Mulheres na liderança aumentam a capacidade inovadora

28.06.2019

A revista Forbes publicou no mês de maio a lista das 20 mulheres mais poderosas do Brasil. A lista traz à tona a discussão da diversidade e equidade de gênero no mercado de trabalho, mas, dessa vez, de forma menos focada em justiça social. A publicação apresenta dados que apontam para o aumento da eficácia inovadora em empresas que possuem política de atração e retenção voltada para mulheres, minorias raciais e profissionais LGBT+. Segundo um estudo realizado pelo Instituto Peterson de Economia Internacional, companhias com até 30% de liderança feminina tiveram aumento de 15% em sua rentabilidade.

A reportagem traz ainda a visão de Margareth Goldenberg, consultora em diversidade e gestora executiva do Movimento Mulher 360. Segundo ela, ter mais mulheres e minorias nas empresas gera impactos concretos na atração de novos talentos, retenção de funcionários, melhoria do clima organizacional e da criatividade - uma vez que diferentes visões de mundo aumentam a probabilidade de criação de novas e melhores soluções -, ampliação da capacidade de compreensão das necessidades dos clientes, além do inevitável retorno de imagem e reputação. Margareth sustenta que a busca pela diversidade e inclusão nas empresas não é apenas a coisa certa a se fazer de um ponto de vista ético, mas é também uma estratégia inteligente do ponto de vista econômico.

Infelizmente, o Brasil ainda vive uma realidade muito aquém do ideal. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa o 95º lugar entre os 144 países com maior equidade de gênero. E dados da Fundação Getúlio Vargas de 2018 mostram que, por aqui, o percentual de trabalhadoras que ocupam cargos de alta liderança é muito baixo: 7,8%. Há uma década esse percentual era de 7,2%, ou seja, seguindo esse crescimento, as mulheres terão que esperar até 2085 para terem seus salários igualados aos dos homens.

Mas como implementar um programa de diversidade? Em primeiro lugar, engajando a alta liderança ao tema, se não por uma questão ética, seguindo indicadores que apontam melhores resultados atrelados à diversidade. Também é importante estruturar iniciativas para garantir representatividade das mulheres em todas as áreas e cargos, revendo práticas de recrutamento, seleção, desenvolvimento e promoção de colaboradoras. Talvez seja através da liderança feminina que conseguiremos implementar uma gestão mais horizontal, menos apegada a poder e orientada são apenas a resultados financeiros, mas ao impacto positivo no mundo.

Roberta Ramos

Roberta Ramos é gestora de Projetos na Abicalçados, jornalista, empreendedora e entusiasta de futurismo. Contato: roberta@abicalcados.com.br.

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