Logo Exclusivo
Compartilhe:
Nome do autor COLUNISTAS
01/09/2017 - Edela Land
Menu

Edela Land: a era pós-GDS começou

De 27 a 29 de agosto, a feira Gallery Shoes, sucessora da tradicional mostra alemã GDS, ocorreu pela primeira vez. Ao invés de ocupar pavilhões enormes da Messe, em Düsseldorf, o evento ocorreu em prédios industriais desativados, tradicionalmente destinados a encontros artísticos. O novo endereço conferiu um charme todo especial à programação, misturando a leveza da moda e da arte com as estruturas fortes de um prédio industrial.

Segundo a promotora, a Igedo, foi um “fresh new start” que o universo do calçado, na Alemanha, sentia falta. Expuseram nesta primeira edição da Gallery Shoe 500 marcas, provenientes de 16 países. Conferiram a novidade em torno de 9,2 mil pessoas, a grande maioria de países europeus, mais notadamente do Norte da Europa.

Uma das grandes diferenças em relação à GDS foi o tamanho máximo dos um estandes, que não podiam superar os 150 metros quadrados – o que não é pequeno, mas muito menor do que os megaestands das grande marcas, que sempre se destacavam na GDS.

A altura das paredes também foi delimitada. De forma geral, a mostra ficou mais simples, mais direta, como sempre deveria ter sido, e agradou muito os expositores e os visitantes.

Considerando que decisões como estas – descontinuar a GDS e começar a Gallery Shoes – são sempre tomadas por colegiados dos principais e mais tradicionais players do mercado alemão, chega-se a crer que até mesmo eles não estavam mais de acordo com os altíssimos custos de uma feira, e resolveram simplificar em todos os sentidos. O resultado foi a sutil e agradável sofisticação do simples, em que todos se sentiram muito à vontade para fazer seus negócios. Tudo isso, em resumo, resultou numa feira de sucesso, e que deve se consolidar com o passar das estações.

Exemplo para o Brasil? Bem se sabe que pagar o valor de um apartamento para um estande numa feira que dura três ou quatro dias é muito normal já faz tempo. Mas quem paga? Somos nós, os consumidores!

Questionei a Igedo, por e-mail, se houve espaço para marcas brasileiras nesta feira, mas até a publicação deste artigo, não havia obtido resposta. Em fotos no Facebook da feira, é possível identificar a presença da Schutz. Caso as questões enviadas à organização do evento sejam respondidas, publicaremos.

Compartilhe:
Nome do autor COLUNISTAS
16/08/2017 - Edela Land
Menu

Os calçados do verão na Europa

O que diferencia, fundamentalmente, os calçados de verão das demais coleções? Muitas podem ser as respostas, mas uma única diz tudo: o conforto.

O conforto está na moda. Embora se diga, de maneira genérica, que as pessoas não estão fazendo exercícios, elas cada vez mais precisam caminhar. Em muitos casos, os estacionamentos são distantes de onde precisam ir e, para visitar cidades turísticas, não há como conhecê-las senão a pé. Mesmo num teatro, num espetáculo ou cinema, é necessário caminhar para se chegar lá. E ninguém mais quer sentir aperto nos pés, ou ter de se equilibrar em cima de verdadeiras torres chamada salto, a não ser para ocasiões muito especiais.

No dia a dia, nunca se sabe o que vai acontecer, e devemos estar preparados para curtir e aproveitar tudo o que vier. O vestuário, incluindo o calçado, deve existir para nos servir, e não para nos condicionar.

Por isso é que a metade da humanidade feminina (exagero?) está usando sneakers (!), 25% está em sandálias rasteiras e bailarinas, e os demais 25% calçam um mix de tudo.

Particularmente, não gosto de sneakers, porque alongam muito o pé, e isso é um problema para quem calça um número grande. Também considero que não finalizam com suavidade a silhueta leve de verão. Mas são tantos os modelos! Um mais lindo que o outro, e devem continuar ainda por muito tempo. Sem dúvida, são um must para qualquer tempo, para qualquer lugar, e esbanjam conforto.

As sandálias rasteiras, cheias de pedrarias, é que são o meu sonho de verão. E mesmo as bailarinas cheias de brilhos. Essa é a visão da cinderela que continua no imaginário feminino.

E as outras modelagens de calçados de verão? Claro que sempre vamos precisar de escarpins, sandálias altas, mas não devemos nos esquecer que, em qualquer segmento, o que está na moda é a liberdade de ir e vir, de topar qualquer boa parada que pintar.

