Setor de calçados tem números reduzidos no primeiro semestre

29.08.2019 - Com informações da Abicalçados

Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam quedas no setor calçadista no primeiro semestre de 2019, em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo a entidade, houve redução de 0,4% nas vendas do mercado doméstico nos seis primeiros meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2018. As vendas no Brasil representam um total de 85% de toda a produção de calçados pelo setor – que fabrica, em média, 940 milhões de pares por ano. "Sem a retomada do consumo fica impossível qualquer recuperação mais robusta do setor", avalia o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira.

Ele comenta que a demanda ainda está baixa por conta dos elevados níveis de desemprego e inadimplência. São mais de 13 milhões de desempregados no Brasil, segundo dados oficiais, sem contar as pessoas desalentadas – que desistiram de procurar empregos, gerando uma possível soma de 30 milhões de brasileiros. Entre os inadimplentes no País, são mais de 60 milhões, conforme a Serasa Experian.

A queda nas vendas de calçados também afeta a produção do setor calçadista. De acordo com O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve diminuição de 1,8% no primeiro semestre, em comparação aos seis primeiros meses de 2018. A retração, por sua vez, impacta também na geração de empregos. Atualmente a indústria de calçados emprega 276 mil pessoas, 4,3% a menos que no ano passado, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Ferreira alerta que atualmente a capacidade ociosa na indústria é de 25%. "Portanto, mesmo com uma recuperação, vai ser difícil recuperar o nível de emprego pré-crise – 2015, 2016 –, quando chegamos a empregar mais de 330 mil pessoas na atividade", comenta.

Qual o motivo das quedas

A economia brasileira que ainda não se recuperou é um fator determinante para as baixas nos primeiros meses deste ano, segundo a Abicalçados. A avaliação é de que reformas como a da Previdência, aprovada na Câmara e tramitando atualmente no Senado Federal, serão importantes para abrir novos horizontes de maior confiança por parte do mercado. "Com a Reforma da Previdência Aprovada, os investimentos devem retornar e com isso a roda da economia começa a girar novamente. O impacto não será imediato, mas dará uma sinalização de que o Brasil é um país sustentável", explica o presidente-executivo.

Ferreira acrescenta que, com a Previdência aprovada, pode abrir caminho para que o mesmo ocorra com a Reforma Tributária, outra pauta da indústria brasileira. "Mesmo que a reforma não corte a carga de forma imediata, somente a redução da burocracia e a simplificação de processos já seriam grandes alentos para as empresas", completa o dirigente.

Dado positivo

Por outro lado, o indicador de vendas do calçado brasileiro para o exterior está positivo. Dados da Abicalçados de janeiro a julho de 2019 apontam que 65 milhões de pares foram exportados, gerando US$ 565 milhões em receita. Os aumentos são de 8,2% em volume e em 3,6% de receita, em comparação ao mesmo período do ano passado. Ferreira justifca que o câmbio favorável e a guerra comercial entre China e Estados Unidos influenciaram neste dado favorável, pelo fato de os norte-americanos buscarem alternativas de fornecimento fora do país asiático. "Porém, é um movimento circunstancial e que afeta a macroeconomia global, especialmente com a guerra cambial", avalia.

Projeções para o segundo semestre

O Relatório Setorial Indústria de Calçados – Brasil 2019, produzido pela Unidade de Inteligência da Abicalçados, projeta crescimento na produção de calçados, caso a recuperação econômica se confirme no segundo semestre. A previsão otimista é de aumento em 3,4%, e a pessimista é de 1,1%. O consumo pode oscilar entre o crescimento entre 0,4% e 2,3%. As exportações em volume podem subir entre 6,7% e 12,7%.

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