhen, contribuiu também para justificar o ceticismo das previsões do FMI.

A combinação desses elementos, além de afetar a corrente de comércio, tem trazido também efeitos deletérios sobre o fluxo de capitais, aduzindo que o impacto da desaceleração da segunda maior economia mundial deverá trazer consequências, em especial, aos emergentes cuja a pauta de exportações se concentra mais em produtos primários, bem como aos que têm maior dependência de financiamento externo.
O fato é que o relatório de abril do FMI evidencia que o cenário econômico internacional ainda se mostra envolto de incertezas e marcado por alguma debilidade, e que, portanto, ao se confirmar tal cenário, as condições para a sobrepujação da atual crise brasileira terão que ser obtidas forçosamente no âmbito doméstico, passando necessariamente pela solução da crise política, bem como pela execução de uma política econômica crível que permita a superação do atual quadro de desconfiança de consumidores e de empresários nos rumos da economia brasileira.