Compartilhe:
Nome do autor COLUNISTAS
29/05/2017 - Edela Land
Menu

Notícias do Velho Mundo

Primavera em atraso! Ainda meias grossas e casacos no visual das cidades, em pleno mês de maio. Mas tempo melhor não deve tardar.

Colocando as leituras em dia, principalmente Schuhkurier, e Textilwirthschaft, destaco:

→ Famosa marca CLARKS demite entre 50 e 60 pessoas, divididas nos diversos setores do Headquarter;

→ Entre 2013 e 2016, o caso de pequenos furtos nas lojas de calçados aumentou em 30% na Alemanha, e está em crescimento;

→ Payless Shoesource, dos EUA, está insolvente, e fechou 400 lojas em abril de 2017. Cotinuam com 4 mil lojas. Era um grande comprador do Brasil;

→ Está fixada a data da primeira Schuh-Gallery (substituta da GDS): 27 a 29 de agosto 2017. Em Düsseldorf, somente de marcas europeias, num ambiente de ex-indústria, que é considerado de muito charme e atmosfera por aqui. Paralelamente, em lugar próximo, ocorrerá a feira itinerante Schuhfair, de 27 a 28 de agosto de 2017;

→ A firma ECCO, tradicional empresa de calçados de couro de muito conforto, na sua constante pesquisa tecnológica, está desenvolvendo um couro transparente e com muita maciez;

→ Indústria de calçados italiana estagnada;

→ Wortmann (uma das maiores empresas de calçados da Europa) lança Tamaris Online-Shop;

→ Amazon (online shop) deve abrir mais 2 mil empregos novos atá o final de 2017;

→ Zara aumentou em 12% o faturamento em 2016, com lucro de 10%;

→ Deichmann (grande rede de lojas de calçados populares) teve, em 2016, o maior faturamento da sua história de mais de um século;

→ Exportações de calçados da China diminuíram 5,9% em 2016. Em 2015 foi 8,1% a menos que 2014. Países para os quais a produção migrou tiveram um acréscimo considerável no custo da mão de obra: Camboja (+ 17%), Bangladesh (+ 4,6%), Vietnã (+ 5%). Segundo a revista, bom para o Brasil e para o México;

→ Moda do futuro passa, necessariamente, por materiais tecnológicos. E por esse motivo as pesquisas estão sendo muito intensas;

Como podem ver, a gangorra continua no parque. Só não tem chance de ficar do lado alto quem sair da brincadeira!

Compartilhe:
Nome do autor COLUNISTAS
20/03/2017 - Edela Land
Menu

Reverso da Globalização

Agora que a estação de inverno está lançada, as vendas acontecendo, e as feiras já se preparando para a próxima temporada, um olhar crítico sobre esses eventos é o que faço hoje. Há tempo que as feiras “se arrastam”. Algumas boas, outras nem tanto, a maioria de razoável para ruim. Mas na mídia, foram todas maravilhosas, centenas de milhares de pares vendidos, e milhões de dólares. Em algumas das que eu estive, não vi nada disso acontecer. Me pergunto até se errei de endereço e evento.

Entre os números que são informados e entrevistas que vêm a público, uma das questões mais recorrentes nestas pesquisas é quantos pares e dólares serão vendidos a partir daquela feira.

As feiras são, geralmente, no início da estação. Então, o que se diz? A projeção de todo o semestre! Na minha avaliação, não se pode mensurar uma feira dessa forma. Dentro dessa mesma ótica, se misturam dados de empresas enormes e conhecidíssimas de produtos injetados e/ou sintéticos, que têm grandes estruturas de vendas internacionais, como sendo performance da feira. Feira não tem como mensurar, mas é fundamental para consolidação da imagem.

Estrutura

E aí fica tudo assim, como uma doce ilusão, em que nós tanto gostamos de acreditar: “Eu não vendi, mas vai ver que o meu vizinho vendeu”! E assim a Apex continua a liberar as verbas, que são fundamentais para os expositores brasileiros, e que nem deveriam jamais ser questionados. A GDS teve a coragem de terminar com essa agonia, apesar da história, e da sensação de final de campeonato sem vencedor. Para eles, esse mix de mundo todo na mesma feira, não fazia mais sentido, e até ia contra os interesses deles mesmos.

O que vão fazer? Uma feira só de marcas europeias, com foco em lojistas e grandes redes. Não será uma feira de sourcing, ou seja, não terão chineses expondo, e, acredito também que nenhum brasileiro expositor será aceito.

