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MERCADO
11/08/2017 - Michel Pozzebon / Jornal Exclusivo
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Os novos empreendedores do couro

Foto: Michel Pozzebon/GES-Especial Cases das marcas Cutterman e Escudero foram apresentados no Fórum CSCB de Sustentabilidade
Cases das marcas Cutterman e Escudero foram apresentados no Fórum CSCB de Sustentabilidade
A matéria-prima couro segue aquecendo o mercado de produtos artesanais no Brasil. Apesar do material ser tradicional, neste nicho estão empresas jovens, com faturamentos anuais que beiram os R$ 2 milhões. Este caminho é trilhado pelos empreendedores Gustavo de Oliveira e Renato Pereira, diretores da marcas de acessórios em couro Cutterman Company (Curitiba/PR) e Escudero & Co (São Paulo/SP), respectivamente. Eles apresentaram o case de seus empreendimentos no painel “O Couro Guiando Novos Modelos de Negócio”, durante o Fórum CSCB de Sustentabilidade, no dia 10 de agosto, na Universidade Feevale, em Novo Hamburgo/RS.

No ano passado, a Cutterman Company faturou o equivalente a R$ 1,2 milhão, tendo em seu portfólio produtos como mochilas e carteiras. O investimento inicial de Gustavo de Oliveira e seu sócio girou em torno de R$ 16 mil. “Acredito que nós temos um preço bastante competitivo para um produto com bastante valor agregado. Nossos diferenciais são a alta capacidade no desenvolvimento de produtos, a qualidade da matéria-prima e o acabamento dos itens”, comenta o empreendedor.

Crescimento orgânico

A empresa curitibana tem a perspectiva de encerrar 2017 com um faturamento da ordem de R$ 2 milhões. “Nosso foco não está em uma expansão agressiva. Não temos interesse em franquear o negócio ou abrir lojas em shoppings. Se crescermos muito, vamos perder nosso estilo artesanal, o que é algo que não abrimos mão. Queremos crescer organicamente”, frisa Oliveira.

Estratégia

Neste ano, a Escudero & Co projeta um faturamento da ordem de R$ 1,8 milhão. O expressivo resultado é fruto de uma mudança estratégica realizada pela empresa. “Deixamos de lançar coleções e passamos a focar o nosso desenvolvimento em uma marca de design atemporal”, afirma o designer e diretor da marca, Renato Pereira. O gestor acrescenta que, além disso, outras estratégias contribuíram para o alavancamento da grife. “Focamos em um canal de vendas, em matéria-prima e em comunicação”, afirmou.

Polêmica

Ao ser questionado sobre a importância da rastreabilidade do couro, Pereira causou um certo alvorço durante o Fórum CSCB de Sustentabilidade. “Para que se chegue a isso é preciso ter um controle muito grande. Não temos capacidade para tal. Os nossos fornecedores compram couro ainda com pelo ou wet blue. Então, eles nem sempre compram peles do mesmo lugar. O mercado do couro é realmente uma bolsa de valores. Sempre procuro novos curtumes para o desenvolvimento de novas amostras. Contudo, a minha confiança com os curtumes ainda é muito pequena”, sustentou o gestor da Escudero & Co.

O Fórum CSCB de Sustentabilidade foi promovido pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB).