Desafios para uma indústria eficiente

28.10.2019 - Ruan Nascimento

Foto: Ruan Nascimento/GES Especial
Setor industrial passa por transformações, diz Baroni
A produção industrial passa por constantes transformações. A melhoria na fabricação e a redução de tempo e de desperdícios estão na pauta de qualquer empresa. Mas como fazer isso? A indústria brasileira está preparada para o 4.0?

O controle de dados e informações e a aplicação de tecnologias nos processos industriais é o que entende-se por quarta revolução industrial, ou indústria 4.0. O setor calçadista se estrutura para implementar este processo em suas fábricas, conforme explica o empresário, professor e pesquisador, Alexandre Baroni, que conversou com o Jornal Exclusivo no dia 10 de outubro, durante o Fórum IBTeC de Inovação, na Semana do Calçado, em Novo Hamburgo/RS. Ele é CEO da BeModular (Porto Alegre/RS), uma empresa de consultoria que busca otimizar os processos de diversas indústrias. "Hoje temos (de clientes) empresas de calçados que estamos trabalhando para melhorar a produtividade deles", explica, ao apresentar o seu empreendimento.

De modo geral, Baroni, pós-doutor em engenharia, lembra que o setor industrial brasileiro possui uma grande qualidade, produzindo variedades em larga escala. Ele ressalta que nos últimos anos a concorrência aumentou, sendo um desafio para os empreendedores. "Você vê o exemplo das montadoras de automóveis. Há 30 anos atrás, haviam quatro aqui no Brasil. Hoje, são mais de 50. O importante é você ser bom em entregar variedades", frisa.

Desafios para o calçado

Considerando apenas a indústria calçadista, Baroni lembra que esta passa por uma fase de transformação, apesar de ainda ser complexo para algumas empresas implementarem tecnologias focadas na melhoria de processos. "A gente chega com uma ideia e o empresário pergunta 'vai custar quanto?', porque ele não sabe que com aquele investimento, vai economizar uma boa receita em um prazo futuro. É muito difícil para uma pessoa que viveu a vida analógica, de mudar para o digital", comenta.

Como solução, ele destaca que o ideal é integrar a informação e o fluxo de valor, que não dependa da escala para baratear o produto final. "Não vai ter mais escala. O mercado quer variedade. Esta dicotomia entre variedade e escala nós temos que romper."

Manufatura e robótica

Para o futuro da indústria, o empresário considera que a solução ideal seja integrar a produção entre humanos e robôs. Este conceito é atrelado à indústria 5.0, porém, Baroni enfatiza que esta definição é muito nova, e ainda não há uma literatura confiável para ler sobre o assunto.

Ele comenta que já realizou testes de produtividade apenas com a manufatura e apenas com a robótica, e que a fusão das duas partes trouxe melhores resultados. "Eu posso botar o robô ao lado do ser humano, e aí, trabalhando junto com ele que o ser humano vai dar o toque final da personalização. Em qualquer função se vai ter atividades repetitivas, e aí o robô vai te dar a produtividade. Com ambos trabalhando juntos, consigo aliar dois mundos, com variedade e flexibilidade."

Destaque no setor

Na indústria calçadista, Baroni cita o exemplo da Sazi (Farroupilha/RS), como empresa que está em busca de processos para otimizar a produção, e que está automatizando uma linha de máquinas através de softwares inteligentes. "Agora eles estão dando mais um passo, que é uma versão 4.0, que flexibiliza esta linha automatizada", finaliza.

Sazi inova em processos

Foto: Divulgação
Empresa fabrica equipamentos para calçados
Baroni destacou a Sazi (Farroupilha/RS) sobre a automatização de processos. O gerente comercial da fabricante de máquinas para o setor calçadista, Edson Borsoi, confirma a informação, e frisa que a empresa inova com produtos novos, dando oportunidades aos clientes no processo de produção.

Uma das novidades é o secador e reativador com a tecnologia NIR. Através de um sistema de aquecimento híbrido realizado por convecção de ar quente e radiação de calor por resistências infravermelhas NIR, é possível secar e reativar o adesivo de maneira uniforme.

Borsoi destaca também o sistema de controle presente no equipamento, que utiliza um sensor de temperatura sem contato para medir cada calçado e garantir que o produto saia da máquina na temperatura programada. "Agora temos um controle efetivo, pé a pé, do primeiro ao último do dia," explica.

A Sazi vem desenvolvendo soluções com tecnologias habilitadoras da indústria 4.0. Como a própria linha de máquinas NIR que possuem sensoriamento incorporado e o Software Intelligent System, capaz de gerenciar e monitorar equipamentos da linha calçadista. "Para nós, indústria 4.0 nada mais é do que a concretização, por meio de tecnologia, da necessidade de flexibilidade e redução de custos de produção que o mercado vem exigindo, isso é o que a Sazi procura fazer!” Comenta o gerente comercial.

Para o futuro, Borsoi ressalta que a empesa trabalha forte na consolidação dos conceitos da Indústria 4.0, como na LACS (Linha Automatizada de Calçados Sazi) que utiliza da robótica e da troca de dados entre equipamentos com objetivo de aumentar a produtividade e qualidade dos produtos fabricados. "Quanto ao conceito de indústria 4.0, acreditamos que o humano sempre terá um papel fundamental nos processos produtivos, e que a cooperação entre pessoas e máquinas sem dúvidas trará os melhores resultados", finaliza.

 

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