O DNA do empreendor batistense

08.04.2019 - Carolina Zeni / Jornal Exclusivo

Foto: Carolina Zeni/GES-Especial
Almir dos Santos é empresário e presidente do Sincasjb
Sem fazer voltas, ele reconhece ser um grande empreendedor. Nascido no dia 16 de março de 1964 e dono de 15 empresas – em Santa Catarina, na Bahia e em Minas Gerais –, Almir Manoel Atanázio dos Santos também é presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de São João Batista (Sincasjb), em Santa Catarina. Na cidade batistense, está à frente de sete empreendimentos. É casado, pai de seis filhos e avô de dois netos. Orgulha se ao falar que, em breve, a sua família vai aumentar. Nascido na pacata cidade catarinense, lembra-se com carinho daqueles tempos. Quando somava apenas 40 dias de vida, sua família resolveu mudar-se para o bairro Fernandes: seu pai preocupava-se em oferecer boa formação para os filhos. À época, em 1964, seu pai – a quem muito ajudou também na lavoura – adquiriu um armazém.Tanto ele como sua mãe, dedicaram-se ao comércio e priorizaram a educação da prole. Santos começou a trabalhar em uma usina de açúcar (Usati), única da cidade na época. Ali, aprendeu a ser ordeiro e cumprir horário, segundo suas próprias palavras. Depois de dois anos e oito meses, em 1983, passou no vestibular em Ciências Contábeis, na Univali, em Itajaí. Trabalhava em três horários, incluindo sábados e domingos, o que lhe impossibilitava de estudar à noite. Isso fez com que largasse o emprego na usina de açúcar e desse um start em sua carreira empreendedora. Foi neste mesmo ritmo batalhador que ele celebra 36 anos de atuação no setor calçadista com uma potência já estabelecida.

Qual foi seu caminho a partir da saída da Usati?
Fiquei um ano e dois meses trabalhando em uma empresa que fazia cepo de madeira. Havia uma moda muito forte de calçados de madeira. Fiquei na gestão dessa empresa e, nesse meio tempo (1984), surgiu a possibilidade de montar o Calçados Ala. Meu irmão mais velho, Atanázio, preocupado com os irmãos, eu e Aderbal, formou sociedade com um empresário da cidade.

Como era?
Iniciamos com sete funcionários, que faziam sapatilha pano xadrez. Produzíamos 30 pares por dia. Não tínhamos carro. Para buscar tecido, íamos de carona com um caminhão da Usati até Joinvile e voltávamos também de carona. Meu pai foi nosso avalista, até que depois de quase dois anos conseguimos comprar um carro, um Fiat 147. A empresa evoluiu. Em 1990, fazíamos 300 e poucos pares por dia. Já estava bem estruturada e precisava dar um salto em investimento e produção. Houve um desentendimento entre os sócios e resolveram se separar.

A Calçados Ala encerrou as atividades?
Eu e meu irmão ficamos com ela. Conduzimos a empresa e ela cresceu. Em 1994, com divergências de ideias, dividimos a sociedade onde o Aderbal acabou ficando com a empresa e eu fui montar uma nova. Em 16 de janeiro de 1995 surgiu a Suzana Santos. Atualmente temos 354 funcionários diretos e mais 300 indiretos.

Começou bem?
Começamos um trabalho diferenciado e num ritmo bom. Iniciei a empresa com 30 funcionários já produzindo 300 pares por dia em um galpão alugado da antiga Usati, onde existiu a carpintaria da empresa. Depois, em 1996, já estávamos em um galpão próprio, sede própria, que foi evoluindo e crescendo. E em 1997 lançamos a marca de infantil Suzaninha. Em 1998 começamos a exportar, onde, no final deste ano, levamos um“calote” de uma exportação. Quase fechamos.

A fase difícil foi superada?
Em 1999 a empresa estava um pouco mais sólida e nós partimos para um novo segmento: a fábrica de embalagens (Formatt Embalagens), que está até hoje produzindo, com 48 funcionários. Depois, em 2003, a gente lançou a marca Renata Mello para atingir, em especial, o mercado do Norte e Nordeste. A marca nos surpreendeu, chegando, em 2003, à produção de 6 mil pares por dia, muito além do projetado. Hoje é uma empresa muito forte, com oito unidades na Bahia.Empregamos mais de duas mil pessoas, produzimos mais de 20 mil pares por dia. Sabe-se que o polo de Santa Catarina é praticamente autossustentável.

Só não há fábricas de sintéticos, certo?
Em 2007 abrimos a Hendrick Sintéticos para fazer um trabalho diferenciado no sintético, mas não evoluiu e optamos por comprar o material pronto da China. Em 2009 a gente finalizou as atividades com a Hendrick Sintéticos e começamos a Componarte (empresa de componentes para calçados), que emprega mais de 90 pessoas. Somos o maior atacado de matéria-prima para calçados do Brasil e atendemos todo o País em todos os tipos de componentes, sublimação e serviços para o calçado, temos filial em Nova Serrana- MG, empregando diretamente 92 funcionários. Em 2012, iniciamos a fábrica de calçados Azillê, em São João Batista. Hoje emprega 220 funcionários com mais de 250 indiretos. Faz 5 mil pares de calçados por dia. A empresa surgiu para fazermos uma moda Top Fashion e se sobressaiu, está bem e com projeção de crescimento para 2020.

Seus empreendimentos evoluíram para outras áreas?
Sim, para construção civil com a MSantos. Começamos a construir em São João Batista e hoje estamos construindo em Porto Belo e Itapema (Santa Catarina). Na sequência, em 2014, a gente também montou uma construtora em Itapema, a HSantos. Já construímos e entregamos quatro unidades, são apartamentos de luxo. Estamos com mais quatro unidades em andamento.

E os projetos para o futuro?
Estamos com mais três projetos e trabalhando de forma diferenciada,
fazendo com que a gente possa fortalecer cada vez mais o grupo coma diversificação do ramo e das empresas. Temos uma equipe jovem, comprometida. Meu objetivo especial é trabalhar, empreender, gerar emprego e renda e fazer com que as pessoas cresçam comigo. Hoje estamos na Bahia, cidade onde tínhamos uma empresa com 18 funcionários. Hoje nós empregamos quase mil funcionários em uma cidade só. Isso que é bacana de ver. Uma cidade que de um ‘nada’ virou polivalente, um comércio forte e é isso que a gente quer fazer: fomentar, com esse instinto empreendedor, emprego e renda para as pessoas.

Qual o segredo?
Fazer o que gosta. Tenho muita gratidão de poder ter chegado neste patamar. Espero poder continuar empreendendo pra gerar cada vez mais emprego e renda para as pessoas. As pessoas têm instinto. Umas nascem com uma coisa, outras nascem com outra. Eu nasci para empreender. Sempre fui envolvido coma comunidade, sempre fui muito comunicativo, bem relacionado. Eu nunca estou parado, sempre estou em movimento, buscando melhorar, reciclar o meu negócio. Talvez esse é o segredo da gente superar e estar, mesmo em momentos de crise, crescendo. Temos como objetivo fazer mais filiais no Rio Grande do Sul, São Paulo, Ceará, interior de São Paulo.

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