Então, querem comprar marcar europeias? Venham à Schuh-Gallery! Ali não vão ser tentados por algum produtor concorrente, fora do continente. É o reverso da globalização. E essas marcas vão procurar onde seus sourcings? In loco, diretamente ou, no máximo, numa feira como Riva del Garda, que reina sozinha na Europa, no seu segmento.

E a theMicam? Hoje é a grande e melhor feira da Europa, com produtos do mundo inteiro para o mundo inteiro, mas sem a poluição dos sourcings orientais. Mas o mundo esta mudando! E nós, brasileiros? Onde é nosso lugar? Não somos mais sourcing por causa da política cambial mas, por outro lado, temos pouquíssimas marcas consolidadas. A falta de uma política de exportação não ajuda em nada quem quer fazer algo consistente neste sentido. Não tenho as respostas, infelizmente.

Compartilhe:
Nome do autor COLUNISTAS
10/02/2017 - Edela Land
Menu

Adeus, GDS!

É difícil e inacreditável, que a derradeira GDS ocorreu nesta semana (foi de 7 a 9 de fevereiro de 2017) em Düsseldorf, Alemanha, depois de mais de 60 anos de existência, e de ter sido a mostra mais importante no cenário calçadista, de todo o mundo, e por muito tempo. Foi a feira que muitíssimas pessoas da nossa região visitaram, e que foi, sem dúvida, um modelo a ser imitado. Era enorme, com cerca de oito pavilhões de exposições, e 306 mil metros quadrados, plenamente tomados. O mundo se encontrava ali.
Por muitos anos, também o Brasil se fez presente nessa feira, e muitos negócios foram concretizados. A organização da feira foi sempre impecável, tanto para os visitantes, como para expositores. O estacionamento era num parque interno cheio de árvores, onde passavam ônibus circulares específicos (grátis), a cada cinco minutos, e que podiam escolher qual a entrada da feira que queriam parar: Norte, Sul, Leste ou Oeste.
Havia grandes restaurantes, mas também muitos bares e os “Wurst-mit-Broedchen”, de maneira que ninguém precisava se deslocar muito longe. E os toilettes, sempre logo ali, tantos, e tão limpos! A cidade toda estava preparada para a feira, com uma excelente rede hoteleira, para todos os bolsos, metrô para tudo que é lado, grátis para quem apresentava o ingresso na feira, restaurantes de todos os tipos de comida! E que bier! Quem não vai se lembrar com saudade do “Zum Schifchen”, com seu joelho de porco, e a bier deles mesmo, numa tradição de mais de cem anos? Durante a GDS, ali se falava português-brasileiro, tamanha quantidade de brasileiros! A Alt-Stadt era uma festa só! E no final da noite todos acabavam se encontrando na esquina do “Killepitsch”.
Mas as coisas mudam, e a GDS foi diminuindo devagarinho. O maior baque, sentido por nós mesmos como expositores, foi a feira de 2001, poucos dias depois dos atentados de 11 de setembro. E, desde então, as visitas dos americanos e canadenses nunca mais foram as mesmas. Com o fortalecimento das feiras concorrentes, como a theMicam, na Itália, a GDS passou a ser cada vez mais europeia para a Europa, e menos internacional para o mundo.
As construções dos estandes eram muito desparelhas, ou seja, havia megaestandes das grandes organizações, e elas são muitas na Alemanha. Os pequenos expositores destoavam deste contexto. Isso não acontece em outras feiras como a Garda e a theMicam.
Quando eles caem, caem de pé!
Mas os alemães, quando caem, caem de pé. Mesmo sendo a última feira, ainda tiveram cerca de 2,5 pavilhões ocupados, com shows, desfiles, seminários, onde o sentimento de uns era de tristeza e de outros, alívio, por não precisarem mais fazer uma feira, sem visitantes suficientes ou não adequados.
Para o diretor de exportação da Lloyd, Mr. Diethard Rudolph, a feira foi ótima, com um número inesperado de visitas internacionais. A companhia lamentava-se sobremaneira por ficar desassistida sem a GDS. “Onde vamos agora? Todos em Milão? Isso não será bom”, opinou. Ele também não se conforma que o setor não tenha conseguido uma união para fortalecer a feira internacionalmente. “Se preocuparam demais cada um com seu próprio problema, e com o mercado alemão, e esqueceram-se do mundo”.
Para o representante comercial da Manz-Fortuna, Thomas-Prochazka, esta edição da mostra foi inesperadamente boa e puderam tirar muitos pedidos, o que já fazia tempo que não acontecia. Igualmente os clientes reclamaram para onde terão de ir.
Para Claudia Scultz, trends expert do Deutschen Schuhinstitut, apesar da feira ter tido boa e proveitosa visitação, o pano de fundo foi de tristeza. “Os setores que mais lamentam sobre onde expor são os do conforto e dos infantis”, comentou.
A Igedo Company está assumindo a GDS e anunciou que em agosto de 2017, de 27 a 29, haverá uma nova feira, com o nome Schuh Gallery, na Areal Böhlerem, em Düsseldorf, cujos formatos ainda estão em estudo. Mas algumas coisas já estão certas: será um feira destinada ao preço médio e alto; principalmente de produtores europeus; não será uma feira de sourcings, motivo pelo qual “aspiraram” (para usar o termo usado pela própria Igedo na abertura da última GDS) 65% dos expositores.
E assim caminha a humanidade! Quem mais vive, mais vê. E quando acha que sabe bastante, morre!
Compartilhe:
Nome do autor COLUNISTAS
08/02/2017 - Edela Land
Menu

