Agora é o momento: avançamos ou ficamos pelo caminho

03.02.2020

E vamos para mais um ano cheio de expectativas, esperançosos que o Brasil finalmente retome o rumo do crescimento. Ficamos frustrados em 2019 pois a mudança de governo nos mostrava que havia uma grande chance de o mercado dar uma guinada. Infelizmente isto não ocorreu e as causas são as mais variadas. Talvez a mais expressiva seja a de que não é possível colocar nos trilhos rapidamente uma enorme locomotiva chamada Brasil que foi mantida atrasada, desestruturada e saqueada ao longo de décadas. Por melhor que seja o governo e por mais honestas que sejam as intenções, muito há que ser feito e muitas resistências devem ser quebradas.

Enquanto isto, nós do setor calçadista, temos que continuar buscando a competitividade do nosso negócio atuando onde nos cabe, onde temos ingerência e conhecimento. Não podemos ficar aguardando que as medidas governamentais deem um grande resultado e nossas vendas disparem como por milagre. É quase impossível isto ocorrer. Menos complicado e mais factível é a nossa empresa ser muito eficiente no seu propósito e oferecer ao mercado os produtos que ele espera e deseja, pelo preço justo, com rentabilidade atraente e no prazo acordado com os nossos clientes. Não é fácil. Nem um pouco! Mas é totalmente possível.

Em artigos anteriores já detalhamos algumas providências que são obrigatórias para atingir os resultados que esperamos. Mas é importante ratificar que tudo começa pela decisão dos gestores de que é necessário reavaliar a forma como a empresa caminha na atualidade. Enquanto a direção entender que as dificuldades são apenas culpa do mercado que encolheu e que o governo não ajuda o suficiente, nada vai mudar. Ou melhor, vai piorar ainda mais. Trabalhar na redução de custos, na melhora da produtividade, na racionalização dos processos, na simplificação dos modelos sem torná-los desinteressantes, na modernização do maquinário e das ferramentas de controle, na qualificação da chefia e colaboradores, ampliar a cultura da qualidade e implantar um ERP eficiente e amigável.

Tudo isso? Sim...e muito mais. Introduzir conceitos de sustentabilidade nos produtos e nos processos, otimizar os setores de cronoanálise e PCP, aperfeiçoar o setor de estilismo e modelagem técnica, tornar mais eficazes os processos e critérios de compra, desenvolver uma política comercial compatível com a expectativa do mercado, realizar o reaproveitamento dos resíduos industriais transformando o que seria descartável em componentes que voltam para o processo. Enfim, muitas outras ações também podem ser importantes para conferir alta competitividade a uma empresa. Estamos listando apenas estas porque elas já permitem um grande avanço no negócio.

Mas como atacar tudo isto? Como fazer com que cada um destes pontos atinja os objetivos que traçamos? É fundamental que, além dos gestores, toda a equipe, incluindo todos os colaboradores do piso de fábrica, estejam imbuídos dos propósitos definidos pela empresa na busca de um melhor posicionamento de mercado. Os líderes de cada um destes processos devem ser os profissionais que ocupam posição de gerência ou direção, os quais devem ser muito qualificados para poder definir os critérios, as metodologias a serem desenvolvidas e as metas a serem atingidas. Eles devem ser muito bem preparados através de formação técnica ou de nível superior e, preferencialmente, possuir experiência de alguns anos nos temas aos quais irão se dedicar, na busca por essa melhor competitividade.

Caso a empresa perceba que o profissional que possui na área não esteja adequadamente preparado, deve imediatamente buscar qualificá-lo para poder atender à demanda que se seguirá. Caso não seja possível atingir o nível de qualificação esperado, buscar um profissional externo para assessorar a equipe pode ser uma alternativa muito positiva. Nos próximos artigos vamos abordar de forma detalhada cada um destes pontos citados, com o intuito de contribuir para o processo de melhoria dos setores produtivos das empresas.

Luis Coelho

Luís Coelho é consultor internacional de empresas formado em Tecnologia de Produção de Calçados e pós graduado em Educação pela Feevale, com MBA em Comércio Exterior e Negócios Internacionais pela FGV. É diretor da Coelho Consultoria Empresarial Ltda.

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