Eu Fiz Seu Calçado revela os anônimos que fazem nossos shoes

06.05.2019 - Redação Jornal Exclusivo

Foto: Divulgação
Projeto destaca os profissionais fabricantes de calçados
Mostrar quem são os milhares de anônimos que, diariamente, dedicam suas vidas à produção de calçados e, desta forma, resgatar seu valor e importância para uma indústria que corre nas veias de muitas famílias, além de ser base da economia de Três Coroas/RS. Um ofício que demanda profissionais especializados e que, mesmo com as mais avançadas tecnologias, depende das mãos ágeis e experientes de muita gente. São anônimos, que têm a oportunidade de contar a relação que mantêm com o sapato, fonte de sustento para milhares de trabalhadores.

Assim nasceu o projeto “Eu fiz seu calçado”, uma iniciativa do Sindicato da Indústria de Calçados, Componentes para Calçados de Três Coroas (SICTC) que teve início em 25 de outubro de 2018, no Dia do Sapateiro. Entre os movimentos que o inspiraram está o Fashion Revolution, lembrado dia 24 de abril, cujos objetivos são: conscientizar sobre os impactos socioambientais do setor, celebrar as pessoas por trás das roupas e acessórios, incentivar a transparência e fomentar a sustentabilidade.

O movimento foi criado após um conselho global de profissionais da moda se sensibilizar com o desabamento do edifício Rana Plaza em Bangladesh, que causou a morte de 1.134 trabalhadores da indústria de confecção e deixou mais de 2,5 mil feridos. A tragédia aconteceu no dia 24 de abril de 2013, e as vítimas trabalhavam para marcas globais, em condições análogas à escravidão.

A campanha #QuemFezMinhasRoupas surgiu para aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto no mundo, em todas as fases do processo de produção e consumo. Realizado inicialmente no dia 24 de abril, o Fashion Revolution Day ganhou força e hoje tornou-se a Fashion Revolution Week, que conta com atividades promovidas por núcleos voluntários em mais de cem países. Acompanhe os episódios da série no Facebook (/trescoroasshoes) e no Instagram (@trescoroasshoes).

O exemplo de Três Coroas

No polo calçadista de Três Coroas, fazem parte da ação a produção de vídeos e depoimentos em texto, feitos com profissionais que atuam nos mais variados setores das empresas associadas à entidade. Este conteúdo é compartilhado mensalmente nas redes sociais do Três Coroas Shoes (Instagram e Facebook), projeto voltado à valorização dos atributos e diferenciais das marcas parceiras do SICTC.

Executivo comercial do SICTC, Juliano Mapelli explica que o projeto “Eu fiz seu calçado” tem como principal foco dar visibilidade e voz às pessoas responsáveis pela fabricação dos nossos calçados. “Queremos valorizar estes profissionais, tão importantes para nossas empresas. Mostrar um pouco do seu dia a dia e da sua rotina. É gratificante ver o orgulho que estas pessoas têm da sua profissão e a alegria com que falam da sua experiência, das conquistas e da emoção de ver os calçados fabricados por eles calçando pessoas do mundo todo”, comenta Mapelli. Ele acrescenta que, por outro lado, a maioria dos consumidores desconhece o processo de produção e não imagina a quantidade de profissionais envolvidos, ou por quantas vezes um único par de sapatos passa de mão em mão, até chegar à loja.

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Antonio Drehmer, funcionário da Calçados Werner
Antônio Drehmer: da roça para o sapato

Já foram ao ar 11 entrevistas com profissionais como Antônio Ricardo Drehmer. Natural de Canela, na Serra gaúcha, soma 39 anos dedicados à Calçados Werner (Três Coroas/RS). Aos 59 anos, ele hoje é responsável pelo acabamento das amostras da fábrica. Ele se emociona ao passar a limpo sua trajetória e perceber quanto o calçado lhe oportunizou melhores condições de vida. “Não queria trabalhar na roça”, conta ele, com as mãos calejadas pelos milhares de pares que passaram por elas. Tanto tempo respirando calçado fez Drehmer ter como hábito conferir as vitrines para reconhecer os modelos da marca em que trabalha. E o público feminino da família, sempre que o visita, não volta para casa de mãos abanando. “Sempre que posso, dou de presente”, comenta, com sorriso largo no rosto.

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Sabrina Pinheiro, funcionária da Cecconello
Sabrina Pinheiro: ela quer ser estilista

Manter o interesse dos jovens na indústria é um desafio para o setor. Oportunidades não faltam para quem tem talento e vislumbra um futuro promissor. Sabe aqueles enfeites lindos, cuidadosamente posicionados em cada modelo da Cecconello (Três Coroas/RS)? Quem confere se estão todos em seu lugar é a Sabrina Pinheiro, 24 anos. Por suas mãos e olhos atentos passam entre 500 a mil peças todos os dias. Em três anos na companhia, ela segue os passos do pai, montador, e da mãe, costureira. A exemplo das consumidoras da marca, Sabrina é apaixonada por sapatos. “Sou uma das maiores consumidoras da fábrica”, brinca. Neste ano, ela se forma na Escola de Sapateiros e já projeta o futuro: “Quero ser estilista”.

Confira abaixo o vídeo com o depoimento do colaborador Antônio Drehmer, da Werner, em uma das ações do "Eu fiz seu calçado":


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