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12/05/2017 - Luis Coelho
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Competitividade: além de tecnologia é preciso bons profissionais

Vou retomar um assunto que considero fundamental, não só para a indústria calçadista, mas para a de artefatos, para os curtumes e para qualquer outra atividade industrial: a qualificação dos técnicos e chefias. Paradoxalmente ao avanço tecnológico no mundo, percebo que as empresas do setor sofreram um empobrecimento do conhecimento técnico dos profissionais que atuam em sua área industrial. Há vinte anos atrás tínhamos mais técnicos melhor preparados do que hoje. Ao invés de termos evoluído neste quesito ao longo do tempo, fomos perdendo profissionais por diversos fatores e as empresas não os repuseram. Seja porque não encontraram no mercado, ou porque não adotaram a política de investir na qualificação destes profissionais, ou porque buscaram reduzir custos internos e preferiram profissionais mais baratos. O certo é que está cada vez mais difícil contratar gente muito qualificada.

Com o nível de competitividade que está o mercado, com a necessidade de produzir mais e melhor com menor custo, com os avanços tecnológicos que ocorrem cada dia em maior velocidade e, principalmente, com a necessidade de introduzir inovações de produto e processo, o lógico seria as empresas contarem com técnicos, engenheiros, gestores com alto grau de conhecimento e capacidade de gestão. Mas estes profissionais são raros nas indústrias e está difícil de encontrá-los disponíveis no mercado.

Há vinte anos atrás, só no Vale do Sinos, no Rio Grande do Sul, tínhamos duas modalidades de cursos técnicos e um curso de nível superior, todos voltados especificamente para o calçado. Hoje só temos um curso técnico de calçados, que luta para não ser extinto, face à pequena procura dos jovens. A extinção do curso de graduação foi um grande equívoco da universidade local, na minha opinião. E a falta de alunos interessados no curso técnico me leva a concluir que, por um lado, a imagem que o setor calçadista tem atualmente é a de um segmento econômico decadente, e por outro, falta de interesse das empresas em apoiar a formação de novos técnicos.

Precisamos urgentemente recuperar a imagem de uma indústria que produz novecentos milhões de pares ao ano, vende para mais de cento e cinquenta países e emprega mais de trezentos mil trabalhadores diretos. Muitas de nossas fábricas possuem tecnologias que não deixam nada a desejar às melhores indústrias europeias ou asiáticas. Existem inúmeras atividades profissionais nestas empresas que vão da produção à criação de produtos, passando pelo administrativo, comercial, RH e TI, só para citar alguns, muito bem remuneradas. Portanto, retomemos a autoestima do setor e voltemos a formar muitos e ótimos profissionais. O setor agradece.

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05/05/2017 - Luis Coelho
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Competitividade: além de tecnologia é preciso bons profissionais

Vou retomar um assunto que considero fundamental, não só para a indústria calçadista, mas para a de artefatos, para os curtumes e para qualquer outra atividade industrial: a qualificação dos técnicos e chefias. Paradoxalmente ao avanço tecnológico no mundo, percebo que as empresas do setor sofreram um empobrecimento do conhecimento técnico dos profissionais que atuam em sua área industrial. Há vinte anos atrás tínhamos mais técnicos melhor preparados do que hoje. Ao invés de termos evoluído neste quesito ao longo do tempo, fomos perdendo profissionais por diversos fatores e as empresas não os repuseram. Seja porque não encontraram no mercado, ou porque não adotaram a política de investir na qualificação destes profissionais, ou porque buscaram reduzir custos internos e preferiram profissionais mais baratos. O certo é que está cada vez mais difícil contratar gente muito qualificada.

Com o nível de competitividade que está o mercado, com a necessidade de produzir mais e melhor com menor custo, com os avanços tecnológicos que ocorrem cada dia em maior velocidade e, principalmente, com a necessidade de introduzir inovações de produto e processo, o lógico seria as empresas contarem com técnicos, engenheiros, gestores com alto grau de conhecimento e capacidade de gestão. Mas estes profissionais são raros nas indústrias e está difícil de encontrá-los disponíveis no mercado.

Há vinte anos atrás, só no Vale do Sinos, no Rio Grande do Sul, tínhamos duas modalidades de cursos técnicos e um curso de nível superior, todos voltados especificamente para o calçado. Hoje só temos um curso técnico de calçados, que luta para não ser extinto, face à pequena procura dos jovens. A extinção do curso de graduação foi um grande equívoco da universidade local, na minha opinião. E a falta de alunos interessados no curso técnico me leva a concluir que, por um lado, a imagem que o setor calçadista tem atualmente é a de um segmento econômico decadente, e por outro, falta de interesse das empresas em apoiar a formação de novos técnicos.

