Exportações brasileiras de couro registram o menor valor em 20 anos

15.06.2020 - Michel Pozzebon / Jornal Exclusivo

Foto: Arquivo/GES.
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No mês de maio, os embarques do setor coureiro nacional totalizaram US$ 55,3 milhões

Em maio, o Brasil exportou 10,1 milhões de metros quadrados de couro, que totalizaram US$ 55,3 milhões. Quedas de 36,8% em volume e de 48,7% em valor no comparativo com o mesmo mês de 2019. Segundo análise do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), o resultado corresponde ao menor valor exportado pelo setor coureiro em 20 anos.

"O mês de maio/2020 foi o mais difícil para o setor na história recente. O impacto da pandemia no setor, com consequente falta de demanda, piorou em relação aos meses anteriores. A queda em área comercializada, que até abril estava em -9,3%, agora acumula queda de 14,7% no ano. Os valores também caíram mais de 5 pontos percentuais em relação a abril", informa o CICB em boletim com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Principais estados exportadores

O Rio Grande do Sul permanece como líder em embarques ao exterior, com participação de 27,1% em valor e 22,1% em área. São Paulo continua em segundo lugar em valor (share de 14,9%), e quarto em volume (share de 12,5%); Paraná cai para quarto lugar em valor, com share de valor de 12,9%, mas permanece em segundo lugar em área, com 15,4%; Goiás agora é terceiro em valor e área, com 13,8% de share nos dois quesitos.

Continuam em destaque as exportações do Acre, com +850,2% em valor e +1642,0% em área. Outro estado com crescimento importante é Rondônia, que tem +88,9% em valor e +160,2% em área.

Entre os dez estados com maiores exportações do País, todos agora mostram quedas de valores, sendo que somente três apresentam índices positivos em área comercializada: Bahia (+7,8%), Minas Gerais (+7,8%) e Mato Grosso do Sul (+6,5%).

Ainda entre os dez maiores, as quedas mais expressivas em valor são: Ceará, com -48,7% (antes -41,4%); Pará, com -35,5% (-25,5%), Goiás, com -30,0% (-26,2%); São Paulo, com -29,9% (-22,7%), Santa Catarina, com -25,5% (-23,0%); e Paraná, com -25,1% (-17,8%).

Resultados acumulados de 2020 dos três principais mercados para o couro brasileiro:

- China, com share de 24,8% em valor e 31,4% em área, caindo 19,0% em área comercializada (antes -17,3%) e também com queda de 24,8% (-23,8%)
em valor;

- Estados Unidos, com share de 18,4% em valor e 9,7% em área, têm queda de 6,6% em área (+15,1%) e 15,5% em valor (+3,4%);

- Itália, com share de 15,2% em valor e 18,6% em área, tem queda de 24,1% (-20,5%) em área comercializada, e também de -37,4% (-34,5%) em valor.

Com os resultados do mês de maio, agora os três principais destinos mostram quedas, tanto em valor como em área, sobre o mesmo período de 2019. Os Estados Unidos ainda apresentavam aumento no mês anterior. Além disso, os três mercados vêm apresentando pioras a cada mês no desempenho de compras do couro brasileiro.

Variações das exportações brasileiras de couros bovinos por estágio, nos primeiros cinco meses de 2020, comparadas a 2019:

- Salgado com queda de 7,4% (antes -18,9%) em valor, porém aumento de 67,5% (antes +49,9%) em peso;

- Wet Blue com redução de 38,2% (-37,6%) em valor e 25,7% (-24,5%) em área;

- Raspa WB com aumento de 3,0% (+9,1%) em valor e 2,4% (+9,9%) em área;

- Crust agora com queda de 4,8% (+1,6%) em valor, porém aumento de 5,1% (+9,2%) em área;

- Acabado com redução de 25,3% (-16,8%) em valor e de 15,1% (-5,6%) em área.

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