Assocalzaturifici fala sobre o impacto do Covid-19 na Itália

24.03.2020 -

A Itália foi o primeiro país da Europa a ser atingido pela epidemia de Covid-19 e foi fortemente impactado até agora. O país foi atingido por uma crise epidemiológica em andamento, que criou uma situação complexa para muitos setores da indústria calçadista. “Enfrentamos uma situação de extrema urgência”, alerta a Associação Italiana de Calçados - Assocalzaturifici.

O varejo foi fortemente impactado desde que o governo declarou a quarentena obrigatória, primeiro na região norte e depois em todo o país. As lojas que normalmente são abertas ao público agora estão fechadas e não há indicação de uma data de reabertura. Como resultado, as compras de sapatos podem ser feitas online, por enquanto. No entanto, a Amazon.com, por exemplo, já anunciou que deixará de enviar produtos não essenciais para consumidores na Itália e na França, cabendo aos comerciantes da plataforma enviar diretamente aos clientes da região.

Após a última comunicação do primeiro-ministro do país, Giuseppe Conte, um novo decreto previa que, a partir de agora, até o dia 3 de abril, as atividades produtivas, industriais e comerciais do país seriam suspensas para combater a emergência do Covid-19, exceto as categorias relacionadas ao suprimento de alimentos e saúde.

A Assocalzaturifici confirmou que está realizando atividades de lobby para que a cadeia de empresas que produz calçados de segurança e prevenção de acidentes possa ser uma exceção. A associação estima que a produção italiana de calçados com biqueira de proteção metálica para 2018 tenha sido de aproximadamente 8,3 milhões de pares, com um valor de 214,4 milhões de euros. A participação desse setor na produção nacional de calçados é de 4,5% da quantidade total, com valor de exportação de 392 milhões de euros. Os principais destinos são Alemanha, França, Espanha e República Tcheca.

O decreto “Cura Italia”, aprovado recentemente pelo governo, alocou recursos de até 25 bilhões de euros, incluindo a provisão de bônus e medidas para apoiar famílias, empresas e trabalhadores. Ele também permite que as empresas solicitem o “Fundo de Redundância”, além de fornecer aos funcionários acesso a férias remuneradas e indenizações. O Fundo de Garantia para as Pequenas e Médias Empresas (PME) aumentou substancialmente, juntamente com um apoio adicional às exportações e internacionalização e uma suspensão extraordinária dos pagamentos de hipotecas e dos empréstimos.

“Espero que essas medidas, e quaisquer outras que possam ser introduzidas, consigam combater a emergência econômica e de saúde causada pelo coronavírus”, comentou Tommaso Cancellara, gerente geral da associação.

A Assocalzaturifici espera uma redução nas encomendas, impulsionada pelo adiamento de várias feiras que deveriam ter ocorrido nos próximos meses. “Felizmente, a Micam foi realizada como de costume em fevereiro passado e as empresas presentes conseguiram assinar contratos e fazer pedidos, melhorando marginalmente uma situação que já era complexa desde o início do ano”, comentou Cancellara, adiando um balanço do impacto total para o final deste semestre. Por fim, a Associação espera que instituições nacionais e internacionais possam implementar medidas econômicas adequadas para enfrentar a crise, tanto no âmbito econômico como no de empregos.

Indústria Italiana de Calçados

A indústria italiana de calçados está localizada principalmente nas regiões de Marche, Toscana e Veneto. Em 2018, a Itália foi o terceiro maior exportador de calçados, com receita de aproximadamente 11 bilhões de dólares, de acordo com o World Footwear Yearbook. Nesse ano, a Itália foi o 10º maior produtor, com 184 milhões de pares, em um top 10 cominado por países da Ásia (7 em 10).

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