Precisamos urgentemente recuperar a imagem de uma indústria que produz novecentos milhões de pares ao ano, vende para mais de cento e cinquenta países e emprega mais de trezentos mil trabalhadores diretos. Muitas de nossas fábricas possuem tecnologias que não deixam nada a desejar às melhores indústrias europeias ou asiáticas. Existem inúmeras atividades profissionais nestas empresas que vão da produção à criação de produtos, passando pelo administrativo, comercial, RH e TI, só para citar alguns, muito bem remuneradas. Portanto, retomemos a autoestima do setor e voltemos a formar muitos e ótimos profissionais. O setor agradece.

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15/03/2017 - Luis Coelho
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Fimec: tudo e mais um pouco

Estamos chegando a mais uma Fimec, a principal feira de máquinas, insumos e componentes para calçados das Américas. Alguns acreditam que, por apresentar todos os elos da cadeia de suprimentos de calçados, ela seja a única no mundo. O certo é que esta feira é extremamente importante para o nosso setor. É ela que aponta os caminhos da tecnologia, da inovação e da produtividade para as nossas indústrias de calçados, bolsas e artefatos. Além de mostrar o desenvolvimento de produtos que agregam design, e as tendências de comportamento e de moda.

Nela estarão presentes os principais fabricantes e fornecedores de todo o tipo de produto e serviço que as indústrias brasileiras e estrangeiras necessitam. Cada profissional da área deveria visitar a feira e tomar conhecimento das evoluções que estão ocorrendo em cada segmento, seja ele de máquinas, equipamentos, matérias-primas, componentes, serviços, TI ou mesmo logística.

Estamos vivendo um momento de retomada, de recuperação lenta, mas concreta, e a Fimec é uma importante catalizadora dos avanços que o setor deve ter para seguir sendo competitivo nos mercados onde atua.

Show de tecnologia

Mais uma vez estarão na programação da mostra o Estúdio Fimec, com as informações que os estilistas e desenvolvedores necessitam para criar os maravilhosos calçados e bolsas que irão estar nas vitrines da próxima estação primavera-verão, como também a Fábrica Conceito, que este ano estará batendo todos os recordes de inovações, produção, espaço e participantes. Este último projeto tem como conceito A Tecnologia como Fator de Produtividade. Teremos um verdadeiro show de tecnologia, com o apoio de importantes marcas, como Pegada e Usaflex.

Para coroar as empresas que têm como preceito a busca permanente por novas tecnologias e design apurado, teremos a entrega do Prêmio Lançamentos Fimec. Esta iniciativa do Grupo Sinos e da Fimec vem estimulando ano a ano os expositores a buscarem sempre inovar em seus produtos, e com isto, manterem-se competitivos nestes tempos difíceis. Estes projetos, somados a outras iniciativas importantes da promotora e das entidades representativas do setor, tornam a Fimec um relevante alavancador de negócios, aglutinando interesses e promovendo a prosperidade.

Ninguém pode ficar de fora!

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01/03/2017 - Luis Coelho
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Vai dar certo!

Estamos começando um novo ano, cheio de expectativas e esperanças. 2016 foi difícil, complicado e o mercado oscilou muito. O câmbio foi às alturas e despencou, complicando a vida das empresas exportadoras de calçados e das importadoras de insumos. O varejo nacional, diante de tantas incertezas na economia e na política, pisou no freio. Toda a cadeia sentiu os efeitos desta instabilidade e tomou medidas às vezes radicais de corte de gastos, de racionalização de produto e processo, de enxugamento do grupo de trabalhadores, abortando projetos maravilhosos para retomar em um momento mais propício.

Não é mais possível um país como o Brasil sofrer e passar tanta dificuldade por causa da incompetência da classe política que, ao longo dos anos, como agora ficou provado, preocupou-se quase tão somente com as estratégias de enriquecimento ilícito e manutenção do poder. Urge mudar esta cultura para que tenhamos políticos verdadeiramente gestores à frente das nossas prefeituras, governos estaduais e federal. Ao longo de décadas a alta tributação serviu muito mais para sustentar os desvios de verba pública do que proporcionar educação, saúde e segurança, que são as bases de uma sociedade madura, para que ela construa um país moderno, eficiente e desenvolvido.