Perspectivas para 2017

A menos de 400 km daqui onde estou, na Itália, pessoas estão soterradas pela neve: terremoto e avalanche de neve juntos! Hotel de luxo que desabou com a avalanche e os hóspedes dentro! Ou seja, enterrados vivos. E aqui, mais ao norte, estamos num dia de céu azul maravilhoso, o que, porém, não nos deixa esquecer essas e tantas tragédias que estão acontecendo no nosso planeta.
Muito difícil é pensar em negócios nesse cenário. A tragédia mexe com nossos sentimentos, nos sacode, e pode mudar nossas prioridades e costumes. Um deles é consumir só mais o básico necessário para sobreviver.
E como fica o mundo da moda? Do consumo?
Na verdade, poucos são os que precisam comprar um calçado, mas compram porque algo novo foi lançado. O que impulsiona esse consumo é a novidade. Mas, e se esta novidade não for mais o suficiente para impulsionar a compra?
Tenho lido em diversas revistas do setor, aqui na Europa, que este é o ponto que está preocupando cada vez mais empresas, de marcas conhecidas e consolidadas. E é nesse foco que estão havendo muitas mesas-redondas, e brainstormings.
Várias são as opiniões, mas uma é recorrente: o consumidor é o rei, e deve ser agradado, porém de maneira inteligente. Treinamentos em atendimento ao cliente estão voltando a ser muito importantes. Conhecimento do produto, simpatia, empatia, criam um ambiente de encantamento, onde as pessoas gostam de ir, porque saem leves e com um sapato novo.
Segundo essas pessoas, o e-commerce funciona e continuará a funcionar bem, porque é uma navegação tipo válvula de escape para muitos. Para outros, a possibilidade de não precisar ir a uma loja. Pela minha observação do que acontece, é também a possibilidade de usar o sapato por três meses, e devolver por algum problema, e ganhar um sapato novo. E assim sucessivamente. A lei pouco protege o negócio de e-commerce, só o consumidor.
A Feira de Garda, que acabou há alguns dias, não foi das melhores. A visitação não foi numericamente expressiva, embora a qualidade dos contatos tenha sido boa. O que já é um alento.
A minha previsão para 2017, é que seja um ano igualmente muito difícil aqui na Europa. Portanto, em vez de aumentar a produção, a ordem é melhorar a produção, e qualificar a cadeia de intermediários necessários, até que o produto chegue ao consumidor.
Foi dada a partida para 2017, agora é acelerar de modo a chegar ao final, inteiro e o mais feliz possível.
Compartilhe:
Nome do autor COLUNISTAS
09/12/2016 - Edela Land
Menu

