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ESPECIAL
19/04/2017 - Mary Silva / Jornal Exclusivo
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Varejo ensaia retomada do fôlego nas vendas

O otimismo acerca da retomada da economia nacional começa a ganhar força no âmbito do varejo. A expectativa é de um reaquecimento nas vendas a partir do segundo semestre deste ano, com a promessa de movimentação no mercado de trabalho. “Vivemos uma recessão muito profunda e a situação deve melhorar lentamente. Isso se reflete, especialmente, no que diz respeito ao emprego. Teremos uma primeira rodada de contratações nos próximos meses, mas, quem se recolocar, provavelmente terá um ganho menor. Consequentemente, o consumo será menos expressivo. Depois, no início de 2018, começa a, de fato, subir o volume de compras no varejo”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

No setor do calçado, a melhora no cenário já dá seus primeiros passos – porém, com ressalvas, segundo o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac), Marcone Tavares. Ele pontua que houve reação nas vendas, com variações conforme a região, alterando bons momentos e períodos de baixa nos três primeiros meses deste ano. “Crescimento expressivo não existiu. Fechamos o trimestre com alta de 3% e a expectativa de nossa empresa é de um crescimento de 5% neste exercício”, destaca o executivo, que também é diretor comercial e de planejamento da rede de lojas Aby’s, com 19 unidades próprias e sete franquias em Alagoas e Sergipe.

De acordo com Tavares, a comercialização das coleções outono-inverno, em abril e maio, deve movimentar as lojas das regiões sul, sudeste e centro-oeste, principalmente – em função do desejo de compra pelas novidades, com ênfase no público feminino. “É um fator que motiva uma maior procura e, se vier acompanhado de um melhor desempenho da economia, os resultados certamente serão melhores do que em igual período do ano passado. Neste caso, novos pedidos também serão feitos aos fornecedores”, destaca.

Empresários ainda temem oscilações

Com expectativa de crescer 5% em 2017, o diretor da Savan Calçados, com lojas em Goiás e Minas Gerais, Imad Esper, aponta que o momento ainda demanda cautela. “Estamos vivendo um novo cenário de vendas. Até o ano passado, computávamos queda mês a mês. Este ano, ao contrário, elas estabilizaram. A primeira quinzena de cada mês tem sido positiva, especialmente em março, com a liberação do FGTS, que animou os consumidores. Mas as negociações da segunda quinzena têm sido mais fracas”, relata.

Para Leonardo Annichinno, diretor do Grupo Esporte Total (Capivari/SP), apesar da gangorra na comercialização de produtos, o panorama é positivo. “O outono está começando e o tempo está ajudando. Vamos em frente confiando num ano melhor”. Já Raul Viega da Rocha, diretor de Lojas Radan (São Leopoldo/RS), frisa que 2017 deixa a desejar. “Estamos sobrevivendo à custa do espaço deixado por colegas que encerram as suas atividades. Está sobrando para podermos pelo menos empatar com o ano passado”, lamenta.

PERSPECTIVA DIFERENTE

Em meio ao contexto de pé no freio, uma notícia mexeu com a perspectiva do varejo calçadista. Adquirida pelo Grupo Netshoes pouco menos de um ano atrás, a Shoestock abriu as portas de sua loja física no bairro de Moema, em São Paulo/SP, no dia 8 de março, para o delírio de uma legião de fãs fiéis. Repaginada e focada em oferecer experiências diferenciadas de compras, mostrou a força do investimento da nova mantenedora, estreando, na mesma data, o e-commerce, em total convergência de comunicação e negócios. Pudera, já que renasce em um berço de sucesso consolidado, na esteira da Zattini, loja virtual lançada pelo Netshoes em 2014.

A estratégia, segundo a gerente de marketing e marca da Shoestock, Thaís Azevedo, é unir a tradição e prestígio da grife à expertise da companhia. “O relançamento da marca aconteceu simultaneamente no e-commerce, que tem capilaridade nacional, e a loja física, com um ambiente omnichannel, que amplia e enriquece a experiência do cliente. Assim, a proposta é unir as facilidades do mundo digital à imensa tradição que a Shoestock tem na operação no varejo físico, além de poder levar a marca a consumidores de outros Estados”, aponta ela, que não fala em números ou planos de expansão.

A operação do Netshoes se tornou exclusivamente online em 2007, após sete anos de existência em loja física.