Reinvenção

Enquanto isto não acontece, lutemos com as armas que possuímos: nosso trabalho, conhecimento e experiência. Devemos estar atentos às oportunidades, sermos muito criativos, desacomodados e ter visão de futuro. Muitas empresas estão conseguindo superar a crise econômica através de ações internas e externas que as tornaram mais competitivas. Temos que nos aproximar ainda mais dos mercados para entender o que eles demandam. Temos que estar conectados com as tendências de consumo para sair na frente e criar produtos que se transformem em desejo das pessoas.

Caminho certeiro

Nossas empresas devem estar muito organizadas para não dispender energia em vão. Eliminar retrabalho, não perder tempo com atividades que não agregam valor, buscar sempre o máximo de produtividade e não submergir nos problemas rotineiros, mas abrir a mente para o que outras empresas bem sucedidas estão fazendo, para o que os fornecedores estão ofertando de inovador, para o que o mercado está apontando. Ser um bom gestor não é só administrar problemas, mas antevê-los e evitá-los, escolhendo caminhos que levem a estratégias bem sucedidas. É época de firmar parcerias, de modernizar os controles internos, de automatizar os processos, buscar novos mercados e agredir mais os atuais, qualificar os profissionais da empresa e qualificar-se.

Teremos um ano ainda difícil pela frente, mas o futuro começa a sorrir e acredito em anos muito melhores a partir de 2018. O Brasil começa a se recuperar, a economia mundial está ascendendo e a China finalmente passou a sofrer as mesmas dificuldades que os outros países. Ou seja, é um mundo de oportunidades que começa a se abrir. Só falta não nos prepararmos para este novo momento. Vamos acreditar e tocar o nosso negócio com otimismo e muito profissionalismo. Vai dar certo!.

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09/12/2016 - Luis Coelho
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E o que prevíamos começou a se realizar

Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe! Este ditado popular se aplica perfeitamente à concorrência que a China nos impôs nos últimos 25 anos. Depois de termos exportado quase 200 milhões de pares em 1993 – nosso melhor ano em toda a história calçadista brasileira –, só acumulamos queda nos volumes exportados nos anos seguintes. Conseguimos estabilizar nos 120/130 milhões de pares nos últimos quatro anos, mas nossa participação no mercado norte-americano, que já chegou a representar 12% das importações de calçados daquele país, hoje não passa de 2%.
Contudo, a China finalmente começa a dar mostras de que o dito popular é verdadeiro. Depois de mais de 30 anos só acumulando índices positivos de crescimento da produção e da exportação, o ano de 2016 deve fechar com uma queda significativa das exportações chinesas de calçados.
Segundo a World Footwear News, neste primeiro semestre a queda foi de 12% em valor e 5,7% em volume. Considerando que a China exportou quase 10 bilhões de pares no ano passado, a manter este índice, deixarão de chegar aos mercadores consumidores mundiais perto de 570 milhões de pares de calçados chineses no corrente ano. Isso representa quatro anos e meio de exportação brasileira.
Esta queda já era prevista por mim e por todos aqueles que vinham acompanhando o cenário daquele país. A elevação dos custos de produção, provocada entre outros fatores pela inflação da mão de obra, que vem migrando para outros segmentos econômicos, a pressão do governo chinês que necessita urgentemente combater a poluição do solo e das águas – que atingiu níveis insuportáveis e que tem fechado milhares de indústrias poluidoras nos últimos anos –, a escassez de água e o aumento dos preços da energia são alguns fatores que vêm dificultando sobremaneira a vida do empresariado local, fazendo com que muitas empresas fechassem as portas ou migrassem para outros países.
Herança
É certo que uma parte deste calçado será exportada pelo Vietnã e outros países asiáticos, que o mercado mundial está recessivo e por isso comprando menos, mas também é verdade que o Brasil é forte candidato a herdar uma pequena parte que seja deste volume astronômico que escapou das mãos dos chineses. Temos experiência, tecnologia, parque fabril e qualidade. Nossas fábricas têm de apenas se reestruturar para o perfil de negócios com private label.
Esta desaceleração não fará com que a China deixe de ser o gigante exportador que vem sendo há mais de três décadas. Mesmo com esta queda significativa, a China ainda exporta 65% de todo o calçado comercializado no mundo. Mas, com certeza, cada pequena redução nas vendas externas chinesas representam uma fantástica oportunidade para os demais produtores mundiais.
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09/12/2016 - Luis Coelho
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Como manter a empresa COMPETITIVA?