A novidade é o que faz o consumo

Projeto audacioso e que deu muito certo, as feiras de calçados em Gramado/RS fazem sentir a movimentação toda, muitas semanas antes do evento.
Materiais novos sendo lançados, coleções sendo feitas, estandes saindo da prancheta, restaurantes e hotéis se preparando para receber os hóspedes. Marcação de reuniões com pré-agendamento para clientes VIPs, estrangeiros ou não.
Mas a pergunta que não quer calar: Como vamos compor os preços nessa feira? Com que dólar? O do Obama ou do Trump? Vamos acreditar que o “Lourão” vai ficar comedido e, com isso, as economias ficarão calmas, o dólar vai cair, ou vamos acreditar que as promessas malucas de campanha vão ser colocadas em prática, provocando instabilidade e a elevação do dólar?
Se a segunda opção acontecer, parece ser bom, num curtíssimo espaço de tempo, porque depois tudo se desarranja, ninguém mais terá certeza de nada, e a recessão mundial vai ficar ainda pior.
Podemos ser donos da prancha, saber surfar, mas não sabemos em que águas vamos praticar o esporte. Pode ser num mar ameno, num mar agitado, num tsunami. E se for num rio, ou numa lagoa parada? Não tem esporte. Nessa incerteza, a única convicção que se pode ter é de que não podemos planejar a médio e longo prazo. É tudo no curto prazo.
E a nossa falta de uma política industrial voltada para exportação se faz sentir ainda mais. Estamos sós. Todos agarrados na esperança de sermos inteligentes e ágeis o suficiente para mudar o rumo a qualquer momento. E é esta a grande capacidade do brasileiro, que não o faz sucumbir. Capacidade esta que não consigo ver, de maneira tão clara, em outras culturas.
Pessoalmente, estou ansiosa para conferir as novas coleções, porque a moda em constante renovação nos faz sentir sempre trabalhando em algo novo, renascendo a cada semestre. E é a novidade que faz o consumo. Poucos são os que precisam realmente de calçados. Precisam é ter a novidade!
Boa feira a todos!
Compartilhe:
Nome do autor COLUNISTAS
22/09/2016 - Edela Land
Menu

Política nacional de exportação

Com a limpeza que está sendo feita no Clube dos Corruptos pelo Judiciário, vejo que muitos voltaram a acreditar no “Yes, we can”. Inclusive eu.
Como minhas atenções são focadas para o mercado internacional, e da inserção do Brasil nesse mercado, tenho observado e conversado muito com a força jovem que está batalhando nesse campo. E é com alegria que vejo um ânimo novo, muitas ideias novas. Mas uma delas é recorrente: a necessidade de uma nova política de exportação no Brasil. Para que o exportador brasileiro possa investir com segurança e o comprador não tenha de ficar torcendo para dar tudo errado na economia brasileira, porque assim o Real se desvaloriza e os preços se viabilizam.
Os países onde é mais difícil convencer os clientes a aceitar novos preços são justamente o nosso maior alvo. Tratam-se de mercados desenvolvidos e estáveis, como os da Europa tradicional. Eles não aceitam importar inflação para os países deles. Portanto, um país tão vulnerável como o nosso acaba por se desacreditar totalmente como um fornecedor estabelecido e fiel, e passa a ser somente um país de negócios de oportunidade.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), que tanto tem apoiado as exportações, tem suas ações esvaziadas de resultados mais concretos, por não estarem dentro de um contexto de política nacional que nos faça “players” mais respeitados no mundo. Andando pelas feiras internacionais, tenho escutado muitas ideias e um dos pilares desta nova política é de que o dólar para exportação deve ser, de alguma forma, garantido pelo Banco Central. Que não se pense em congelamento de dólar, mas se encontre um mecanismo da área financeira por meio do qual se possa colocar à disposição alguns milhões de dólares e euros a uma taxa comercial de hoje, por exemplo, pelo período mínimo de dois anos.
Os exportadores se cotizariam para esse montante, e iriam fechando os câmbios, e recebendo o crédito dos valores na medida em que fossem exportando. Ou seja, podem manter, ao menos dois anos, uma vida sem sobressaltos, proporcionando segurança aos compradores pelo mesmo período.
O sobe e desce da nossa moeda elimina qualquer possibilidade de traçar estratégias com um mínimo de segurança. Isso daria uma injeção na atividade industrial exportadora, gerando empregos e divisas para o Brasil e aos brasileiros, sem que o governo ou Banco Central tivessem de desembolsar para empréstimos a juros subsidiados, como foi feito nos idos dos anos 1970. Diminuiria o desemprego, o auxílio-desemprego e talvez até empolgasse mais pessoas a resgatar a sua dignidade por meio do trabalho.
A nova geração de executivos e executivas do mercado internacional não está aí para brincadeira, mas para um trabalho muito sério. E entusiasma com suas ideias e vontade de lutar por um Brasil melhor. Quem sabe uma parte do que foi desviado pelos corruptos e está voltando ao Brasil possa ser usada para minimizar o mal que fizeram para a sociedade que quer trabalhar. Certamente não é tão simples como o acima exposto, mas acredito que estamos começando uma nova era. Muita saúde para o Brasil que trabalha!
Compartilhe:
Nome do autor COLUNISTAS
12/08/2016 - Edela Land
Menu

