Leite afirma que demanda do setor é justa e legítima

28.10.2019 - Carolina Zeni e Ruan Nascimento/Jornal Exclusivo

Foto: Marcela Brown/GES-Especial
Governador recebeu um par de calçado fabricado pelos alunos da Escola de Sapateiros, projeto realizado há dez anos pelo SICTC
Uma das principais reivindicações do setor coureiro-calçadista é o #ICMSigualparatodos, bandeira levantada pelo Movimento Pró-Calçado RS e que pede a redução das alíquotas de impostos praticadas no Estado. Ao reconhecer que o pleito é justo e legítimo, o governador gaúcho Eduardo Leite, quase um ano depois da primeira visita ao Sindicato da Indústria de Calçados, Componentes para Calçados de Três Coroas (SICTC), retornou no último dia 18 de outubro para conversar e ouvir os empresários da indústria de calçados.

O encontro ocorreu na sede do SICTC e estiveram presentes empresários dos Vales dos Sinos e Paranhana, deputado federal Lucas Redecker, deputados estaduais Dalciso Oliveira e Issur Koch e o presidente do SICTC, Joel Klippel. O chefe do Executivo falou sobre a agenda em prol da competitividade e do desenvolvimento que está no centro da sua gestão. Leite revelou estar otimista em relação a um anúncio para a equiparação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) interestadual do Estado ao mesmo aplicado às indústrias do Sul do País. "Esse setor é de geração de empregos e mão de obra intensiva. Ele merece ser olhado com atenção a partir de estímulos da redução de impostos. Queremos que a expertise existente no Rio Grande do Sul na fabricação de calçados seja potencializada a partir de iguais condições ou as mais semelhantes possíveis."

O governador gaúcho destacou que a Secretaria da Fazenda tem como "missão" atender ao propósito do Estado, e não resolver questões do governo. "A Secretaria nunca esteve tão aberta para discutir com os setores produtivos e com os empreendedores a política tributária do Estado", ressaltou. "Chegaremos muito em breve a anúncios de estímulo para o setor do ponto de vista tributário, porque estamos construindo uma demanda de contrapartida. O Estado vai fazer essa redução mediante as condições de combate à informalidade de geração de empregos."

"A gente tem matado um Leão todos os dias"

O deputado estadual Dalciso Oliveira salientou que o Rio Grande do Sul tem perdido para ele mesmo. “A gente tem matado um Leão todos os dias. É uma injustiça com quem gera renda e emprego. Esse setor na região e no Estado já foi considerado o maior produtor de calçados feminino do mundo, e hoje estamos perdendo para nós mesmos”, disse. “O #ICMSigualparatodos significa estar em um ambiente de igualdade. Temos que olhar para dentro de nós e parar de mandar embora a nossa cultura e cuidar do que é nosso”, frisou. “Nosso papel é criar um ambiente favorável para que vocês possam criar a pleno essa demanda”, complementou Koch.

Entenda

Ainda em maio deste ano foram lançadas na Assembleia Legislativa do RS duas frentes parlamentares de apoio ao setor calçadista, uma proposta pelo deputado estadual Dalciso Oliveira, que visa debater a redução dos empregos, a migração de empresas e a desindustrialização das atividades no RS, e outra de autoria deputado estadual Issur Koch, intitulada Frente Parlamentar em Defesa do Setor Coureiro Calçadista. Ambas as iniciativas tem como objetivo falar sobre a atual situação da cadeira produtiva e incentivar as empresas do setor.

Demandas calçadistas em debate nacional

Os desafios e as demandas do setor calçadista agora serão discutidos nacionalmente. No dia 11 de novembro, na Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha (ACI NH-CB-EV) será lançada a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Setor Coureiro-Calçadista, requerida pelo deputado federal Lucas Redecker no Congresso Nacional e conta com a participação de 198 deputados federais e oito senadores. 

Segundo o deputado, que deve presidir a frente parlamentar, equiparar a alíquota do imposto com o Estado de Santa Catarina, por exemplo, facilitaria a competitividade e só traria benefícios para o setor. A demanda nacional, projeta o parlamentar, será uma referência em Brasília. "É um compromisso que conta com a participação de senadores. As demandas serão debatidas tanto no senado federal quanto na Câmara. Nosso objetivo de fazer o lançamento da frente parlamentar em Novo Hamburgo é por ser a Capital Nacional do Calçado e também por ter relação com o Vale do Paranhana e com o cluster da região, que é completo", destaca. 

Redecker frisa que o encontro será uma reunião de trabalho com representantes do setor calçadista a fim de elencar as pautas mais urgentes. "A ideia é voltarmos para Brasília com dever de casa para fazermos encaminhamentos referentes a essa frente parlamentar, tudo aquilo que temos que resolver à frente dos ministérios, secretarias nacionais, do próprio Congresso Nacional, sempre à favor do setor", explica. 


Usaflex em crescimento acelerado

Foto: Itamar Aguiar/Divulgação
Visita à Usaflex para conferir os bastidores dos resultados
Também no dia 18, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, esteve presente na sede da Usaflex, em Igrejinha/RS, para conhecer as suas instalações. Segundo o CEO da empresa, Sergio Bocayuva, a presença do chefe do Executivo gaúcho foi também para conferir o que a fabricante tem feito de diferente no setor calçadista do Estado, indo na contramão de um mercado em retração, no geral. Nos últimos três anos, a receita saltou de R$ 288 milhões para R$ 409 milhões, desde a entrada do Grupo Axxon como principal acionista. "Ele (o governador) veio ver de perto este movimento que estamos fazendo. E foi muito interessante apresentá-lo a todas as nossas mudanças", explica.

Bocayuva ressalta que tem feito uma gestão diferenciada no setor calçadista em seu comando na Usaflex, marca historicamente ligada à produção de calçados confortáveis. No varejo, a empresa atingiu a marca de 200 lojas franqueadas, e a expectativa é de fechar o ano com um total de 234 lojas, além dos produtos à venda no e-commerce próprio, e em mais de 7.400 pontos em redes multimarcas. No mercado internacional, a marca está presente em 51 Países, com 17 lojas licenciadas, compatíveis ao projeto das franquias.

Houve também um reposicionamento de marca nos últimos anos, com investimentos na mídia, para aumentar a sua gama de clientes. Segundo Bocayuva, a Usaflex, anteriormente, tinha a maior parte de seu público-alvo em mulheres acima dos 40 anos. Com todas as mudanças feitas, hoje, a empresa já atinge um público mais variado, alcançando a faixa etária dos 25 anos. "O que fizemos, com relação às franquias, foi trazer o público que não tinha acesso à Usaflex a ter uma nova experiência da marca. Isso porque pela franquia é possível ter uma visão global da nossa coleção, enquanto no segmento multimarcas se tem uma participação muito segregada, e muito pequena."

Para o futuro

Nos próximos anos, a meta da Usaflex é de dobrar o seu faturamento. O CEO frisa que, até 2023, a empresa deve ter 400 unidades franqueadas, além de crescimentos no e-commerce e no mercado internacional. "Estamos conseguindo mostrar a força da marca, com um diferencial competitivo, que é o conforto. Se você conseguir aliar o conforto ao design e a moda, teremos tudo para crescermos cada vez mais", destaca.

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