Nesta busca incessantemente pela competitividade, intensificada pelo momento econômico adverso, que encolheu mercados e provocou queda nos preços de venda da maioria dos bens duráveis e não duráveis, as empresas estão permanentemente buscando reduzir seus custos e aumentar sua eficiência produtiva e comercial. Tudo é colocado na ponta do lápis, medido e racionalizado. Enxugam-se linhas de produtos e profissionais com salários mais altos, espreme-se os fornecedores para que baixem seus preços, racionalizam-se os modelos para que sejam mais produtivos, automatizam-se as linhas de fabricação para obter mais eficiência produtiva. Enfim, procura-se de todas as formas manter o negócio competitivo, gerando lucratividade.
Não é uma tarefa fácil. Às vezes temos que fazer um recuo estratégico, diminuindo os volumes de fabricação, encolhendo a empresa. Muitas medidas são mal vistas pelo mercado, que entende este reposicionamento ou adequação ao momento como uma fraqueza da empresa e os comentários maldosos logo começam a circular. Em outras situações, as providências podem ser consideradas equivocadas, como demitir um excelente profissional que possuia um alto salário, mas garantia o desenvolvimento de excelentes coleções muito bem aceitas pelo mercado, ou administrava a produção com competência, conseguindo alta produtividade e boa qualidade. A troca pode custar muito caro para a empresa e deve ser sempre bem avaliada. Conhecimento e experiência não se compra na esquina. Por outro lado, a acomodação e os vícios adquiridos ao longo do tempo podem frear a implementação de novas e interessantes ideias, ou mesmo, impedir o desenvolvimento da empresa. Oxigenar o quadro é bom, mas com profissionais que agreguem conteúdo e sejam eficazes.
Melhorias inteligentes
Neste contexto, tudo deve ser avaliado. A boa notícia é que para melhorar nos procedimentos e nas estratégias empresariais, há muito espaço. Ainda se cometem muitos erros, seja por falta de planejamento, por desconhecimento, por acomodação, por tentativa de reduzir custos de forma não inteligente e muitas outras causas. Será que a nossa coleção vem agradando ao nosso público consumidor? Será que estamos comunicando bem ao mercado as melhorias que estamos fazendo nos produtos ou na empresa? Será que não poderíamos ser mais eficientes no desenvolvimento, ou na fabricação, ou ainda, na comercialização?
Nesta tentativa de economizar potencializando as capacidades dos profissionais, muitas empresas lhes conferem várias atribuições. Algumas totalmente desconectadas do seu perfil. O resultado geralmente é ruim. Algumas vezes catastrófico. Cada atividade requer conhecimento, experiência e compreensão do seu alcance. Por exemplo, pessoas muito racionais, metódicas, normalmente não são as mais indicadas para cuidar do setor de criação de produto, nem do marketing da empresa. Podem enxugar custos com eficiência, mas também podem amordaçar estes setores, impedindo-os de desenvolverem um bom trabalho.
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11/10/2016 - Luis Coelho
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Future Footwear

A Abicalçados lançou recentemente, com o apoio das demais entidades do setor, o projeto Future Footwear. Esta iniciativa tem como objetivo que a cadeia coureiro-calçadista comece a pensar no seu futuro, nas tendências do mercado consumidor, em como a tecnologia vai influenciar produto, processo e equipamento.
Esta iniciativa começou há dois anos, quando em conversa com o presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, fizemos uma provocação à entidade, questionando como ela poderia sinalizar às indústrias os caminhos a serem percorridos para evoluir tecnologicamente e tornarem-se ainda mais competitivas e de forma globalizada. Desta conversa surgiu a ideia de elaborarmos um pré-projeto que contemplasse estudos e ações para serem trabalhados pela entidade.
De posse deste documento, a equipe da Abicalçados, composta por jovens muito competentes e conectados com o mundo virtual, passou a pesquisar maneiras de implementar as ideias por nós propostas, incrementando com outras ideias, principalmente voltadas a design e produto, especificamente.
Esta segunda proposta foi, então, apresentada às demais entidades, que opinaram e contribuíram para alinhar as ações e objetivos. Surgiu o projeto Future Footwear, que busca transformar o Brasil em um grande protagonista da indústria mundial de calçados no futuro.
A união das ações setoriais, a realização das atividades do projeto, o apoio governamental e a adição de novos parceiros, inclusive de outros segmentos, que tenham algo ou muito a contribuir para o avanço tecnológico e a inovação do setor, poderão transformar a nossa indústria de calçados verdadeiramente, tornando a atividade do fabrico de calçados em algo muito atrativo para as novas gerações de trabalhadores e uma atividade ainda mais rentável.
Mundo virtual
Temos muito o que fazer em termos de simulação de estruturas fabris, desenvolvendo manufaturas digitais que proporcionem todas as informações necessárias para os gestores tomarem as decisões mais acertadas. A automação dos processos produtivos é outra linha que devemos avançar para melhorar a produtividade e compensar a falta de mão de obra, que passou a ser um dos grandes problemas da nossa indústria. Ainda, a informatização total dos sistemas de desenvolvimento de produto e de gestão fabril, com o ERP integrando totalmente a empresa. Por fim, sistemas fabris com autogestão, em que as máquinas se comunicam entre si e as linhas de produção se autoajustam de acordo com as informações repassadas por sistemas de leituras por códigos de barra ou rádiofrequência (RFID).
Portanto, temos muito a evoluir. Que ótimo. Se já somos competitivos neste momento, poderemos ser muito mais com toda esta inversão tecnológica. Pelo contrário, se nos mantivermos neste estágio por muito tempo, acabaremos perdendo muito desta competitividade. Então, a escolha só pode ser esta. Aceitamos o desafio!
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12/08/2016 - Luis Coelho
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Conhecimento e experiência que se foram...