Sobreviventes da nossa época

O verão no continente europeu chegou para valer, mas está intercalado com dias mais frescos, bem ao contrário do verão passado, que foi simplesmente tórrido.
Ideal para o sucesso das botinhas de verão e para a estrela do momento: sneakers! Opaco, brilhante, com lantejoulas, de qualquer maneira, sneakers, sneakers, sneakers!
Quando se vai para as sandálias, são quase todas com bastante estrutura de solas e viras, especialmente as brancas em EVA. Lindas! É um must para as mulheres de qualquer idade.
Chama a atenção a falta de cores vistosas nas vitrines (foto) e também nas pessoas circulantes. É um cinza que vai do escuro até o quase branco, um oliva militar dentro da mesma curva de cores, o off-white, e dentro desses tons os metalizados, que dão um toque de moda ao conjunto.
Não existem cores puras, como o branco, vermelho, amarelo. Azul no jeans. Preto, sim, e muito, que é a ausência absoluta de cor.
Os sneakers ousam, então, com muitos brilhos, como se fossem verdadeiras luzes para iluminar os caminhos das pessoas, que não sabem mais para onde ir, com medo das tantas turbulências terroristas de nossos dias.
Melhor não chamar a atenção, que pode ser também que alguém mentalmente perturbado esteja pronto para disparar! Aff!
Se o trecho for curto, vamos a pé, o trem está muito perigoso, por possíveis atentados. A moda das vitrines, cheia de calças rasgadas e amassadas, parece mesmo pertencenter aos sobreviventes da nossa época.
Brasil na moda
E dentro desse contexto, a vida continua, a GDS em Düsseldorf, ocorreu – muito menor do que em edições passadas – e com resultados proporcionais.
Chamaram minha atenção paisagens usadas pela feira, por grandes marcas, que lembram as brasileiras, tanto nas florestas, quanto em imagens como a dos Lençóis Maranhenses.
Por isso, lembro às nossas fábricas brasileiras explorar o Brasil nas suas campanhas. Nós estamos na moda, mesmo com nossos problemas!
Compartilhe:
Nome do autor COLUNISTAS
22/06/2016 - Edela Land
Menu

Garda: tão intensa, tão significativa

Cada dia a mais que se vive, é uma página da nossa vida. Mas, a cada feira, parece um novo capítulo. Ainda mais como esta última Expo Riva Schuh Messe – Feira de Garda –, tão intensa, tão significativa.
Clientes novos, e clientes já existentes foram uma alternância em praticamente todos os estandes brasileiros. E as nossas coleções? Ninguém tem a singular sofisticação para fazer uma sandália, seja de qualquer segmento, como as mãos dos nossos conterrâneos.
A chuva que insiste em pontuar essa primavera na Europa, deixando longe o calor que se espera, atrapalhou muito mais o turismo no lago de Garda, do que as vendas na feira, embora o choro dos lojistas tenha sido um coro.
Muitos países se fizeram presentes, e parece mesmo que as datas das feiras estão, novamente, cumprindo o seu objetivo:
Garda - 11 a 14/6, para grandes redes e distribuidores.
theMicam - 4 a 7/9, para lojistas menores e para confirmar tendências.
A GDS, em Duesseldorf, não obstante o esforço e primor na organização, está se fixando cada vez mais como uma feira na Alemanha, para Alemanha.

Convenção
Durante essa feira, aconteceu também a “First International Sales Convention”, da Piccadilly, com mais de 15 países presentes. Parabéns a toda a equipe!
Algumas frases que ouvi nesta feira, e fora dela, que valem a pena ser registradas:
“Se os brasileiros soubessem o valor e a força de seus produtos, não seriam somente industriais, seriam mais marketeiros”.
“Como podem existir marcas brasileiras tão fortes, sem que o mercado alemão as estejam comprando?”
“Vendi toda minha mercadoria em duas semanas, como que vocês não tem um programa de reposição?”
“Este é um produto brasileiro, porque as mulheres brasileiras querem conforto, porém, sem jamais perder o senso de moda e de sensualidade.”
“Esta marca não perdeu a essência de fazer um sapato bom, de couro, elegante. Todo mundo correu para fast-fashion.”
“Não aguento mais ver sneakers, todos têm a mesma coisa! E daí querem ficar irritados quando se faz um leilão. Ou se compra marca consolidada, ou é leilão de preços.”
“Esta marca é para as cinderelas de nossos tempos. Ninguém consegue ficar indiferente”.