Fredão: Quebramos muitos paradigmas

09.09.2019 - Ruan Nascimento / Jornal Exclusivo

Foto: Dinarci Borges/Divulgação
Frederico Pletsch
Frederico Pletsch, carinhosamente conhecido como Fredão, sempre foi um homem de perfil comercial. Hoje diretor da Merkator Feiras e Eventos (Novo Hamburgo/RS), começou cedo a vender. Após a morte do pai, quando tinha 17 anos, foi representante de calçados, e trabalhava em Santa Catarina e Paraná. A paixão pela música fez com que abrisse um estúdio de gravação, a Facsom, em Novo Hamburgo/RS, trabalhando em festas e eventos. Até receber um convite para operar com o som em um desfile de moda, durante a Fenac, também em Novo Hamburgo. Em Porto Alegre/RS, foi o diretor geral do Instituto Sinodal de Assistência Educacional e Cultura (Iasec), assumindo uma gravadora, e produziu para cantores como Elis Regina e Teixeirinha, mas sem deixar de lado o universo do calçado - continuou operando o som dos desfiles na Fenac. No final dos anos 1970, foi contratado de vez pela promotora, onde trabalhou por mais de 18 anos, comercializando eventos como a Feira Internacional de Couros, Produtos Químicos, Componentes, Máquinas e Equipamentos para Calçados e Curtumes (Fimec), que ajudou a criar. Em 1999, criou o Salão Internacional do Couro e do Calçado (SICC), e desde 2003, dirige a Merkator, que no setor, também realiza as feiras Zero Grau, e 40 Graus.

A Merkator Feiras e Eventos

Fundação: 2003

Sede: Novo Hamburgo/RS

Colaboradores: 12 diretos

Participantes do SICC 2019: 1.600 marcas

Participantes da Zero Grau 2018: 1.000 marcas

Participantes da 40 Graus 2019: 240 marcas

Entrevista com Frederico Pletsch - diretor da Merkator

Como você passou dos desfiles para o comercial?

Eu sempre fui do comercial. Eu fazia os desfiles basicamente porque vendia bem. Foi ali por 1978 que passei a trabalhar na Fenac. Aí fiz um contrato de comissão. Essa entrada na foi por volta de 1979, 1980. Fiz um contrato de representante com eles. Me pagavam 10% de comissão e eu assumi a administração, com uma equipe de vendedores. Tínhamos uns oito vendedores dentro do escritório e mais algumas pessoas. Ele pagavam a comissão para mim, e depois eu tinha que pagar as comissões dos vendedores. Como a Fenac sempre foi política, foi mudando as gestões, até que em um momento eu acabei saindo.

Quando foi esta saída da Fenac?

Foi em 1996, ou 1997.

Foi neste momento em que o SICC surgiu?

Foi pouco depois disso. O primeiro SICC foi em 1999.

Que empresa você administrava na época?

Eu tinha um sócio, que era a Expovest. Fazíamos a feira de sapatos e a feira de confecções. Alguns anos depois nos separamos. Eles ficaram com as confecções e nós ficamos com os calçados. Foi neste momento que surgiu a Merkator, em 2003.

Como foi fazer o SICC nestes primeiros anos?

Tu te imagina fazer uma feira, numa cidade a mais de 100 quilômetros do aeroporto, no extremo Sul do Brasil, numa cidade que e nem capital é? Só tinha uma coisa, ela tinha um nome muito forte, que era Gramado/RS. Era a única coisa que tinha para nos ancorar. Tivemos reuniões aqui que concordamos em trabalhar tudo de graça, para fazer acontecer e provar que estávamos no caminho certo. Foi duro. Tivemos muita persistência e muito sacrifício de todos.

Era muito difícil naquela época?

Antes era difícil em tudo. Não tínhamos dinheiro às vezes. Cansei de sair lá de cima chorando, com uma dívida enorme, sem ter dinheiro para comer no outro dia. O pessoal ainda falava todo faceiro “ah Fredão, a feira foi boa”, mas eu estava no aperto. Felizmente tinha amigos que me ajudaram na hora deste aperto.

Como foi o ponto de virada para o SICC? Em que momento a feira mudou de patamar?

Foi a parceria com os sindicatos, em 2006. Sem dúvidas, foi a grande virada. Até hoje, com tudo o que está acontecendo, tem gente que ainda duvida. Quebramos muitos paradigmas. Todos os questionamentos acabamos transformando para o nosso favor. Fomos ultrapassando cada desafio, e vou morrer fazendo esta feira, tentando fazer mais.