Tenho comentado em colunas escritas anteriormente sobre o fato de que as empresas da cadeia coureiro-calçadista apresentam deficiências de conhecimento técnico nas suas equipes atuais. Posso afirmar que alguns anos atrás as indústrias tinham um número bem maior de profissionais qualificados, desenvolvendo produtos, avaliando a qualidade, supervisionando a produção e, até mesmo, atuando na comercialização. Muitos destes profissionais aposentaram-se, mas muitos foram buscar outros mercados, ou foram requisitados por suas empresas ou por empresas internacionais para atuarem em outros países. Aqui ao lado mesmo, na Argentina, existe um grande número de técnicos que estão atuando em indústrias brasileiras lá instaladas, ou ainda, em empresas daquele país que sabem do valor dos profissionais brasileiros. O México é outra nação que acolheu um grande número de sapateiros e curtidores daqui, talvez muito mais que o país vizinho. Poderíamos percorrer toda a América Latina e encontraríamos profissionais, principalmente gaúchos, vivendo e trabalhando em empresas da cadeia do calçado.
Hoje, com a disseminação das redes sociais, acabamos voluntária e involuntariamente descobrindo que muito mais gente do setor está espalhada pelo mundo. Seja no Facebook, Instagram, LinkedIn e outras redes, ficamos sabendo de técnicos brasileiros trabalhando na China, Vietnã, Austrália, Índia, Etiópia e Indonésia, apenas para citar meia dúzia de países que os acolheram. Contudo, este número é muito maior. Onde existe um conglomerado calçadista, com uma cadeia mais ou menos estruturada, com certeza há um ou mais brasileiros desenvolvendo sua atividade.
Rumo à China
A China, acredito, é o país que recebeu mais deles. Desde o início da década de 1990, quando a indústria chinesa cresceu a índices astronômicos, a migração passou a ocorrer de forma crescente, atingindo seu ápice no início deste século. Imagino serem centenas de profissionais, principalmente do Vale do Sinos, vivendo com suas famílias no sudeste deste país. Muitos casaram com chineses e hoje têm filhos com os olhinhos puxados, totalmente integrados à cultura local e, provavelmente, estabelecidos para o resto das suas vidas. Outros economizam para um dia voltar e ter uma aposentadoria confortável no lugar onde nasceram.
Conhecimento e experiência que se foram, muito consequência da falta de oportunidade e das estratégias de redução de custos das empresas brasileiras, em busca da competitividade em um País que vem se nivelando por baixo há muitos anos. Temos de recuperar o nível de qualidade que possuíamos anos atrás, não só no calçado, mas em todos os aspectos da nossa vida, como educação, saúde e segurança, só para citar os principais, e então avançarmos. O Brasil merece muito, muito mais.
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28/06/2016 - Luis Coelho
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Conseguiremos exportar como antes?