A parceria com os Sindicatos, foi muito boa, porque ali botamos um oxigênio a mais, que foi o dinheiro. Na época entrou 18 contratos de uma vez. Foi uma maravilha! Então começamos a contratar mais pessoas para a empresa, o pessoal foi acreditando, até que chegamos ao patamar atual. Continuamos trabalhando tanto quanto antes. Conseguimos abrindo portas. Não que antes era mais difícil, hoje temos mais responsabilidades.

Nesta década atual a Merkator passou a investir em mais feiras, criando a Zero Grau e a 40 Graus. Como é que foi este momento?

Isso nunca partiu de nós. Fazíamos sempre duas grandes reuniões por ano, lá em Gramado, reunindo entre 20 e 40 fabricantes de calçados. Foram nestes encontros que discutimos a criação da Zero Grau (em Gramado/RS), e também da 40 Graus (realizada em seus primeiros anos em Natal/RN, e hoje sediada em João Pessoa/PB). Sempre foram discussões entre nós e eles, em parceria. Isso era o mercado que estava pedindo. Eles pediram “precisamos de uma feira no Nordeste”, aí nós criamos a 40 Graus. Infelizmente lá em Natal tivemos problemas, com o pavilhão e com a crise econômica e então partimos para João Pessoa. E sempre estamos em busca de fazer outros eventos que vamos continuar.

Como foi a mudança da 40 Graus para João Pessoa?

É uma diferença de uns 180 quilômetros de Natal para João Pessoa, mas parece que mudou tudo. Foi muito mais fácil para acolhermos um novo pavilhão. Era muito gostoso de fazer lá em Natal. Mas entre ser gostoso e vender sapato, vamos vender sapatos. João Pessoa também é uma cidade muito bonita.

A próxima feira da Merkator será a Zero Grau. Quais são as expectativas?

As expectativas são das melhores. O grande problema é essa insegurança que vejo do mercado. Tem gente que diz que está ruim, que não está dando certo. Mas a questão é que o pessoal não está conseguindo ler o que está acontecendo. Se olharmos em dez anos, o que mudou de tecnologia é algo impressionante. Jamais imaginaria que máquina fotográfica seria um item obsoleto. Jamais imaginaria que faria uma chamada de vídeo da Alemanha com alguém aqui no Brasil, ou que as páginas amarelas (das antigas listas telefônicas) deixariam de existir. Então é o seguinte, quem tá sabendo ler o que acontece no mercado, está indo bem. A dinâmica está muito violenta, e quem não está adaptado está apanhando.

Tem alguma novidade desta Zero Grau para nos contar?

Vai ter muitas coisas, mas a principal é que vai ser excelente com o pessoal que traz conteúdo para a feira. Vamos trazer o chef francês Claude Troisgros, e ele vai falar sobre moda. Sua palestra vai abordar o que ele tem de fazer para vender a sua comida e seguir fazendo sucesso. Ele estará no Papo Legal, na véspera da abertura da Zero Grau, falando de moda. Eu o contatei e fechei contrato no dia que fui conhecer o restaurante dele, em São Paulo/SP. É um cara sensacional, muito incrível.

Qual é o diferencial das feiras da Merkator?

É o tripé em chamarmos a imprensa para prestigiar e cobrir o evento, aliada ao turismo e aos negócios. Você tirar um empresário comprador ou vendedor não é uma tarefa fácil. Não é a feira que fará esta pessoa sair do seu local. É o turismo e é a informação. É a interação entre todo mundo dentro da feira. Na próxima Zero Grau, o que terá de imprensa, lojistas e empresários será sensacional.

Quais são os próximos passos para a empresa?

Estou trabalhando violentamente com a turma. Já cheguei aos 70 anos. Mas estamos trabalhando todos em uma nova ideia que está se criando dentro das feiras. Teremos reuniões para ver quais serão os próximos passos. Eu disse para o pessoal aqui, que já penso em me mudar, em ir pescar. E existe um movimento de ideias novas em que só estou dando força, já para que eles assumam. Não é bem um plano de sucessão por causa da minha filha (a diretora de relacionamento da Merkator, Roberta Pletsch). É uma sucessão para todos e um excelente plano de oportunidades para todos aqui, o qual se fizerem de um determinado jeito, todos vão ganhar. A ideia é aproveitar agora o bom momento da Merkator para se pensar o futuro, pensando em novas ideias, novas feiras e assim sucessivamente.

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