Brasil já foi um dos maiores exportadores de calçados. Na década de 1980, não havia fábricas suficientes para produzir todo o calçado que os grandes mercados demandavam, em especial, os Estados Unidos. Nos principais polos da época, Vale do Sinos e Franca, qualquer indústria de calçados que tivesse interesse podia fabricá-los para as tradings existentes, que representavam grandes cadeias de lojas nos Estados Unidos e Europa.
Na década seguinte, mais precisamente em 1993, batemos o nosso recorde, exportando 200 milhões de pares. A partir daí, com a ascensão da China e dos demais países asiáticos na industrialização de calçados, perdemos muita competitividade em função dos preços praticados no outro lado do mundo, cujas causas são de conhecimento geral.
Hoje, passados mais de 20 anos, nosso volume de exportação é bem abaixo dos volumes do início dos anos 1990, mas evoluímos em relação ao fato de termos conquistado muito mais mercados, com as nossas próprias marcas. Isto é importante, mas considerando que nosso parque industrial tem um potencial bem maior de produção do que a demanda existente, é necessário ampliar ainda mais o mercado e ser mais agressivo nas estratégias comerciais.
Outra saída, que se torna bastante interessante, é a de retomar as exportações para marcas internacionais. Com o câmbio favorável, depois de anos sem que os custos fossem viáveis, as indústrias nacionais estão conseguindo recuperar a competitividade necessária para produzir novamente através das tradings.
Qualificação
Contudo, estamos nos deparando com um problema que está dificultando muito esta retomada: a falta de indústrias que tenham qualificação para produzir outra vez neste modelo. Ou seja, a massa crítica de profissionais que aprenderam a trabalhar de forma rápida e altamente profissional reduziu-se muito nas empresas, principalmente nas de médio e pequeno porte. A qualidade dos produtos fabricados no mercado interno não está atendendo aos parâmetros de qualidade exigidos neste tipo de exportação.
Nossas indústrias terão de reaprender a produzir calçados dentro de conceitos que se dissiparam ao longo do tempo. Aprendemos muito com as exportações no passado, mas muito deste aprendizado se perdeu com a aposentadoria de muitos profissionais, com a migração de técnicos para outros países produtores e, também, com a cultura que se estabeleceu no mercado nacional, onde o design e o preço de venda são os aspectos mais trabalhados, em detrimento da qualidade dos materiais.
Os empresários que enxergarem neste novo velho modelo de negócio uma oportunidade de aumentar o nível de utilização da capacidade instalada e, ao mesmo tempo, retomar práticas e técnicas produtivas que elevarão os padrões internos de produção, poderão ter excelentes resultados, inclusive no médio e longo prazo.
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05/03/2016 - Luis Coelho
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Bloco K: problema ou oportunidade?

No ano que passou, a Receita Federal informou que começaria a exigir das indústrias informações mensais do estoque de matéria-prima, conhecido como Bloco K. Após anunciar que todas as indústrias não pertencentes ao Simples Nacional e ao MEI deveriam entregar o Bloco K do SPED Fiscal a partir de janeiro deste ano, a Receita Federal voltou atrás e adiou este repasse para janeiro do próximo ano para as indústrias com faturamento anual superior a R$ 300 milhões. Para empresas com faturamento entre R$ 78 e R$ 300 milhões, o prazo passou a ser janeiro de 2018. Para todas as demais, janeiro do ano seguinte.

Para que isso ocorra, os estabelecimentos deverão estar muito organizados, com sistemas de comunicação e controle muito eficientes. Também deverão envolver toda a cadeia de fornecedores de matérias-primas e serviços. Não é uma tarefa fácil, mas é perfeitamente possível de ser levada a bom termo. Adotar um sistema de codificação de suas matérias-primas, que seja padrão internacional, facilita bastante o processo.

Cadeia integrada

Mais que uma obrigação, mais custo e dor de cabeça, a exigência do Fisco pode ser encarada como uma excelente oportunidade de integrarmos a cadeia, desde o fornecedor de insumos e serviços, até o cliente, de tal forma que todos tenham o mesmo sistema de codificação. Isto facilitará muito o acompanhamento dos insumos e produtos, desde a sua origem no fornecedor, passando pela fábrica e seus terceirizados, até chegar ao lojista.

Além de passarmos a ter total controle da industrialização dos insumos, comprovadamente se reduzirá a interferência humana na conferência física dos insumos e produtos no recebimento, almoxarifado, nos processos produtivos e na expedição. Além dos ganhos de tempo pela agilidade, ganharemos também na eliminação de erros de conferência, podendo zerar a incidência de trocas de mercadorias transportadas, além de muitos outros benefícios. Todo o investimento que for realizado na implantação eficiente do sistema se pagará rapidamente pelos resultados obtidos a partir do perfeito funcionamento da metodologia, aumentando a lucratividade e a imagem da empresa perante seus fornecedores e clientes. Sem falar do Fisco!